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A culpa foi do Mansell! 24.04.08


Piquet persegue Mansell em Brands Hatch 86 - Clique para ampliar
Brands Hatch, 13 de julho de 1986. A guerra aberta entre Nelson Piquet e Nigel Mansell em seu primeiro ano de convivência na Williams torna-se indisfarçável.

Aos 33 anos, até meses antes pouco mais do que um Zé Mané da Fórmula 1, várias vezes beneficiado pelo simples fato de custar pouco e ser inglês, Mansell finalmente desabrocha no final de 85, quando vence os seus primeiros GPs e marca 31 pontos na temporada – 25 deles em três das quatro provas finais -, quase tantos quanto havia marcado nas quatro temporadas precedentes.

Piquet, um ano mais velho, bicampeão mundial, festejadíssimo pela sua velocidade, visão de prova e capacidade para acertar carros, estreava na Williams e nadava de braçada como favorito absoluto ao título de 86, tirando proveito da visível qualidade dos motores Honda. Alguns apostavam que Alain Prost e o McLaren Porsche, campeões em 85, ainda tinham lenha pra queimar e outros imaginavam que o recém chegado Ayrton Senna podia engrossar mas poucos imaginavam o quanto Mansell poderia se tornar - desculpem o termo - um pé no saco do brasileiro naquela temporada. E que pé no saco!





O GP da Inglaterra marcava o começo da segunda metade do campeonato. Um irritante Prost catou pontos durante as oito corridas precedentes, inclusive duas vitória. O mesmo fez Senna, lutando com garra com seu Lotus menos confiável e potente que os Williams e o McLaren.

Mas a verdadeira surpresa veio da dupla da Williams. Mansell venceu brilhantemente três GPs e perdeu outro, na Espanha, por um piscar de olhos. E poderia ter vencido também em Jacarepaguá, no quintal de Piquet, caso não tivesse se envolvido num acidente logo no começo da corrida. Enquanto isso, Piquet patinava. É verdade que venceu no Brasil, primeira corrida do ano, mas foi se apagando nas corridas seguintes, inclusive batendo em Detroit quando parecia escapar para a vitória.

Resultado: ele tinha apenas 23 pontos na virada do campeonato, ante 39 de Prost, 38 de Mansell e 36 de Senna. Uma reação era urgente.

O Williams Honda estava tinindo nesta altura - das oito corridas seguintes, venceria cinco -, graças em grande parte ao trabalho de Piquet, cuja sensibilidade como piloto de testes valia ouro naqueles tempos em que a telemetria era ainda rudimentar. A Inglaterra era a hora da virada para Piquet.

Ele marca a pole, mais de meio segundo a frente de Mansell, segundo no grid. Dada a largada Piquet arranca menos bem que o inglês, que consegue, por um instante, emparelhar com ele. Mas então o inusitado acontece: Mansell fica para trás, seu semi-eixo quebrado talvez por força de uma patada anormalmente forte. Fim de corrida para ele - não fosse pelos acontecimentos dos segundos seguintes.

A quebra de Mansell acabou atrasando toda a fila de pilotos que optaram por seguir pelo lado esquerdo o que, em última instância, acabou por provocar a perda de controle de Thierry Boutsen, que mergulhou para fora da pista, colheu uma faixa de propaganda estupidamente presa ao guard rail e voltou para o meio do pelotão. Stefan Johansson, com um Ferrari, para desviar de Boutsen, forçou Jacques Laffite para o guard rail interno, onde bate com violência, fraturando as pernas em vários lugares.

A carreira do piloto francês terminava naquele momento, e com um toque dramático: era a sua 176a largada, o que igualava o recorde vigente de participações em GPs, de Graham Hill.







Laffite e seu Ligier em Mônaco 86
Pelos meses seguintes, o debate se estabeleceu. Por força do acidente originado por Mansell, a corrida foi interrompida e a largada considerada cancelada. Assim, foi como se Laffite não tivesse participado dela, o que não legitimava o seu feito, o mesmo tipo de problema que agora embaralha o eminente recorde de participações de Rubinho.

No final das contas, nem sei bem por qual justificativa, acabou-se por reconhecer o feito do francês e assim ele aparece em numerosos rankings de participação em GPs ao lado de Hill. Seu recorde, hoje, já foi superado por doze pilotos, entre eles Mansell, Piquet e Prost.





Como a largada foi cancelada, o Williams de Mansell pode ser consertado e ele pode partir novamente.

O que se viu na segunda largada foi um combate épico entre a dupla da Williams, Piquet liderando as primeiras 22 voltas com Mansell colado atrás. Então, sem que as câmeras de TV pudessem mostrar, Piquet teria errado uma marcha e perdeu a liderança para o inglês.

Na rodada única de pit stops, Piquet demora-se alguns segundos a mais do que Mansell mas tem uma chance real de retomar a liderança. Eles estão emparelhados na altura da saída dos boxes, fazem a Paddock Hill lado a lado, Mansell por fora, Piquet por dentro. A próxima curva, a Druids, era para a direita, o que deixava faca e queijo nas mãos do brasileiro mas... havia um retardatário no caminho. A pista era estreita e ele nada podia fazer para facilitar a vida de Piquet, a quem só restou frear e ver Mansell assegurar a liderança até o final da prova. Depois, ele comentaria: “venci com o carro que Piquet acertou”.

O brasileiro vence três das quatro corridas seguintes mas Mansell não desgruda dele e só perde o título por força do incrível azar que o atinge como um meteoro na corrida decisiva, na Austrália.





Canadá 86 Mansell na pole, seguido por Senna e Piquet - Clique para ampliar
Mas o que teria acontecido caso Boutsen não tivesse perdido o controle de seu carro, levando ao cancelamento da primeira largada e fazendo com que Mansell não marcasse nenhum ponto na Inglaterra?

Não havendo outros incidentes de prova, Piquet venceria, o que teria elevado os seus pontos ao final do campeonato para 72, mesmo número de pontos válidos conseguidos por Prost. Só que o francês também teria ganho pontos extras, já que ele terminou em 3o. Com a quebra de Mansell, receberia dois pontos a mais pelo 2o lugar, indo a 74 pontos válidos.





Tudo isso, eu juro, me ocorreu apenas na 3a-feira, ao pesquisar no Youtube um vídeo para ilustrar a carta enviada pelo amigo leitor Marcelo Ferreira. Apesar de ter assistido à corrida em 86, não tinha a menor lembrança dos problemas de Mansell e tudo o que ele provocou. Por um momento, imaginei que a recombinação dos resultados poderia ter “dado” o título ao brasileiro, por quem tanto torci naquela temporada e na seguinte, de forma que foi com uma ponta de decepção que conclui a recontagem dos pontos vendo que ainda não teria, infelizmente, dado para Piquet.

Abraços

Eduardo Correa

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