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| » » » 23.03.08 |
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| Eu acredito em Massa! |
23.03.08 |
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Eu acredito, em princípio, que a Ferrari esteja buscando um substituto para Felipe Massa, como anunciado pela revista AutoSprint. Me surpreende que seja Sebastien Vettel, tão jovem ainda; me surpreende que nomes de mais peso, como Fernando Alonso e Robert Kubica, não tenham sido mencionados; me surpreende um pouco menos - dada a competência da revista e a ardilosidade da equipe - que a notícia tenha vazado tão cedo.
Não acredito, em princípio, que a substituição se consume já no ano que vem. Claro, óbvio, ululante, que isso dependerá do desempenho de Massa neste ano. Além disso, Vettel pode não substituir o brasileiro e sim a Kimi Raikonenn, cuja proverbial cabeça fresca pode leva-lo a se aposentar a qualquer momento, sem maiores considerações pelos seus empregadores. Assegurando Vettel, a Ferrari estaria, portanto, plantando para o futuro em vários sentidos, sem gastar muito além de praticar o salutar hábito de chutar a b… dos seus pilotos, lembrando-os de que ninguém é insubstituível.
A negativa de Massa à notícia de AutoSprint não se sustenta, até pelo contrário: por tímida, a corrobora. Ele deve saber que não há contratos irrevogáveis. O fato de tê-lo assinado com a Ferrari até 2010 não significa que Massa ou a equipe não possam revoga-lo mediante indenização ou alegação de quebra de cláusulas. Um contrato deste tipo deve conter disposições que permitam às partes rescindi-lo caso o piloto não pontue por um determinado número de corridas ou o carro quebre por algumas provas seguidas, por exemplo.
Relendo o que escrevi, não posso deixar de especular: será que a birra da Ferrari com Alonso (que teria rompido um acordo verbal com Jean Todt anos atrás) é tão grande assim a ponto de descarta-lo?
Entendo que Kubica e Lewis Hamilton estejam blindados por contratos milionários mas o espanhol certamente não está e não perde chance de lembrar que é infeliz na Renault, aventando até a hipótese de mudar-se para a Honda em 2009.
O problema seria dinheiro? Pouco provável. A Ferrari nunca tem problemas com dinheiro. Difícil também acreditar que ela possa prescindir de um piloto com o talento de Alonso, apostando apenas em Vettel nos combates futuros contra Hamilton e a McLaren e, talvez, Kubica e a BMW.
Pesando tudo, prefiro acreditar que a porta siga aberta para o espanhol, o que tornaria a situação de Massa ainda mais grave, pois ele pode perder o lugar na Ferrari mesmo que Kimi deixe a equipe.
Ironia do destino: foi a mesma AutoSprint quem projetou a carreira de Massa quando o colocou em sua capa, em 2001, se não me falha a memória, logo depois de um teste com a Sauber, se perguntando se ele era um "novo Senna".
Hoje se sabe que, naquela altura, Massa já havia assinado um contrato vinculando a sua carreira à equipe italiana.
Sobre a corrida do brasileiro hoje, na Malásia, queria começar lembrando que até Michael Schumacher e Ayrton Senna tiveram os seus dias ruins. Acontece, o que se há de fazer?
Verdade que, como aconteceu na primeira curva em Melbourne, Massa escapou sozinho, de traseira, na saída da curva, num momento em que jogava tudo contra Kimi, não deixando outra explicação possível que não - oh vergonha! - falta de habilidade no trato do acelerador, como já havia notado a imprensa italiana, que dizia ter tido Massa mais dificuldade em se adaptar à falta do controle de tração, tendo problemas para largar bem e para gerir o desgaste dos pneus, principalmente os macios.
Como que confirmando tudo, Massa largou menos bem do que Kimi, ainda que tenha aprendido com seus erros do ano passado, mantendo-se tanto quanto possível junto à parte interna na primeira curva. Pelo que se viu depois, parece claro agora que Kimi evitou forçar demais, tranquilo quanto às próprias forças no desenrolar da prova. E até a pole do brasileiro perde um pouco de brilho quando se constata que ele estava mais leve do que Kimi.
Cabe a Massa, agora, buscar dentro de si as forças para se reerguer, da mesma maneira que Kimi foi busca-las para descontar os dez pontos que o separavam de Massa depois do GP de Mônaco do ano passado. Tempo há, talento e material também. Eu acredito em Massa. Ele precisa acreditar em si próprio, porém, e - que diabo! - errar menos.
A Ferrari pode comemorar a própria força na Malásia, confirmando afinal os prognósticos, tantos e tão favoráveis, colhidos nos testes de inverno. Seus torcedores, contudo, não podem festejar a corrida menos brilhante da McLaren. Não fossem as punições nascarianas impostas à equipe e Lewis teria terminado, muito provavelmente, em 2º, com Heikki Kovalainen logo atrás.
Mark Webber fez uma boa corrida hoje, segurando sem maiores dificuldades Hamilton, mesmo estando equipado na primeira parte da corrida com pneus duros, frente aos macios do inglês.
Os sonhos da RBR em se tornar a quarta força do campeonato, como alguns previram durante o inverno, não são disparatados. Para tanto, basta a ela superar a Renault e Williams, que pouco ou nada mostraram hoje, e a Toyota que viu, finalmente, acender-se uma luz no fim do túnel.
Nelsinho Piquet fez o que se esperava dele: uma corrida discreta, sem gestos heróicos mas também segura, consistente e sem erros, próxima o bastante do seu companheiro de equipe para não causar constrangimentos.
E ele já faz melhor do que seu pai, que só conseguiu terminar um GP em sua quarta participação, em Monza 78.
Corrida anônima é isso aí!
Para Rubinho, nada poderia ser mais contrastante com o seu desempenho na Austrália. Se não me distrai, ele foi mostrado uma única vez durante a transmissão, e por poucos segundos, em todo o GP da Malásia.
A fraqueza total da Honda hoje não deixa espaço para outra constatação: a boa corrida do brasileiro na abertura do campeonato foi episódica.
A declaração estapafurdia de Bernie Ecclestone no meio da semana, dizendo querer apontar o campeão mundial apenas pelo número de vitórias, acabando com o sistema de pontuação, não pode, como podem ter pensado alguns, ser resultado de senilidade, destempero verbal ou efeito de estupefacientes.
Tal patranha, que supera em muito os limites da burrice, só pode ser produto do domínio pelo dirigente máximo da Fórmula 1 das técnicas habituais de comunicação de políticos profissionais: fale a besteira que for mas apareça! É melhor passar por idiota do que ser esquecido pela mídia.
A atitude de Bernie explica quase tudo da atual situação da Fórmula 1.
Uma boa semana a todos
Eduardo Correa
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