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Home » Colunas » Eduardo Correa » 05.08.07
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"A pior corrida" 05.08.07
Encerrado o GP da Hungria, Felipe Massa sentenciou: "foi a pior corrida da minha vida".

Foi sim, em vários sentidos, para ele e muitos outros, a começar pela pista anacrônica e claustrofóbica, desenhada por um bolchevista admirador de Stálin, boa, talvez, para um desfile militar.

Continuou com o clima ruim entre Ferrari e McLaren, os acontecimentos bizarros nos treinos de sábado para as duas equipes e culminou com a flagrante inadaptação dos pneus Bridgestone a Hungaroring, levando pilotos como Massa e Fernando Alonso a erros e mais erros, fazendo a corrida deles mais parecer uma tourada.

Em meio a tudo, porém, Lewis Hamilton e Kimi Raikonenn emergiram intactos em corridas tranquilas, sem sobressaltos ou sinal de problemas.

Como explicar corridas tão diferentes entre os quatro competidores ao Mundial deste ano?

No caso de Alonso, é possível uma explicação simples: punido com a perda da pole (que ele conquistou por estar mais leve do que Hamilton), o espanhol foi forçado a arriscar mais durante a corrida, correndo próximo dos adversários que iam à frente, comprometendo com isso a aderência do McLaren.

Ainda que seja verdade que a mesma explicação possa ser aplicada a Massa, chama a atenção a diferença de rendimento entre ele e Kimi durante todo o final de semana.

Que os Ferrari rendiam menos do que os McLaren na Hungria não se discute mas creio que ninguém apostaria que o brasileiro pudesse superar Kimi na bateria final dos treinos, algo que vem se tornando comum depois da renovação aerodinâmica da Ferrari antes do GP da França.





A verdade é que o sonho está se desfazendo para Massa.

Sua falta de sorte, na falta de definição melhor, fica mais e mais difícil de ser explicada. Problemas nos treinos na Austrália e Hungria, a falha em largar na Inglaterra, a desclassificação no Canadá mais o fato de ter sido batido flagrantemente na Malásia, França e Alemanha minimizam suas vitórias no Bahrein e Espanha e o colocam na posição de mais frágil entre os quatro principais pilotos da temporada. Mesmo que ele venha a superar Kimi nas próximas corridas, não é isso o que se esperava dele e sim luta direta pela liderança do campeonato, em meio a poles e vitórias.

Os problemas de Massa podem até ter explicações estritas e das quais ele saia absolvido mas não é isso que a equipe e o mundo esperam dele. Superação é o mínimo que se exige de pilotos que queiram disputar o Mundial e não há argumentos honestos que possam comprovar que Massa se superou em algum momento do campeonato a exceção, talvez, da largada no GP da Espanha.

Massa ainda parece carregar consigo a dificuldade em dosar com precisão acelerador e freio em momentos cruciais da curva, o que sugere que ainda não tenha aprendido tudo o que um campeão deve saber.

No momento devido, isso e muito mais pode ser cobrado dele, justa ou injustamente.





Difícil encontrar uma explicação minimamente coerente para a extraordinária batida de cabeça da Ferrari e Massa no treino. E, para falar a verdade, não me lembro de ter visto carros sendo reabastecidos durante a segunda bateria dos treinos.

De qualquer forma, o tal problema que o condenou a largar em 14º foi apenas um detalhe na "pior corrida" da sua vida, arrematado por uma largada chinfrim, que condenou Massa a passar a maior parte da corrida perseguindo Takuma Sato, que estava com tanto combustível no tanque quanto ele, só conseguindo ganhar a posição depois do segundo pit stop.

Não contei quantas vezes Massa perdeu o carro durante a corrida mas certamente foram bem mais vezes que Kimi, o que exige uma explicação. O brasileiro teria errado de forma tão bisonha no acerto do carro? Em busca de uma frente mais "solta", como ele gosta, teria tirado tanta asa do carro a ponto de torna-lo indirigível?

De novo, funciona como atenuante o desempenho dos Bridgestone - basta ver o padecimento de Alonso. Mas, acima de tudo, resta explicar porque Kimi sofreu menos problemas durante todo o final de semana, voltando a passar Massa na classificação do campeonato.





Como o Campeonato Brasileiro de Futebol, o Mundial deste ano pode ser definido pelo seu baixo nível técnico geral.

Não pode haver mais dúvidas de que a Ferrari tem nas mãos um carro tinhoso e problemático, que talvez esteja se ressentindo da falta de mais testes de pista, pneus de mais qualidade, uma direção inspirada como a de Michael Schumacher, além de técnicos de primeira, como Ross Brawn.

Contra um carro assim, a McLaren pena em vencer, mesmo ajudada por recursos imorais. Quanto às demais equipes, seguem sendo apenas coadjuvantes destinadas a preencher o grid, como provou hoje a pobre largada e a corrida para lá de modesta de Nick Heidfeld.





Hamilton desrespeitou ordens da McLaren nos treinos? Discutiu e xingou Ron Dennis?

Hummm! Deve ter dinheiro no meio.

O jovem inglês, retribuindo os investimentos feitos pela equipe na carreira dele, corre esta temporada quase que de graça e deve estar em meio a negociações para o ano que vem, exigindo, com todo direito, um salário milionário.

Nessas horas, um murro na mesa não faz mal a ninguém.





Alonso pensa em trocar a McLaren no ano que vem pela BMW ou pela Renault.

Hummm! O problema é o dinheiro envolvido.

Na McLaren, o espanhol ganha uns US$ 40 milhões ao ano, sem contar cláusulas contratuais que dificultariam um rompimento entre as partes.

Será que Flavio Briatore ou os alemães da BMW têm tanto dinheiro assim?





Os lances mais recentes da briga McLaren x Ferrari sinalizam para a falta de senso de limites própria da nossa época.

Desesperado em salvar a face, Ron Dennis elogia Nigel Stepney pela coragem em delatar uma ilegalidade no Ferrari no GP da Austrália. Depois, Dennis produz uma fátua defesa da McLaren (confira na carta publicada em 2/8/2007 no www.grandepremio.com.br) que faz lembrar a da Williams no caso da morte de Ayrton Senna, costurando argumentos de ocasião segundo a conveniência de quem escreve, a coerência geral pulverizada, torcida e humilhada a ponto de ser difícil até confronta-la.

E depois reclamamos do Renan Calheiros e seus bois voadores e do Lula e suas distrações aéreas, financeiras e partidárias.





Que bom que a Honda promete um carro totalmente novo para o ano que vem!

Rubinho e Jenson Button talvez já possam sonhar em disputar, com um pouco de sorte, o 10º lugar.

Boa semana a todos

Eduardo Correa
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