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Índio em férias 09.05.07


Inimputável é o nome que a Justiça dá a quem não é responsável pelos próprios atos. São inimputáveis, por exemplo, os doentes mentais ou as pessoas que possuam desenvolvimento mental incompleto ou retardado. Também o são os menores de dezoito anos e os índios.

O índio na Malásia
Não quero insinuar que Flavio Briatore padeça de retardamento mental em algum nível, a não ser que se inclua aí o senso ético, nele paralisado desde a nascença. Prefiro, antes, inclui-lo na categoria dos índios em férias, o que o coloca a salvo de represálias pela fieira de besteiras com as quais costuma assolar nossos ouvidos. A mais recente delas é a proposta de repartir os GPs em duas corridas, uma mais longa, outra mais curta, repisando a sua velha tese do grid invertido na segunda prova. A Fórmula 1 precisa de mais emoção, argumenta o silvícola.

A ventosidade expelida por Briatore soma-se a tantas outras que meu estômago perfurado pela gastrite recusa-se a colecionar, de forma que as fico devendo aos leitores.





Max Mosley é inimputável ou apenas algo sonoramente parecido?

Pois não é que o referido elemento deu profundidade à proposta de Briatore, ameaçando a Fórmula 1 com “uma revolução radical”, onde incluiu a hipótese de rachar os GPs em dois? Aí comecei a ficar preocupado. Sabe como é: uma besteira devidamente repetida pode acabar se concretizando. É o que indica a nossa experiência, principalmente na política.

Entendo que o índio e o punguista apenas refletem os interesse do malandro-chefe Bernie Ecclestone, que se guia pela lógica perversa do capitalismo contemporâneo, a mesma que exaure impiedosamente o planeta.

E que interesse poderia ser esse, a ponto de se ventilar mutilação tão cruel da categoria?

Ganância sem limites
Dinheiro, claro. Bernie quer mais, mais e mais, insatisfeito com as quantias abissais que já amealha. Por que todo capitalista precisa ser tão ganancioso assim? Por que Bernie e seus iguais são incapazes de se contentar com uma fortuna de US$ 10, 20, 30 bilhões e insistem em continuar a multiplica-las até exaurir tudo e todos? Por que não podem respeitar a natureza das coisas e render-se a elas?

O problema da Fórmula 1 não é a falta de ultrapassagens, muito menos a de “emoções” - como se o campeonato de 2007 pudesse ser ainda mais interessante. O problema é a ganância sem limites, pornográfica e implacável, que ainda vai cozer a todos nós sob os raios do Sol.





A vitória no Bahrein não contribuiu para mudar meu estado de espírito em relação às chances de Felipe Massa no campeonato. Para que volte a considera-lo favorito ao título deste ano, Massa terá de me convencer de que será capaz de entregar resultados consistentes, a salvo de erros e azares, corrida após corrida, sem falhas, sem desculpas.

Isso me parece muito difícil, além da capacidade de Massa no momento, seja pelas condições dele próprio, como homem e piloto, seja pela oposição cerrada, vinda de dentro e de fora da Ferrari.

Massa testa seu Ferrari dia 30, em Barcelona
Acho que superestimamos as qualidades e o nível de maturidade de Massa. No meu caso, confesso que deixei mais uma vez – lembram-se de Rubinho quebrando a barreira da vitória? E de Ralf? - o torcedor sobrepor-se ao comentarista. E jornalistas, quando começam a torcer, vocês já sabem no que dá…

Passadas três corridas, resta evidente que Massa ainda tem muito o que aprender, sem contar a questão da persona Nigel Massa, o que torna subjetiva a questão da maturidade já que um piloto que espelhe as qualidade e defeitos de Nigel Mansell nunca será inteiramente amadurecido, combinando sempre pilotagens inspiradas a erros grosseiros. Teremos de nos habituar a uma espécie de Risco Brasil nas pistas. Tanto podemos ter vitórias acachapantes como no Bahrein como furos constrangedores como o da Malásia.





Uma expressão do Nigel Massa em ação pode ser vista no Bahrein: o brasileiro largou com muito menos asa dianteira do que Kimi Raikonenn.

Grosso modo, quanto mais asa dianteira, mais grudada ao chão a dianteira do carro. Kimi Raikonnen quer seu Ferrari assim, reagindo ao mínimo toque ao volante. Já Massa não se incomoda com a frente um pouco mais solta. Ele confia que saberá controlar a perda de aderência inevitável na tomada das curvas, sentindo-se à vontade ao pilotar um carro menos preciso.

Mansell e o Williams com o qual conquistou o título de 92
Certamente Nigel Mansell também preferia um carro assim. Pilotos como Mansell e Massa se motivam pelo desafio de controlar um carro que nunca sabem exatamente como reagirá. O Risco Brasil se embute nesse particular pois é inevitável que pilotos assim errem mais do que aqueles que buscam a precisão absoluta na condução, como Fernando Alonso, por exemplo.





Sempre estranhei os pilotos aparecerem no pódio carregando no pulso aqueles relógios gigantes. Quem os têm sabe quão desconfortáveis podem ser, tanto mais no exíguo cockpit de um Fórmula 1.

Pois câmeras indiscretas na Malásia e Bahrein, acompanhando os pilotos nos instantes imediatos pré-pódio, tiram qualquer dúvida.

É merchandising, só merchandising.





Ico já está em Barcelona e manda de lá notícias quentíssimas logo depois do treino livre da sexta-feira! Fique ligado.

Abraços

Eduardo Correa

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