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Home » Colunas » Eduardo Correa » 11.04.07
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Também já cheirei de tudo na vida 11.04.07


Keith, incomensurável ídolo do Edu
Como meu grande, enorme, incomensurável ídolo Keith Richards, o guitarrista dos Stones, eu também já cheirei de tudo nessa vida.

Eu cheirei os vapores todos do McLaren de Emerson – gasolina, óleo, borracha -, quando ele o testava aqui em Interlagos, guardando o carro na garagem da família, em frente ao portão do autódromo.

Cheirei a gasolina detonada pelo motor Ford de Nelson Piquet, segundos depois de ele ter deixado para trás Jean Alesi e conquistado o 6o lugar no GP do Brasil de 90, o primeiro da nova era de Interlagos, num dos resultados mais galantes da sua carreira.

Eu cheirei, nariz colado na cerca interna do S, a mistura de tudo que o Williams de Ayrton Senna exalava, inclusive uma ponta de medo, nas voltas iniciais do GP do Brasil de 94, enquanto era perseguido de forma implacável por Michael Schumacher.

Cheirei isso tudo e continuo querendo mais, inclusive cair de cabeça do alto de um coqueiro, como fez Keith no ano passado, aos 60 e tanto anos de idade!





Felipe Massa não venceu mas, não sei porque, resisto em dizer que a casa caiu pro lado dele, como disse que cairia em minha coluna de 21/3/2007.

Onze pontos atrás do líder, 9 atrás do inimigo direto. A matemática não ajuda em nada ao brasileiro, que não tem o direito de falhar em nenhum prova daqui até o final do ano e contar com pelo menos um abandono de Alonso, outro de Kimi. E, convenhamos, ele não demonstrou até agora a infalibildade necessária.

O erro de Massa ceder espaço a Alonso
A verdade é que superestimamos – eu, você, a Ferrari, Jackie Stewart, Bernie Ecclestone e boa parte da imprensa mundial - a maturidade e frieza de Massa. Ele está chegando lá, mas mais devagar do que gostaríamos. Ele estava – leio em AutoSprint - nervoso na Austrália e evidentemente estava nervoso na largada na Malásia.

Massa arrancou um átimo depois do que deveria e, com isso, permitiu que Alonso descontasse cerca de meio carro que tinha de desvantagem por força do posicionamento no grid.

Mas esse foi o menor pecado do brasileiro. Lembram-se da ferocidade sanguinária com que Michael Schumacher tomava a frente dos adversários tão logo as luzes se apagavam, ferocidade que tanto me impressionava e de que tantas vezes falei aqui, chegando a cunhar a expressão “largar para o lado e não para a frente” para defini-las?



Pois faltou a Massa essa ferocidade, essa selvageria própria do esportista comprometido com a vitória acima de tudo. Claro que, ao arrancar menos bem do que Alonso, Massa perdeu o impulso natural para manter-se à frente mas, se estivesse totalmente dominado pela idéia de vencer, ele apertaria o espanhol contra o muro interno de Sepang ou manteria o seu Ferrari tão junto da borda interna da pista quanto possível, chegando à frente na Curva 1, mesmo que com a tomada comprometida. E ele não apenas não o fez como facilitou ainda mais as coisas para Alonso, abrindo uma avenida inteira para a tomada da Curva 1. Massa não teria estudado em detalhes todas as opções de que dispunha ao largar? Não considero essa hipótese crível, dado o profissionalismo da Ferrari.

Este foi o maior erro de Massa na Malásia, o único digno de reprimenda, e que só posso atribuir a um nervosismo compreensível mas que não se permite a quem, como ele, quer disputar o Mundial com máquinas mortíferas como Alonso.

Massa e Hamilton disputam a 2a posição
Chato, claro, ele ter escapado da pista na perseguição a Lewis Hamilton, mas acontece. “Ah, que saudades de Ross Brawn”, escreveu um leitor. Se estivesse por lá, Brown certamente lembraria Massa de que seria melhor engolir a própria frustração e ganhar a posição de Hamilton nos boxes, conquistando o 2o lugar e somando, nessa altura do campeonato, 11 pontos e não sete. Entendo que é difícil engolir essas coisas mas a vida é assim.

Tenho, porém, uma alternativa ao nervosismo, mas não sei se ela serve de consolo. Lembram-se de Nigel Massa? Talvez ele tenha dominado o espírito do brasileiro em Sepang. Os erros cometidos cairiam como uma luva no impetuoso Leão.





Hamilton já é autor, entre outras proezas, das duas mais belas largadas da temporada – mesmo tendo largado na Malásia com mais combustível. Notem que ele chegou a ficar inteiramente atrás de Kimi na largada mas foi capaz de recuperar a posição e sustentar – por fora! - a disputa com Massa.

Estou quase acreditando nesse moleque!



E querem uma teoria conspiratória pra amante de OVNI nenhum botar defeito? Com o motor baleado, seria Kimi fdp o bastante para facilitar a ultrapassagem de Hamilton, deixando-o em posição de brigar com Massa e, assim, jogando areia no companheiro de equipe?





Desculpem mas não entendo a lógica de se torcer contra Heikki Kovalainen, dada a possibilidade de ele abrir espaço na equipe para Nelsinho Piquet.

Ou alguém acha que ele é capaz do milagre de fazer o Renault render?





O jogo virou para a McLaren?

Kubica troca o bico do seu BMW
Cedo para dizer. Ron Dennis avisava ainda na Austrália que a equipe seria mais competitiva em Sepang – o difícil era acreditar. E não é que Alonso, com sete voltas, já acumulava oito segundos de vantagem?

É que, explicam os engenheiros, a “cara no vento” faz uma enorme diferença, inclusive no desempenho dos pneus.





Pouca gente comentou mas os BMW se tocaram na Curva 1, a asa dianteira de Robert Kubica com o pneu traseiro do carro de Heidfeld que, por pouco, não rodou.







E, vem cá: vocês não acreditaram na história de que Keith Richards cheirou as cinzas do próprio pai misturadas à cocaína, acreditaram?

Pura gozação do Keith. Seria ele o Nelson Piquet do rock? Ou seria Nelson o Keith da Fórmula 1? Na dúvida, fico com os dois e recomendo a audição de You Got the Silver, de Let It Bleed, ou Thief in the Night, do mais recente Bridges to Babylon.

Mesmo correndo o risco de ser preso, ofereço os arquivos em mp3 aos amigos que dirigirem algumas palavras a este velho roqueiro.

Abraços

Eduardo Correa

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