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| » » » 16.03.07 |
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O vermelho-sangue dos Ferrari, o prata, vermelho e negro dos McLaren, o multicolorido dos demais carros saltitam sobre as irregularidades da pista australiana diante dos meus olhos – por que mentir para os amigos? - embaciados.
Acabou a espera, afinal de contas, e esse é um bom motivo para se emocionar, não importa o regulamento esdrúxulo de motores, prenúncio de algo muito pior. Também não é hora de catar migalhas em busca de favoritos e não-favoritos. Melhor se deixar levar pela doce embriaguez das mãos enluvadas sobre volantes nervosos, os penachos de fumaça que se desprendem dos pneus, o andar impune sobre o fio da navalha, a expectativa de ter um brasileiro disputando o título, o que traz de volta emoções há muito esquecidas.
E viva o monopólio de pneus, uma das expressões da marcha da Fórmula 1 rumo ao espetáculo.
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| Massa confirma a boa forma e é o mais rápido nos treinos de sexta |
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Sabendo que vai ganhar todos os GPs de 2007, a Bridgestone deixou a excelência técnica de lado e ofereceu às equipes pneus excepcionalmente conservadores. Isso obrigou os pilotos a mudarem a sua forma de pilotar e os engenheiros a buscarem desesperadamente mais pressão aerodinâmica sobre a dianteira do carro, de forma a garantir a dirigibilidade, principalmente nas curvas de baixa velocidade. Muitas equipes, Renault e Honda, por exemplo, ainda sofrem para adaptar os seus projetos
Nos testes do final do ano passado, em Jerez, os tempos de volta subiram três segundos. Já nos testes do Bahrein, final de fevereiro, começo de março, Felipe Massa conseguiu baixar o tempo da pole de 2006 em quase um segundo e meio. Nos treinos desta sexta, em Melbourne, Massa obteve a melhor volta cerca de dois segundos acima da pole do ano passado mas certamente essa diferença deve cair nos treinos na madrugada de sábado.
A sensação da pré-temporada, do ponto de vista técnico, foi a aposta da Ferrari num carro com a distância entre eixos 8,5 cm maior do que o do carro do ano passado. Os valores do entre eixos pareciam congelados, os engenheiros tendo chegado a uma distância considerada ideal. Quando o novo Ferrari foi revelado, a oposição se perguntou se a equipe italiana tinha cometido um monumental erro de projeto ou se sabia de algo sobre os pneus Bridgestone que ninguém mais sabia.
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| Ralf está no fim do pelotão |
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Num primeiro momento, a aposta da Ferrari pareceu perdedora, Massa batendo o novo modelo por aparentes problemas de dirigibilidade, o que era, de fato, esperado em pistas curtas como Vallelunga, Valência e Jerez.
Nos testes seguintes, em Barcelona, o Ferrari andou melhor mas os McLaren demonstraram alguma superioridade, sugerindo até estarem escondendo o jogo. Tudo mudou, porém, quando as equipes chegaram ao Bahrein.
Lá, a Ferrari estreou um novo pacote aerodinâmico e conseguiu impor aos adversários uma vantagem em torno de meio segundo, tanto em condições de treino quanto de corrida – uma vantagem, por sinal, que se repetiu nos primeiros treinos da Austrália -, enquanto a McLaren acusava problemas de aderência nas saídas de curva, principalmente quando o carro está equipado com pneus mais duros.
Fernando Alonso demorou-se em destacar o favoritismo da Ferrari, mencionando não só as qualidades da equipe italiana como a necessidade de melhorar o McLaren. Tudo indica que estava sendo sincero.
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| Rubinho teve um mau dia em Melbourne |
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Restam, porém, alguns receios sobre a resistência dos motores Ferrari sob calor, causa provável da quebra de dois deles em Jerez, na primeira semana de fevereiro. No Bahrein, problemas de aquecimento voltaram a incomodar mas não foram considerados sérios o bastante para limar o favoritismo, nessa altura unânime, da equipe.
Os sinais emitidos pelo novo Renault são assustadores, derivados da total falta de química com os pneus Bridgestone e da imposição do teto de 19 mil giros aos motores, o que teria prejudicado, inclusive, aquelas largadas relâmpago.
Para compensar a baixa aderência, os engenheiros são obrigados a trabalhar com ângulos de asa dianteira muito pronunciados, o que reduz a velocidade do carro.
Essas considerações em torno da McLaren e Renault, a total falta de sinais positivos de parte da Toyota e Honda (que, com graves problemas de aerodinâmica, promete um carro totalmente revisto para o GP da Malásia), mais a extravagância de uma aposta na BMW, não deixa espaço para outro favorito que não a equipe Ferrari. Mas quem? Massa ou Kimi Raikonnen?
Tenho me questionado se não exagerei ao proclamar, em outubro passado, Massa como forte favorito ao título deste ano.
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| Alonso, o 7o nos treinos de sexta feira |
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O entusiasmo pela vitória do brasileiro em Interlagos me fez esquecer fatos relevantes: Massa dispunha de um motor mais potente, desenvolvido pela Ferrari para as corridas finais com um olho no título 2006 e outro no tal congelamento no desenvolvimento de motores a partir desta temporada.
Considero, ainda, não ter sublinhado devidamente o fato de a Renault e Alonso não terem vindo a Interlagos para vencer a corrida, apenas para termina-la. Assim, a oposição real a Massa resumia-se a Michael Schumacher, que acabou tropeçando sozinho.
É verdade que Massa cumpriu uma “temporada de inverno” quase impecável, batendo Kimi na maioria das vezes, mostrando-se maduro e muito afinado com a equipe. Mas, sabemos todos, treino é treino, corrida é corrida.
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| Fisichella marcou o 4o melhor tempo nos treinos desta sexta |
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Kimi, dizem, preocupou-se mais em acumular quilômetros do que derrubar o cronômetro. Seria inteligente se ele transferisse o máximo de pressão para Massa neste começo de temporada. O finlandês, porém, é notório pela cabeça fresca e a ausência de movimentos políticos e não me consta que tenha feito algum em relação, por exemplo, a Juan Pablo Montoya. Kimi quer mesmo é pisar fundo. Assim, parece pouco provável que tenha definido uma linha política de comportamento em relação a Massa, a quem pouco dirige a palavra, enquanto o brasileiro o vigia de longe, atento a todos os detalhes, como se quisesse ter a certeza de que não está deixando escapar nada.
Em condições normais de corrida, Massa não parece tão rápido quanto Kimi num dia bom.
Mas quando Kimi terá um dia bom? Quando não abusará do carro? Teria ele se tornado um piloto melhor em sua passagem para a Ferrari? Saberá ele preservar a sua inegável velocidade judiando menos do carro? Mario Illien, o pai dos motores Mercedes, confirma minha impressão sobre Kimi. “A Ferrari terá de construir um tanque de guerra se quiser ser campeã como o finlandês“, disse Illien. “Ninguém dirige de forma tão dura, ninguém joga o carro com tanta força na zebra volta após volta”.
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| Kimi, o 2o mais rápido na Austrália |
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O favoritismo de Massa, na Austrália e no Mundial, começa aí e termina na autocontenção que ele tem se esmerado em demonstrar.
Uma boa temporada a todos
Eduardo Correa
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