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| » » » 27.11.06 |
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Como Dinho Leme, baterista do Mutantes e um dos editores do AutoMotor Esporte, sou um velho roqueiro. Todas ou quase todas as minhas colunas para o GPTotal são escritas ao som de rock: Stones, Who, Hendrix, Zeppelin, Clash, Living Colour, Green Day e Foo Fighters para os dias mais agitados, Dylan, Beatles, Yes, Prince, U2, Oásis e Coldplay para os mais tranqüilos.
Comparar música e F1, portanto, é algo natural pra mim e aqui vão algumas, ao som de Quadrophenia, do The Who.
Juan Manuel Fangio seria um barítono wagneriano, um Wotan vestindo couraça e chapéu com chifres. Seus 100 e tantos quilos, no entanto, soariam suaves pois Fangio, antes de tudo, sabia tratar os carros com o carinho que se deve dispensar a uma mulher.
Jim Clark está para a Fórmula 1 como Fred Astaire está para a música. O arzinho finório, o sorriso permanente, a pequena estatura, tudo liga um ao outro. A sensibilidade, a delicadeza, o refinamento no trato das respectivas artes é outro traço em comum. Falta uma Ginger Rogers a Clark. Talvez sirva Graham Hill - uma Ginger de bigodes, portanto. Um grande piloto, não tão grande quanto Clark, mas certamente mais aberto aos prazeres da vida. Enquanto Clark apascentava ovelhas em sua propriedade na Escócia, Hill se esbaldava em noitadas pós-corrida, em bares próximos aos autódromos.
De Jackie Stewart e Emerson Fittipaldi, imagina-se roqueiros dos anos 60, num tempo em que o gênero era algo meramente tolerado por pais, professores e polícia, onde a inocência ainda imperava e o consumo de maconha se dava às escondidas, a fumaça abanada freneticamente com as mãos.
Niki Lauda seria um ídolo pop, talvez como Mick Jagger, que começa montado num talento nato excepcional, refinado por horas de dedicação mas que, num certo momento da carreira, percebe o tamanho do jogo em que está metido e, então, começa a piscar os olhinhos de forma desavergonhada para os altos escalões.
Não é mais um piloto - ou um cantor, como queriam - mas um protagonista, uma prima-dona, que exige o foco de todos os holofotes e dedica-se a arrancar tudo o que a indústria pode lhe dar. Lauda é um precoce nesse métier, a ponto de ter chocado Enzo Ferrari que, ao cabo de uma negociação de salário especialmente dura, chamou-o de "hebreu". Lauda engoliu a raiva e a vontade de virar o prato de spaghetti (a reunião se dava em um restaurante) na cara de Enzo. Embolsou o dinheiro - era a primeira vez que um piloto conseguia um contrato de mais de um milhão de dólares -, deu mais um título mundial à Ferrari e, a seguir, deixou a equipe, batendo-lhe a porta na cara.
Depois de Lauda, tudo se mecaniza, conforme o gosto do cantor e a evolução da atividade. O grau dramático declina gradativamente, na medida em que a indústria faz centenas de engenheiros afinar os instrumentos, que computadores escrutinam ininterruptamente as escalas harmônicas em busca dos ritmos mais eficientes, e que os protagonistas adquirem mais e mais ensaio e domínio de cena.
Neste sentido, Alain Prost e Ayrton Senna são apenas passos no avanço que levará a Michael Schumacher, o músico-piloto quase infalível, todo um compêndio de recursos em prol da vitória sem sustos, sem emoções, de ponta a ponta. O show perfeito, sem riscos, sem erro, sem surpresas. Fernando Alonso segue no mesmo caminho e pode, inclusive, superar Schumacher.
Há, sempre haverá, graças a Deus, os dissidentes, os Tom Zé, os Raulzito Beleza, aqueles que alternam flertes como stabilishment e períodos fora do ar, embalados pelo gosto pelas bordas do sistema ou pela simples preguiça.
Neste caso, enquadra-se Nelson Piquet. Saído do fundo da garagem, nunca se esqueceu da graça que era encher ele próprio uma Kombi emprestada com os instrumentos musicais e cair na estrada, a doce esbórnia da falta de responsabilidade, apenas o prazer de ser livre. O talento excepcional fazia a diferença e o que poderia ter sido um desperdício pecaminoso de talento transformou-se numa carreira de muito sucesso sem muito stress.
Adoro listas de melhores isso-e-aquilo e estou, claro, curtindo a proposta iniciada pelo leitor Adalberto Salomão Mitne dos dez melhores pilotos brasileiros na F1. Aí vai a minha:
Senna
Piquet
Emerson
Helinho
Gil
Wilsinho
Alex
Ingo
Chico Landi
Luizinho Pereira Bueno
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| Wilsinho com Brabham em Mônaco 73 |
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Ok! Helinho e Gil não foram pilotos de Fórmula 1. Mas não precisam ser para entrar na lista. Wilsinho entra por Mônaco 73 e pela coragem de encarar o projeto Copersucar. Já a menção a Luizinho e uma sincera homenagem ao primeiro piloto que vi vencer na minha vida.
Boa semana a todos
Eduardo Correa
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