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Home » Colunas » Eduardo Correa » 22.10.06
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Magnífica 22.10.06
Vi a história se fazer diante dos meus olhos, poucas horas atrás, em Interlagos.

Fiquei com uma ligeira dor de cabeça. Cerveja e ruído de motores. Ou talvez tenha sido a história. Em qualquer caso, sobra a constatação de que já não sou o mesmo.





Comecemos pela vitória de Felipe Massa. Dela, de tão categórica, é difícil dizer algo além do óbvio.


Massa foi perfeito, maduro e tranqüilo, sabendo conter qualquer ansiedade pela responsabilidade de largar na pole no Brasil, tendo em mãos o melhor carro e sem um companheiro de equipe capaz de vence-lo por perto.

Foi uma vitória em tudo parecida à de Nelson Piquet em Long Beach 80, a primeira dele na Fórmula 1: superioridade absoluta de meios e uma condução serena, sem erros, abrindo quase um segundo por volta dos adversários.

Se na Turquia Massa venceu correndo sob a pressão de Schumacher e Fernando Alonso, distantes dele apenas uns poucos segundos, em Interlagos, ele soube construir o seu limite, sem qualquer referência que não a própria sensibilidade. A integração visivelmente boa com a equipe Ferrari e o fato de ter de conviver no próximo ano com um companheiro que não está em boa fase tornam possível a Massa e a nós outros sonhar com vitórias que pareciam perdidas nos ventos da memória, tanto mais pela impressionante superioridade da Ferrari hoje em Interlagos.

Faz pensar que se a McLaren não construir um carro muito bom para Alonso e se Heikki Kovalanein não for um superdotado, Massa talvez seja o maior favorito ao título de 2007.





Miguelzinho Paz & Amor encerra a carreira de bem com a vida, depois de uma corrida excepcional, que ele poderia ter vencido, caso largasse da primeira fila, propondo-se mais um recorde: o de vitória na última corrida da carreira, coisa que, creio eu, nenhum piloto fez.

A emoção da despedida fez com que toda a fúria, todo o amoralismo do alemão ao longo da carreira se transformasse em candura, chegando mesmo a confessar dias antes que se arrependeu de ter feito o que fez em 94 e 97. E nós, movidos por sentimentos cristãos, perdoamos e aplaudimos a extraordinária carreira de Schumacher.

O tempo tudo cura, dizia a minha avó. Será que Lula não sabia de nada? Será que Schumacher é sincero em seu arrependimento ou assistimos a apenas mais uma manobra ardilosa do alemão, tentando polir ainda mais a biografia?





E foi mesmo uma corrida repleta de méritos a de Schumacher. Não conseguiu ganhar posições na largada mas o fez na Curva do Lago, depois de uma bela manobra, onde reposicionou seu Ferrari enquanto percorria a Reta Oposta, antevendo a confusão em que se meteriam os dois BMWs.

Muitos outros momentos de brilho se seguiram, tudo coroado pela ultrapassagem sobre Raikonnen nas voltas finais, uma manobra quase tão bela quanto a que Juan Pablo Montoya impingiu a Schumacher no GP de 2001 (veja o vídeo em nosso Especial sobre os GPs do Brasil).

Ficamos aguardando, porém, uma explicação para o que aconteceu por duas vezes com o Ferrari do alemão, que ficou momentaneamente sem tração na tangência do Pinheirinho, uma quando havia acabado de ultrapassar Robert Kubica, outra quando perseguia Fisichella.





Corridas magníficas também as de Jenson Button, com uma recuperação quase inacreditável, e a de Alonso, mantendo-se firme dentro do objetivo de concluir a corrida nos pontos.

Já não se pode dizer o mesmo de Giancarlo Fisichella, humilhado por Schumacher, e de Rubinho.

Interlagos foi especialmente amargo para o brasileiro, que teve de engolir o resultado de Button e purgar ultrapassagens desagradabilíssimas que lhe foram impostas por Fisichella no começo da prova e, bem mais tarde, por Schumacher.

Também a vitória de Massa não pode ter descido bem pela garganta de Rubinho, por mais que ele disfarce. Afinal, tudo indica que ele só não estava no Ferrari porque não quis.





Williams e Toyota encerraram a temporada por baixo.

No caso da equipe inglesa, a fraqueza geral de carro e motor foi reforçada pela imprudência de Nico Rosberg que, primeiro, colheu a traseira do carro de Mark Webber na Curva do Lago, acabando com a corrida do companheiro e perdendo a própria asa dianteira.

Impaciente para trocar o bico, Rosberg acelerou demais na Curva do Café - de novo ela a sediar um acidente violento em Interlagos - e foi direto no muro.

Sobram elogios, porém, para a corrida da Super Aguri, com Takuma Sato andando a maior parte da corrida em 10o.





Nunca fui particularmente sensível ao ronco dos motores. Não que não goste mas bato mesa na hora de diferenciar um V10 de um V12. Por isso mesmo, desta vez prestei mais atenção ao que ouvi. Aí vão as minhas impressões, colhidas ao longo do treino de sábado:

Honda: som muito agudo, muito alto, o mais alto de todos.

Ferrari: um som atrapalhado, cheio de angustia e sem harmonia, como se o motor estivesse prestes a se desintegrar.

Renault: som comparativamente baixo, pouco intimidador, como se os gases quentes não encontrassem espaço para escapar. Resultado: não parece que ouvimos um motor a explosão.

Mercedes: o som mais grave de todos. Não transmite a sensação de potência.

Cosworth: acento mais para o grave e muito alto, quase tanto quanto o Honda.

BMW e Toyota: não achei traços particulares nos sons destes motores.





Convidado pelo www.jornaldedebates.com.br, emiti a minha opinião sobre um tema que sempre tangenciei aqui no GPTotal: qual o melhor piloto de todos os tempos.





Na próxima sexta-feira, voltaremos a publicar "O Melhor e o Pior da temporada". Aguardamos pelos votos dos leitores.

Boa semana a todos


Eduardo Correa
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