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| » » » 01.10.06 |
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Enquanto escrevo, vota-se. Enquanto tento, desanimado da vida, juntar idéias e fatos sobre o recém-encerrado GP da China, escolhe-se o presidente do Brasil. Meu entusiasmo de eleições passadas, a sede de democracia mitigada por aqueles segundos na cabine de votação, se esvaiu. A esperança de lisura, compromisso, honestidade e outras besteiras se desmanchou no ar.
Sobrou apenas a constatação de impotência diante de algo que nos supera, nos contorna, que resiste e se enraíza, tornando qualquer avanço lento demais, caro demais, só possível depois de muitos e penosos retrocessos.
Dos muros líquidos erguidos na imensidão das retas chinesas, emergem carros de cores baças que vão se tornando mais nítidas na medida em que avançam, a aderência por um fio. É belo correr em condições difíceis, em meio a todas as incertezas de uma pista alagada. Mas nem isso me serve de consolo nesta madrugada fria. Talvez fosse melhor estar dormindo, dormindo profundamente.
Michael Schumacher fez uma corrida exemplar. Soube conter suas forças quando pouco podia fazer, acelerou na hora certa, manteve-se longe dos erros, o entusiasmo juvenil explodindo depois da vitória.
Ele sofrerá no ano que vem para se manter longe das pistas.
Que Fernando Alonso passa por um mau momento na carreira não se discute. Sete corridas sem vencer, 32 pontos somados na segunda metade do campeonato ante cinco vitórias de Schumacher, que ganhou 57 pontos.
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| Começo de prova, Alonso à frente |
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A larga superioridade do espanhol no GP da China perdeu-se por um equívoco banal na escolha dos pneus, reforçado por outro problema bobo no segundo pitstop.
Não se deve falar em erros ou azares. Esses e outros acontecimentos são, antes, parte da provação a que se submete um jovem campeão como Alonso, como que para confirmar a sua superioridade, algo já visto na carreira de tantos outros campeões e que o espanhol vem enfrentando com galhardia.
Considerando que estas fases não costumam durar muito e dado que a Renault e a Michelin parecem ter neutralizado a superioridade sobre a Ferrari, Alonso chega, em minha opinião, às duas corridas finais com melhores chances de superar Schumacher.
Em qualquer caso, serão corridas em altíssima voltagem, um choque entre o Velho e o Novo como poucas vezes se viu na Fórmula 1.
Nota 10 para a largada de Kimi Raikonnen, inventiva e ousada, elegendo uma trajetória exótica, tanto mais pelo estado da pista e pneus, exigindo controle total do carro - controle que o finlandês perdeu por um átimo mas conseguiu retomar com um tranco no volante.
De Rubinho, pode-se dizer, com adaptações, o que já se disse da seleção espanhola de futebol: treinou como nunca, errou como sempre.
O feito do brasileiro nas condições difíceis do treino na China é realmente notável mas a sua corrida foi uma sucessão de erros, a começar pela largada, mal planejada e medrosa, devidamente punida pela perda das posições para Kimi e Jenson Button, e culminando com a batida bisonha em Nick Heidfeld na volta final.
De Rubinho também se pode dizer, como da família real francesa, que nada aprendeu e nada esqueceu. Digo isso em função das suas patranhas pré-largada sobre Michael Schumacher. "Que venha!", disse Rubinho quando questionado sobre o fato de estar à frente do alemão no grid.
Como se viu, pouco custou a Schumacher ganhar a posição.
E é impossível não notar a difícil convivência de Rubinho com a verdade, sempre negando os fatos e achando que o público acreditará nas suas declarações lamentatórias, invariavelmente começando com um "foi uma pena...".
Talvez ele esteja vendo noticiário político brasileiro demais.
Não sei se se pode esperar de Giancarlo Fisichella tudo o que se atribuiu a ele na largada, segurando o pelotão em prol da escapada de Fernando Alonso.
Mais provável que tenha sido apenas a velha limitação do italiano.
Que Robert Kubitca (é assim que se pronuncia? Talvez Galvão Bueno ainda não tenha explicado o suficiente...) tope aventuras semi-suicidas nas pistas, compreende-se. Afinal, ele é jovem e entusiasmado, está aprendendo rápido e encontra-se justificadamente deslumbrado com o que conseguiu até agora.
Mas que a equipe, que não é nem jovem tampouco entusiasmada, permita tais aventuras, como a colocação de pneus para seco quando a pista ainda estava muito molhada, só se pode lamentar.
Felipe Massa parece responder bem a condições adversas e isso é uma boa notícia. Com o carro pesado, fez muitas ultrapassagens no terço inicial da corrida, depois caindo de rendimento quando a pista começou a secar.
Massa foi imprudente na batida em David Coulthard mas creio que este pecado pode-lhe ser perdoado em função da honestidade dos seus propósitos.
Mike Gascoyne está de volta à Fórmula 1, como diretor da Spyker.
Bem feito pra ele, bem feito pra equipe.
A trajetória do empolado inglês que atrasou a vida da Toyota e a de Cristiano da Matta, parece seguir a trilha de outro inglês, igualmente empolado, John Barnard, que vi em Interlagos, já em sua fase descendente, acocorado nos boxes da Arrows, catando engrenagens em uma bandeja cheia de óleo.
Boa semana a todos
Eduardo Correa
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