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| » » » 26.06.06 |
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Tentando tanto quanto o possível torrar a paciência do leitor com paralelos futebolísticos, vamos nós para o GP do Canadá, uma corrida tão entediante quanto o jogo entre Equador e Inglaterra, encerrado minutos antes e que, graças aos deuses do futebol, não teve prorrogação.
Digo entediante não tanto pelo desenrolar da prova - corridas em Montreal sempre são belas - mas pela certeza reafirmada da incapacidade geral de McLaren, Ferrari & Cia em conter a arrancada de Fernando Alonso e da Renault rumo ao bicampeonato. Nove corridas, seis vitórias, três segundos lugares, nenhuma bola fora. Aproveitamento de 93,3% dos pontos, creio eu que um recorde absoluto na primeira metade do campeonato, muito superior aos 85% de aproveitamento de Nigel Mansell em 92, 80% de Jim Clark em 65 e 71% de Senna em 91, se é que não esqueci de ninguém. (Verdade que Clark não competiu na segunda corrida de 65 pois estava ocupado vencendo as 500 Milhas de Indianápolis.)
A cada treino, a cada volta, o espanhol e sua equipe mostram-se quase que infalíveis enquanto os adversários batem cabeça de todas as maneiras possíveis e imagináveis, Kimi Raikonenn à frente, incapaz agora de conter Michael Schumacher, a despeito de ter um carro melhor.
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| Alonso seguido por Kimi, no começo da prova |
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Pobre Kimi! Ele segue tropeçando de erro em erro, de azar em azar.
Quando não é ele, é a equipe e quando não é ele nem a equipe, inventa-se uma terceira alternativa. Reafirmo o que disse colunas atrás, irritando tantos leitores, de que erros, azares e raios não caem tantas vezes no mesmo lugar sem motivo: Kimi ainda erra muito e atrai erros e azares.
Da mesma maneira que tudo dá errado para Kimi, tudo dá certo para Alonso ou, quando erra, erra menos do que os adversários.
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| Trulli e o Toyota, surpresas do Canadá |
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Hoje, ele foi ajudado até pelo surpreendente desempenho do Toyota de Jarno Trulli, o que tornou impossível para a Ferrari e Schumacher colocarem em prática uma eventual tática de um único pit stop. Provavelmente não daria certo mas sempre era uma tentativa de surpreender Alonso.
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| Montoya e Nico em uma disputa crua |
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Nico Rosberg e Juan Pablo Montoya protagonizaram uma eletrizante disputa de posição naquela primeira curva de Montreal, ao final da primeira volta, ambos mergulhando nela em trajetórias e velocidades lindamente temerárias.
Pena que já nas curvas seguintes a irascibilidade de ambos tenha levado a uma vã tentativa de fazer dois corpos ocuparem o mesmo espaço ao mesmo tempo, o que mandou Nico para o muro e Montoya para os boxes, em busca de um novo bico.
Nestes tempos de tanta cautela e caldo de galinha, é bom ver disputas cruas deste tipo, mesmo que tão breves.
Metade de campeonato completada, muitas bolhas de esperança desfeitas no ar.
A Ferrari, a Bridgestone e Michael Schumacher não conseguiram neutralizar a superioridade de Alonso e da Renault, tampouco a McLaren Mercedes. Toyota, Williams e BMW seguem na mediocridade de sempre, o mesmo valendo para o resto do grid, o que inclui aquela equipe das abreviações com seus motores Ferrari.
Igualmente medíocre o desempenho de Giancarlo Fisichella mas resisto a colocar Montoya no mesmo balaio.
Treze pontos atrás de Kimi, não se discute que o desempenho de Montoya seja uma decepção para quem o queria sucessor presuntivo de Schumacher mas, considerando que o colombiano já havia abandonado desde o ano passado as ilusões de grandeza, a ponto de conceber agora a hipótese de retornar às corridas nos Estados Unidos, até que ele não vai mal, sendo capaz de boas colocações.
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| Montoya e Schumi disputam posição logo depois da largada |
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Estivesse Montoya um pouco menos desmotivado - no que tem contribuído a gestão da McLaren - e ele podia, talvez, desafiar Kimi na luta pelo 3o lugar no campeonato. Quem sabe nas próximas corridas...
Mas a maior decepção da temporada, indiscutivelmente, é a equipe Honda, devidamente comemorada com mais um péssimo GP, principalmente de Rubinho, que ficou para trás já na largada, tendo pagado o preço de uma trajetória cautelosa, arrematando tudo por problemas que ele sequer soube explicar.
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| Button e a grande decepção de 2006 |
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Assim, acabou-se até o pobre consolo de provas anteriores, de classificar-se à frente de Jenson Button que desta vez, ao menos, conseguiu arrastar-se até o final. Se perdeu, assim, o argumento tão propalado por Galvão Bueno que, no momento, encontra-se ocupado exaltando desempenhos igualmente pobres de centro-avantes fora de forma...
Felipe Massa está gastando rápido os créditos que acumulou no começo da temporada - não muitos mas inegavelmente créditos.
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| Villeneuve, de novo sem pontuar em casa |
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Nas últimas corridas, seus dotes de velocidade espetacular parecem ter desaparecido, restando apenas uma certa vocação para terminar as corridas em posições intermediárias e obedecer as ordens de equipe. É pouco para uma promessa tão latente, tanto mais num momento em que a Ferrari pensa muito sobre o que quer da vida.
Boa semana a todos
Eduardo Correa
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