<% strBraco = "Colunas" strSub = "Eduardo" strDoc = "20060605" strData = "05.06.06" strNome = "Eduardo Correa" %> ..:: GP TOTAL ::..
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O pior dos erros I <%=strData%>
Já escrevi aqui algumas vezes sobre os erros cometidos nas pistas, por pilotos e engenheiros. Hoje, quero tratar daquele que foi, certamente, o pior erro jamais cometido no automobilismo esportivo e também aquele que cobrou o maior preço: o acidente nas 24 Horas de Le Mans de 55 provocado por Mike Hawthorn, que se tornaria campeão da Fórmula 1 três anos mais tarde.

<% camimg = "Img/20060605/06.jpg" titimg = "Os boxes, antes da largada" %> Nas vésperas da corrida, tudo fazia prever um tríplice e sensacional embate entre Jaguar, Ferrari e Mercedes, animada pela extraordinária vitória, semanas antes, nas Mil Milhas italianas.

A Mercedes levou para Le Mans três carros modelo 300SLR, que incorporavam avanços tecnológicos que as demais equipes sequer sonhavam. Um deles seria pilotado por Juan Manuel Fangio e Stirling Moss, o que seria o mesmo que juntar num mesmo carro, hoje, Michael Schumacher e Fernando Alonso.

<% camimg = "Img/20060605/07.jpg" titimg = "Pierre Levegh (1905 - 1955)" %> Outro Mercedes foi inscrito para a dupla John Fitch e Pierre Levegh, este um francês de 50 anos de idade, dono de um feito memorável em Le Mans: em 1952, ele conduziu seu Talbot por 22 horas seguidas, recusando-se terminantemente a passar o carro ao co-piloto - e estava em 1o lugar quando o motor do carro quebrou.

A corrida começou no sábado, 11 de junho, às 16h, sob céu azul. Uma multidão estava presente, separada da pista por não mais do que grades de madeira e pequenos montes de terra.

A largada foi dada no estilo tradicional de Le Mans: carros desligados e estacionados em 45 graus do lado interno da pista, com os pilotos do outro lado. Dada a bandeirada, os pilotos atravessam a pista correndo, saltam para dentro dos carros, dão a partida e arrancam.

<% camimg = "Img/20060605/01.jpg" titimg = "A largada" %> Fangio, ao pular para dentro do seu 300SLR, enfiou a perna da calça no câmbio! Até se desvencilhar, perdeu muitas posições. Eugenio Castellotti, com Ferrari, liderou as 15 primeiras voltas, seguido por Mike Hawthorn com um Jaguar D-Type. Fangio passou na primeira volta em 14º mas estava reduzindo a desvantagem para os líderes de forma brutal. A pole havia sido marcada por Castellotti com 4m14; Fangio fez várias voltas em 4m10 de forma que, na volta 12, ele já corria em 2º lugar. Na altura da volta 28, os líderes marcavam tempos em torno de 4m6

<% camimg = "Img/20060605/02.jpg" titimg = "Começo da prova Castellotti à frente de Hawthorn e Fangio" %> Algumas voltas mais tarde, Fangio e Hawthorn passam Castellotti, os três voando pela pista a uma média de 200 km/h, chegando a 300 km/h na grande reta Hunaudières, como se fosse um GP e não uma corrida de 24 horas.

Hawthorn estava pisando tudo, sem deixar nenhuma reserva. Ele contou, depois, que estava determinado a impedir a vitória da Mercedes. “Maldição. Por que um carro alemão deve vencer um carro inglês”, pensava. Talvez as feridas da II Guerra ainda não estivessem de todo cicatrizadas.

<% camimg = "Img/20060605/03.jpg" titimg = "Fangio persegue Hawthorn" %> O acidente aconteceu na volta 34, com pouco mais de duas horas de prova e dia claro, portanto. Hawthorn estava na liderança e se aproximava dos boxes para seu primeiro pitstop. Naquele tempo, chegava-se à reta dos boxes sem que fosse necessário passar pela chicane que se vê hoje.

Vinha-se por uma reta que dobrava à direita em direção aos boxes, numa curva de uns 30 graus, que certamente os pilotos tomavam com aceleração plena. Detalhe: não havia muro dos boxes. Pista e boxes eram separados apenas por uma faixa pintada no chão, como na absoluta maioria dos autódromos daquela época.

<% camimg = "Img/20060605/05.jpg" titimg = "O Jaguar de Hawthorn" %> Querendo perder o menor tempo possível, Hawthorn trouxe o seu Jaguar do lado esquerdo da pista para a direita no último momento possível, menos de 100 metros antes da entrada para os boxes - e então freou violentamente.

Nesta manobra, ele ultrapassou o Austin-Healey do inglês Lance Macklin, já cinco voltas atrás e que, vendo a aproximação dos líderes, levou seu carro prudentemente para a direita. Mas, com a manobra de Hawthorn e a súbita redução de velocidade do Jaguar, equipado com poderosos freios a disco, apenas uns dez metros à frente, Macklin percebeu de imediato que não conseguiria evitar a colisão com a traseira do Jaguar.

Assim, sem sinalizar com as mãos ou com a lanterna traseira, ele cravou o pé no freio, suas rodas travando brevemente, e não teve alternativa que não voltar para o centro da pista, num trecho que não comportava muito mais do que três carros lado a lado.

<% camimg = "Img/20060605/04.jpg" titimg = "Levegh aciona o freio aerodinâmico do seu Mercedes" %> Neste momento, dois Mercedes se aproximavam a 260 km/h: o de Levegh, que estava tomando uma volta dos líderes, e o de Fangio, que certamente passaria o companheiro de equipe diante dos boxes.

A tragédia ia começar.

(conclui na próxima quarta-feira)

Eduardo Correa


>>>Veja a continuação desta história
>>>Veja o filme o filme do acidente em Le Mans 55
>>>Mais sobre Le Mans em nosso especial.

As fotos deste artigo foram retiradas do site www.crasherama.dk/lemans55-1.html

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