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Em meio à guerra civil 14.05.06
A guerra civil na sociedade brasileira existe já há muitos anos, nós é que nos acostumamos a olhar para o outro lado.

Ela foi construída meticulosamente, tijolo a tijolo, por todos, políticos e gente honesta, bandidos e polícia, ricos e pobres. Pode-se dizer mesmo que esta é a maior obra nacional do Século XX.

Neste final de semana, em São Paulo, a guerra civil tornou-se um pouco mais explícita, a ponto de invadir o nosso sacrossanto espaço de modernidade, o momento em que nos sentimos em sintonia com o Primeiro Mundo.

A invasão, porém, foi rápida, quase polida. Apenas alguns números anônimos. Olhamos para o outro lado e rapidamente tudo passou.

Perdoem a digressão. Nem todo mundo consegue manter a frieza, como o fazem Fernando Alonso e Michael Schumacher.




Comemorando um segundo lugar?
Mas a vida continua e, no GP da Espanha, a Renault devolve Nurburgring, enchendo de água o chopp da Ferrari, Schumacher tendo sorte em conseguir o 2º lugar graças à incompetência de Giancarlo Fisichella.

Alonso sorri de novo e se fixa como inimigo número 1 dos recordes de Schumacher. Em edição recente, a revista Autosprint tabulou os resultados de grandes campeões aos 25 anos de idade; Alonso encabeça quase todo o ranking.

Comparando a sua carreira até agora à de Stirling Moss, Jim Clark, Emerson Fittipaldi, Niki Lauda, Ayrton Senna e Schumacher, Alonso já conta mais GPs disputado, pontos, vitórias e poles - nestes dois itens, empatado com o alemão.

Resta-lhe igualar e superar as marcas de pódios (29 a 28 em favor de Schumacher), estando muito atrás em voltas mais rápidas (15 a 4 em favor, de novo, de Schumacher). Detalhe: Alonso só completa 25 anos em 19 de julho.

Um jovem, um futuro de recordes.
Para se ter uma idéia da força do espanhol, aos 25 anos, Senna e Lauda contavam duas vitórias em GP, Clark nenhuma e Jackie Stewart sequer havia estreado na Fórmula 1. Alonso, considerando o GP da Espanha, já tem 11 vitórias. Em pontos, ele tem 293 ante 219 de Schumacher e 51 de Senna.

Em prol da graça do campeonato de 2007, é bom torcer para que a mediocridade continue imperando entre os engenheiros da McLaren já que, com um carro bom nas mãos ninguém, nem Schumacher, é capaz de pegar Alonso.




Se o clima pré-Copa convida ao ufanismo, que se elogie aquilo que deve ser elogiado, olhando-se para o lado quanto ao resto.

Por isso, fica aqui o registro do belíssimo treino de Rubinho, conseguindo o 5º lugar no grid, mesmo tendo a sua volta rápida com o carro consideravelmente mais pesado do que quem o precedeu nos treinos.

E que louca esta informação de que Rubinho chegou sem gasolina aos boxes no 1º pit, o que explicaria a perda de posição e tempo para Jenson Button. Mas durante a 2ª bateria da corrida, ele perdeu mais dois segundos para o inglês.




Enquanto isso, Massa conquistava um discreto 4º lugar.

O time campeão, em ritmo de festa antecipado.
Nem sombra da possibilidade de roubar pontos a Alonso, muito menos da Renault na luta pelo Mundial dos Construtores, como sonhava a Ferrari. Não se pode negar, contudo, os méritos do brasileiro depois de seis provas, pontuando quatro vezes, conseguindo um pódio e metade dos pontos de Schumacher.

É verdade que ele bateu um número considerável de vezes mas a enorme pressão que é pilotar um Ferrari parece ter sido digerida, sobrando alguns momentos de velocidade pura, alguma combatividade e qualidades mais do que suficientes para permanecer na categoria no ano que vem.

Menos rápido do que gostaríamos, com menos resultados e menos maturidade mas, ao seu modo, Massa está chegando lá.




Brilhante a largada de Kimi Raikonenn, lançando o seu McLaren destemidamente entre os dois Toyota e depois alcançando Rubinho ao final da reta e sustentando a ultrapassagem por fora.

Foi um dos poucos momentos marcantes nesta corrida entediante, numa pista tola, bem apropriada aos tempos atuais.




Estranha a dança dos pilotos para a temporada 2007.

Schumacher anuncia que só decidirá o seu futuro no final do ano. Para mim, um sinal claro de que renovou com a Ferrari e, a partir de agora, ficaria na pista apenas para atrapalhar os demais, retardando ou até bloqueando, por exemplo, uma eventual ida de Kimi para a Renault, um movimento que, dada a fraqueza geral da McLaren, pode ter um significado profundo para o campeonato de 2007.

Mas aí surge a notícia de que Kimi acertou-se com a Ferrari.

Acertou? Mas em que condições? Com Schumacher? Kimi aceitaria – e aceitaria Schumacher – uma convivência na mesma equipe? Não creio e nem acho que a Ferrari leva a sério esta hipótese. A divisão de forças nas grandes equipes de Fórmula 1 é um erro, pode perguntar ao sr Frank Williams.

Mas e se interpretei errado as intenções de Schumacher e ele decidiu-se a encerrar a carreira em 2006? Neste caso, o alemão "ficar na pista" também pode ajudar, mas nem tanto pois McLaren e Renault já sabem que têm de procurar outra vitíma e/ou outro sortudo.

Mesmo assim resta a estranheza pelo desinteresse geral pela vaga de Alonso, inclusive da própria Renault. Ou ela acredita que Fisichella e o eventual estreante Kovalainen possam encarar o desafio de disputar um título que poderia ser fácil para a equipe, a se manter os níveis de competitividade atuais?

Vencido o primeiro terço do campeonato, as duas perguntas mais importantes para a definição do grid em 2007 seguem abertas:
1) Schumacher pára ou continua? 2) Continuando, aceita correr junto com Kimi?

Em qualquer caso, é óbvio nesta altura que a Ferrari apostou no cavalo errado. O futuro da Fórmula 1 é, cada vez mais, de Fernando Alonso, e menos de Kimi ou Button, já que a promessa Montoya parece inequivocamente morta e enterrada.

Uma semana tranquila para todos
Eduardo Correa
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