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Home » Colunas » Eduardo Correa » 23.04.06
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Sonhos de Primavera 23.04.06
Como se fossem restos de neve esquecidos pelo inverno, as delicadas florzinhas brancas que pontuam a grama nos acostamentos de Imola podem embalar tantos sonhos de primavera quanto Jean Todt e a torcida italiana forem capazes de tecer mas a verdade é que só a conformação da pista impediu Fernando Alonso de fazer com Michael Schumacher o mesmo que o Figueirense fez, ontem, com o Palmeiras.

Ferrari e McLaren ainda terão que digerir muito feijão para sonhar com vitórias consistentes diante de um Renault capaz de acompanhar o ritmo dos líderes na 1ª bateria da prova mesmo carregando 13,5 kg mais de combustível no tanque ou compensar facilmente cabeçadas como a do 2º pit stop ou a falta de freios na fase final da corrida.





>>Veja a coluna de 16/03.

Correr com um Fórmula 1 hoje, em Imola, é um exercício tão anacrônico (mas que defenderei até a morte) quanto faze-lo em Mônaco ou na sala de jantar de casa.

Parafraseando Felipe Massa, é uma pena e, talvez por isso, a reforma anunciada da pista italiana para o ano que vem prevê uma retão de largada livre da Variante Baixa.

Quem sabe assim poderemos ver uma ou duas ultrapassagens – lembram-se delas? - durante a corrida.





Foi uma corrida rica em simbolismo, significados e significantes este GP de San Marino, a começar pela queda definitiva do recorde de poles de Ayrton Senna, exatamente onde, como observou Marcio Madeira em seu belo estudo para o GPTotal "As poles de uma vida", o talento do brasileiro na busca da pole atingiu seu apogeu e menos mal que o recorde tenha caído pelas mãos do piloto mais rápido nos treinos para San Marino.

Outro símbolo que só as próximas corridas podem confirmar é que esta, talvez, tenha sido a última vitória de Schumacher na Fórmula 1. Basta, para isso, que a Renault mantenha seu favoritismo extraordinário nas próximas provas, que Alonso não bobeie na luta pela pole em corridas como Mônaco e Hungria e, claro, Schumacher, encerre a carreira no final do ano.

Caso se confirme a minha premonição, deixo para os leitores meditarem sobre todas as implicações possíveis, de 94 para cá, deste canto do cisne do alemão.

Mas sempre resta uma esperança para Schumacher: ele pode se oferecer para correr de graça para a Renault no ano que vem.





Felipe Massa resistiu às pressões de Kimi Raikonenn no final da corrida, da mesma forma que havia resistido às pressões de Schumacher na Malásia, sem contar a corrida de recuperação sem erros no Bahrein. Em compensação, seus erros pontuais – travadas, saídas de pista e sabe-se mais o que – se sucedem em quantidades industriais, levando Jean Todt a bronquear com ele, como se noticiou.

Acertos e erros de Massa podem fornecer pistas sobre o que ele tem feito no cockpit do Ferrari, da mesma forma que a pretensa bronca de Todt (não me lembro de ele ter feito coisa parecida com Rubinho) pode ser indicação importante da personalidade de Massa ao volante.

E o que teria sido aquele esperneio depois dos treinos, insinuando com a sutileza de um halterofilista que a Ferrari errou em coloca-lo na pista para as suas duas voltas rápidos em meio a pesado tráfego?

Será que Massa está começando a exercer alguma pressão política contra a equipe, nestes dias em que o futuro dele está sendo decidido?





Juan Pablo Montoya vem desenvolvendo ao longo da temporada um talento especial para correr quase que incógnito.

E ele vai colhendo seus resultados enquanto se desmancham no ar as pretensas chances da McLaren e o proverbial e escassamente confirmado talento de Kimi Raikonenn, sério candidato ao título de novo cheque sem fundo da Fórmula 1.





Batido de novo e de novo pelo companheiro de equipe, Rubinho mergulha até a careca em mais uma das suas cíclicas crises de baixa alta estima. Escolado, ele discursa tranquilo, dizendo que o importante "é estar em paz consigo mesmo". Paz? Na Fórmula 1? Apanhando feito do companheiro?

O 3º tempo nos treinos, como se viu, de pouco valeu, seja pela fato de Button ter logo superado o tempo de Rubinho, seja porque, logo na largada, a máscara caiu, ele perdendo humilhantemente duas posições enquanto Button preservava a sua.

Não que isso tivesse alguma importância. Mesmo partindo mais leves – foram os únicos carros, se não perdi nada, a largar para três pit stops –, a fraqueza dos Honda mais a má inspiração da equipe cuidariam de dinamitar qualquer esperança.

Não é o caso de se culpar freios, controle de tração, botões do painel etc. Seja qual forem os problemas, cabe a Rubinho soluciona-los pois ninguém relevará que, no momento, a Honda está mais para disputar o 6º lugar no Mundial de Construtores com a Toyota do que o vice-campeonato com Ferrari e McLaren, não quando Jenson Button com o mesmíssimo equipamento vem catando resultados e já vai ganhando de Rubinho de 13 a 2.

Há quem possa sonhar, há quem não possa e o brasileiro não pode esperar por um carro fácil de ser pilotado. Além do mais, se um Fórmula 1 é fácil de ser pilotado, já dizia Mika Hakkinen, é porque você não está sendo rápido o bastante.





O botinamento de Mike Gascoyne pela Toyota surtiu algum resultado ou o brilhareco de Ralf Schumacher nos treinos foi tão fátuo quanto o da Honda? Aguardemos pelos próximos capítulos.

Quanto a Jarno Trulli, só cantando: "tristeza não tem fim, felicidade sim".





Tão rápido quanto surgiu, vai se pondo a estrela de Nico Rosberg.

A Fórmula 1 não é fácil para ninguém.





E acabaram-se já na corrida passada as luzinhas que, na TV, sinalizavam o uso pelo pilotos do controle de tração, vítimas prováveis da neurose das equipes em preservar segredos que todos conhecem.

A nós outros, resta pagar, assistir quietinhos e sair enxotados logo que o espetáculo acaba.

Boa semana a todos


Eduardo Correa
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