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Massa está chegando lá 27.03.06


Massa lidera Schumacher na fase final do GP da Malásia,
Não é o caso de se festejar o surgimento de um futuro campeão mundial, herdeiro presuntivo de Emerson, Piquet e Senna, sequer o de um ganhador de GPs. Há ainda um longo caminho a percorrer para uma coisa e outra mas, pelo que se viu na pré-temporada e nos dois primeiros GPs do ano, Felipe Massa está chegando lá.

Verdade que ele vem cometendo um grande número de erros, o maior deles a rodada algo constrangedora enquanto perseguia Fernando Alonso no GP no Bahrein, seguido por pelo menos duas saídas de pista nos treinos livres da Malásia e incontáveis travadas de roda. Mas os erros têm sido compensados pelos bons tempos conseguidos na pré-temporada (nos quatro testes que fizeram juntos, Massa foi mais rápido do que Schumacher em três, ainda que em apenas uma destas vezes estivessem pilotando carros idênticos), o 2º lugar no grid no Bahrein e a sólida corrida de recuperação na Malásia.

Trata-se, como se viu, de um balanço apertado, onde qualidades e defeitos trocam cotoveladas. Por que, então, festejar os acertos e minimizar erros?

Em primeiro lugar, porque não é pecado torcer um pouco que seja pelo sucesso de Massa. Em segundo, porque os erros que ele mostrou este ano - ansiedade e afoiteza, maiores do seria de se esperar de alguém com mais de 50 GPs disputados - parecem mais fáceis de serem superados do que ensinar a um jovem cauteloso a ser rápido, tanto mais quando sob pressão de correr pela Ferrari, tendo como colega de equipe um moedor de carne e jogando o futuro da própria carreira, já que nada é garantido para Massa em 2007.

Por isso, acho que podemos saudar o seu treino no Bahrein e seu 5º lugar na Malásia como as melhores surpresas até aqui desta temporada.





Mesmo assim, o futuro de Massa ainda depende mais dos outros do que dele próprio.

Tudo parece indicar que ele se livrou do risco Valentino Rossi, já que a adesão da Ferrari à limitação dos treinos torna a ida do italiano para a Fórmula 1 bastante complicada. Sem Rossi no horizonte, Massa tem boas chances de continuar na equipe, Schumacher continuando ou não, Kimi Raikonnen vindo ou não.

Mas há um perigo mais sério e imediato: a desestabilização da Ferrari, com a imposição pela Fia de mudanças na aerodinâmica do carro.

A Malásia confirmou a minha impressão de que o modelo deste ano está ainda longe dos concorrentes e um carro problemático é do que Massa menos precisa para seguir em seu caminho na Fórmula 1.





Rubinho na Malásia.
Difícil conter o constrangimento diante da impotência de Rubinho frente ao Honda, como ele expressou ao repórter Pedro Bassan, depois dos treinos na Malásia.

Para registro, aí vai, aproximadamente, o que Rubinho disse: "No inverno, em Barcelona, eu não sofria tanto com esta história de bloquear as rodas. O Button guia freando muito pouco e acelerando muito pouco mas carregando muita velocidade. Nos seis anos de Ferrari, era dar uma patada no freio, uma patada no acelerador, muito diferente daquilo que vinha acontecendo no inverno".

"Para mim, é uma surpresa. Não é nem questão de estar guiando mal. É o Button que está muito bem adaptado e guiando um carro que foi feito em cima das demandas dele".

"Agora é o sofrimento até uma adaptação e voltar para uma pista sem tanto calor e sentir aderência. Agora é frustração plena porque afinal ficar fora, tomando um segundo do companheiro de equipe, não existe".





Lembro que Rubinho penou para aprender a frear com o pé esquerdo, o que denota, e me perdoem se o estou julgando precipitadamente, uma baixa capacidade de adaptação.

Se eu tiver razão, fica explicada muita coisa na sofrida carreira do brasileiro pois uma das maiores virtudes de um piloto é a sua capacidade de adaptação, já que raramente têm condições ideais de pilotagem. A pista pode estar suja ou molhada, os adversários podem atrapalhar, o carro pode funcionar mal ou ter problemas de concepção. Emerson, quando testou pela primeira vez um Fórmula 1, encontrou pela frente um carro cujo cinto de segurança não comportava regulagem e que fora feito para alguém bem menor do que ele. E ainda por cima a alavanca de câmbio obrigava Emerson a torcer a mão de forma totalmente inatural para engatar as marchas. Mesmo assim, não ocorreu ao futuro bicampeão justificar uma atuação fraca pelas condições do carro. Em poucas voltas, ele já marcava tempos que convenceram a Lotus a contrata-lo.

Confessar que não está se entendendo com o controle de tração do carro ou que não aprendeu a mexer em todos os controles disponíveis depois de tanto festejar "seu novo brinquedo" revela a honestidade intelectual de Rubinho mas também o expõe a um julgamento inclemente e que não deve tardar.





Ah, os erros que acontecem neste imaculado laboratório de araque sanfona que é a Fórmula 1.

A equipe Renault comemora a vitória na Malásia,
O GP da Malásia de Fernando Alonso voou pela janela porque, na bateria final dos treinos de classificação, o equipamento de reabastecimento da Renault entrou em tilt e ninguém podia afirmar com certeza se o carro foi reabastecido ou não.

Na dúvida, os mecânicos repetiram a operação e lá se foi outro tanto de gasolina tanque adentro. Resultado: Alonso largou com tanto combustível que, como disse depois à imprensa italiana, dava para chegar até a Austrália. Como a equipe desconfiava da durabilidade dos pneus Michelin, optou por uma estratégia conservadora, de duas paradas.

Incrível como uma máquina tão sofisticada não tenha um mísero marcador de nível de combustível. Seria o caso de sugerir aos engenheiros que deixassem uma janelinha transparente na lateral do carro para um exame visual ou então que se usasse aquela vara que se enfia dentro dos tanques para ver a marca deixada pelo líquido.

Mico? Claro que sim mas não tão grande como o que Alonso pagou no domingo retrasado.

Boa semana a todos


Eduardo Correa
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