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Alonso, Fácil 06.03.06

Alonso ganha de novo.
Fernando Alonso ganha Bahrein, Malásia e Austrália. A partir de San Marino, algum oponente – McLaren ou Honda, quem sabe? – começa a andar melhor mas, ato contínuo, passa a bater cabeça. E aí Alonso ganha mais dois ou três GPs até o meio do ano, de forma que só terá de controlar as coisas dai em diante até o bicampeonato.

E Giancarlo Fisichella, se ficar quietinho dentro do seu Renault, corre o sério risco de acumular vários pódios e até vencer um GP.



A Honda tem, no momento, melhores chances de ser a segunda força do campeonato mas é bom esperar pelas provas iniciais. Temos este direito depois do vexame dos engenheiros da equipe no ano passado.

Conta a favor da Honda o fato da McLaren ter perdido muitos dos seus melhores técnicos, a começar por Adrian Newey, e ainda por cima estar em conflito com a Mercedes. Aquilo que era dado como certo - a compra integral da McLaren pela Mercedes - virou de cabeça para baixo. Agora, Ron Dennis e seu sócio querem adquirir de volta a parte que venderam à Mercedes, que já estaria ensaiando a fundação de uma equipe própria.

Ralf fora da pista.
A Toyota parece toda errada no momento (se continuar assim, provavelmente botinará seu diretor técnico, Mike Gascoyne) e não dá para levar a sério as pretensões da Williams e Red Bull enquanto não disporem de motores de primeira. Quanto à BMW, carregará por um tempo a falta de jeito para a coisa da Sauber.



A Ferrari terá um começo de ano difícil, o carro padecendo de um grave defeito aerodinâmico, causado provavelmente por um staff técnico deficiente. Mas a equipe já foi buscar de volta na McLaren Nikolaos Tombazis, responsável pela aerodinâmica da Ferrari até 2003. Altamente reputado, ele sonha em se tornar projetista chefe.

Mas aerodinâmica é apenas um dos problemas da Ferrari. Outro é se entender com os pneus Bridgestone, anunciados como pouco duráveis. E há a incógnita Schumacher. Ele fica ou pára? Uma decisão deve ser comunicada à equipe ainda na primavera européia. Ninguém é capaz de antecipar o que se passa na cabeça do alemão. Acho que ele quer ficar mas quer, em troca, mais dinheiro e um companheiro de equipe que não seja Kimi Raikonenn.



Massa testando em Mugello Olhar, aprender, falar pouco.
E onde entra Felipe Massa neste mar revolto?

Vida dura para ele, sem dúvida. Terá de ter nervos de aço e demonstrar uma maturidade que, temo, ainda não tenha para sobreviver até o final da temporada. Sábio seria evitar sonhos, acumular pontos, concentrar-se nos testes, olhar, aprender, falar pouco.

Será que Massa é capaz disso?

Osso duro para Rubinho
Rubinho, em seu duelo particular com Jenson Button, terá pela frente um osso tão duro quanto teve na Ferrari.

Contando que o Honda não seja uma cadeira elétrica, o duelo entre os dois será vencido por quem tiver mais personalidade e força de caráter. Não arrisco um palpite e também não descarto a hipótese de a equipe passar por momentos difíceis caso não dispute, no mínimo, o vice-campeonato de construtores.



Vale, depois de sair da pista com seu Ferrari em Valência
A estrela de Valentino Rossi começa a cair.

A imprensa italiana rendeu-se ao fato de que o 248 F1 é mal nascido e começa a questionar: teria a equipe despendido demasiados esforços nos testes com Vale? Além disso, diante da perspectiva real de ter na equipe em 2007 Schumacher e Raikonenn, qual a validade de se insistir na hipótese Vale?

Se as pressões já existem na pré-temporada, imagina-se o barulho a partir dos nesta altura inevitáveis maus resultados nas primeiras corridas. E nem é bom pensar no que acontece se Vale, por azar dos azares, for mal na Motovelocidade.



Seja qual for o seu futuro, Vale está demonstrando que pilotar um Fórmula 1 não é tão fácil quanto parece. Fala a verdade: quantos de nós não pensam assim, em meio a todos aqueles truques eletrônicos?

Pois é. Vale, do alto do seu pedigree de supercampeão, com talento e combatividade indiscutíveis, não tem se entendido muito bem com toda a complexidade exigida na Fórmula 1. E ele ainda não disputou uma posição sequer.

Na avaliação da Ferrari transmitida aos jornalistas da revista Autosprint, se elogia os dotes de Vale para velocidade instintiva e capacidade de aprendizado, inclusive no uso dos recursos eletrônicos do carro.

Nota média para o senso de trajetória de Vale. Analise pela telemetria a trajetória de Schumacher e você verá uma diferença de volta para volta de um metro; no caso de Vale, a diferença chega a dez metros entre uma volta e outra.

Outra nota média para ele em capacidade de frenagem. Vale ainda não desenvolveu força suficiente nas pernas para freadas fortes mas, naquelas em que se deve dosar o freio, já é considerado melhor do que Rubinho.

Os pontos fracos de Vale são, no momento, preparo físico e constância de rendimento.

Em seu único treino junto a outros pilotos de Fórmula 1, Vale ficou a 1s4 do melhor tempo do dia, marcado por Alonso. Pondere-se que Vale pilotava um Ferrari de 2004, com maior sustentação aerodinâmica e mais torque do que o carro de Alonso. Segundo os técnicos da Ferrari, em condições idênticas, Vale teria tomado 2s5.

É verdade que estamos falando da sua primeira saída em grupo e da sua 5ª ou 6a ao volante de um Fórmula 1. Muito pouco para a uma conclusão, sem dúvida, mas o cronômetro corre rápido para Vale.



Os leitores já devem saber que os motores V8 forçarão os pilotos a mudarem sua forma de dirigir. Os motores V8 têm muito menos torque do que os V10, de forma que quem desacelerar muito numa tomada de curva terá grandes dificuldades para retomar velocidade.

Será, assim, reproduzida aquela situação do tempo dos motores turbo: o piloto terá de pensar em manter alta a rotação do motor enquanto freia e acha a sua trajetória em direção a curva.

E sobrou para Rubinho, que tem apanhado de todo o jeito possível da imprensa italiana: ele ainda estaria abusando demais do controle de tração do seu Honda, dosando pouco a aceleração nas saídas de curva.



Ah sim!

Menos torque torna as ultrapassagens ainda menos prováveis.

M… de regulamento!

Eduardo Correa
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