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| » » » 03.10.05 |
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| Um milhão de dias |
03.10.05 |
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Parece que já se passaram um milhão de dias desde o GP do Brasil. Mesmo assim, peço licença aos leitores para breves comentários sobre a corrida, que assisti desde a Curva do Lago.
Giancarlo Fisichella foi vítima de duas ultrapassagens logo na primeira volta, uma bela, outra belíssima e que ocorreram bem próximas de mim. A bela, clássica porém vigorosa e no limite absoluto, foi realizada por Kimi Raikonnen, que colocou seu McLaren por dentro na freado do Lago. Como a saída da curva parece estreita para tantos cavalos de potência, a destreza do finlandês para ganhar aceleração com a pista lhe faltando foi coisa bonita de se ver.
Mas o melhor ainda estava por vir.
Certamente com os pneus mal aquecidos, Fisichella hesitou por um átimo na saída da Curva do Lago, abrindo alguns centímetros de brecha para Michael Schumacher, que conservou o seu Ferrari por dentro enquanto o italiano buscava o lado esquerdo da pista.
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| Schumacher, belíssima ultrapassagem sobre Fisico. |
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A reta, ali, é muito curta para carros de Fórmula 1 e era fácil fechar a brecha. Foi o que Fisico fez - mas um lutador como Schumacher não se dá por vencido facilmente.
Ele simplesmente jogou o Ferrari sobre a zebra interna, mesmo tendo de encarar uma considerável poça d´água. Sua roda dianteira direita foi inteira para a grama e o carro se desequilibrou de forma temerária. Mesmo assim, Schumacher conseguiu controla-lo, manter a tração traseira e chegar à freada da curva na frente. Uma manobra que, por si só, valeria a corrida.
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| Rubinho prepara a bela ultrapassagem sobre Button. |
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A ultrapassagem de Rubinho sobre Jenson Button no S do Senna também foi bem bonita.
Em carros com desempenho semelhante, o brasileiro ganhou a posição abusando dos limites do Ferrari, empurrado por uma agressividade que lhe tem faltado. A prova da temeridade, no bom sentido, da sua manobra foi a vigorosa correção no volante que se viu obrigado a fazer para manter-se por dentro na tomada da curva, como a TV mostrou.
Os engenheiros da Ferrari provavelmente considerariam impossível a manobra - freios e pneus simplesmente não a suportariam - e recomendariam que ele a fizesse na próxima rodada de pit stops. Mas o piloto simplesmente não pensou se o carro agüentaria o tranco e foi para cima do adversário.
É para isso que servem os pilotos da Fórmula 1: para superarem os limites dos carros e os seus próprios.
Companheiros na próxima temporada, Rubinho e Button mais Ralf Schumacher protagonizam uma das disputas que restam em aberto para a temporada deste ano, pelo 7o lugar no campeonato. Rubinho e Ralf têm 38 pontos, Button tem 32.
Pelo ritmo das últimas provas, Button é o favorito mas tudo pode acontecer, inclusive algum deles alcançar Trulli e Fisichella, 6o e 5o lugares, com 43 e 45 pontos, respectivamente.
Voltando a Interlagos, o mistério da corrida, para mim, foi a incapacidade de Kimi em ultrapassar Fernando Alonso no terço inicial da corrida.
Verdade que Alonso estava com uma quantidade consideravelmente menor de combustível no tanque, tendo parado para o primeiro reabastecimento oito voltas antes do finlandês. Só que Montoya também tinha bastante combustível e foi-se embora.
Nestas horas, é bom lembrar que a Fórmula 1 está longe de ser uma ciência exata. Carros iguais podem ter desempenho muito diferente em dadas condições de corrida. E parece ter sido mesmo este o caso pois Kimi em momento algum ameaçou a liderança de Montoya.
O comportamento da equipe McLaren, não influenciando no posicionamento dos seus pilotos durante a prova, não foi devidamente louvado pela imprensa, ao menos que eu tenha visto.
O fato de Kimi não ter assumido a liderança da corrida depois do segundo pit stop colocaria equipe numa saia justíssima caso Alonso tivesse problemas nas voltas finais.
E não se pode dizer que espírito esportivo inglês seja um padrão de Ron Dennis&Cia. A equipe, várias vezes, usou o direito de inverter posições de seus pilotos, chegando mesmo a declaradamente combinar resultados com equipes rivais, como a Williams em Jerez 97.
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| Alonso comemora seu primeiro título. |
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Fernando Alonso matou a disputa pelo título logo na primeira oportunidade real, apesar de ter feito uma corrida sem grande brilho em Interlagos.
Teve sorte ao conquistar a pole mas, pensando bem, não dependia dela, podendo apenas controlar os McLaren e administrar, como fez, o 3o lugar, coisa relativamente fácil pois faltou ao GP Brasil uma terceira força, além de McLaren e Renault.
Temos um novo Schumacher, um piloto capaz de ganhar tudo nos próximos anos?
É cedo para dizer. Alonso ainda tem o que aprender no automobilismo, como Schumacher tinha depois dos títulos de 94 e 95. o espanhol dá sinais positivos a todo o momento, não parecendo se deslumbrar com a conquista, mantendo-se distante das badalações e da mídia, conservando a frieza, o que parece ser a sua maior qualidade como piloto, assim como era de Niki Lauda, por exemplo.
Alonso ainda precisa aprender a vencer sem sofrimento, limar o seu estilo de pilotagem, melhorar o relacionamento com a equipe e o mundo que o cerca e, talvez o mais difícil, encontrar um caminho para a vida pessoal que suavize aquela tensão meio juvenil, meio televisiva, que extravasou depois da corrida.
Mas, sim: temos em Alonso um forte candidato a ganhar uma quantidade considerável de títulos nos próximos dez anos.
Ricardo Zonta desancou os motores Toyota V8, que testou na semana passada, em Jerez. Disse ele, segundo os amigos do grandepremio.com.br:
- "Não exige técnica e dá até pra cometer erros sem perder o traçado da curva, porque há muito tempo para corrigir".
- "É uma chatice".
- "Parece um videogame. É muito fácil de pilotar, não exige muito fisicamente, não é desafiador. Até uma garotinha consegue guiar o carro".
Zonta marcou sua melhor volta em 1m18s836, enquanto Anthony Davidson, com motor deste ano, andou em 1m17s535 e Pedro de la Rosa, com McLaren, em 1m15s737, a melhor marca do dia.
Olhando só para o cronômetro, Zonta nem teria tantas razões para reclamar. Em meados do mês, rodando em Silverstone com um motor Mercedes V8, o mesmo de la Rosa tomou mais de cinco segundos de Wurz, com V10, e disse que, com 200 cavalos a menos no motor, é preciso mudar o estilo de pilotagem.
Foi neste teste em Jerez que Tony Kanaan testou pela BAR. Seu tempo foi de 1m19s114.
Embalado pelo GP Brasil, GPTotal bateu, de novo, seus recordes de audiência: 175 mil visitas ao longo do mês.
Obrigado aos leitores e boa semana a todos
Eduardo Correa
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