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| » » » 11.09.05 |
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Montoya merece tanta desgraça?
Merece, ainda que não saiba dizer exatamente o motivo. Esporte tem dessas coisas. É a tal da barreira da vitória. Alonso a quebrou e as coisas, agora, correm céleres em direção a ele. Enquanto isso, a dupla da McLaren corre, corre, corre mas nunca alcança o que tanto almeja.
Coisas do esporte, coisas da vida. Aliás, esporte é vida de uma outra forma. Por isso gostamos tanto dele.
Felipe Massa cometeu um erro monumental de avaliação ao optar por pneus para pista seca, um erro que lhe custou caro já que Jacques Villeneuve conseguiu marcar três pontos, passando um à frente do brasileiro na classificação geral do campeonato.
Discutir se era o momento certo para arriscar tornou-se agora bizantino mas, em defesa do jovem brazuca, é bom lembrar que Michael Schumacher, Jarno Trulli, Jenson Button e a dupla da Williams cometeu o mesmo erro de avaliação quando da primeira rodada de pit stops.
Mas como tudo tem seu outro lado, não se pode esquecer que a opção de Massa era demasiado arriscada para quem tinha de pensar, naquela altura, mais em defender a posição do que em atacar. O que Massa imaginava? Que iria alcançar Alonso e a dupla da McLaren?
Tudo somado, restou evidente a imaturidade do brasileiro, sinal nada animador para quem vai encarar um desafio tão grande quanto pilotar o 2º Ferrari daqui seis meses.
Ainda sobre Villeneuve: foi de arrepiar aquela volta dele à pista, na La Source, cortando selvagemente a frente de Alonso. Mas ele estava defendendo posição e, que diabo! Não é esta agressividade consequente que tanto cobramos dos pilotos?
E o canadense protagonizou o melhor momento da corrida, ao controlar a saída de traseira do seu Sauber em plena Eau Rouge, pista molhada, a quase 300 km/h. Coisa de campeão mundial.
Outras demonstrações de valentia em Spa:
1) Ralf Schumacher - sempre acreditei neste garoto - desafiando a liderança de Montoya no meio da corrida. Provavelmente ele não foi para cima do colombiano de vez por recomendação da equipe, que preferia a ultrapassagem - merda! - no pit stop.
2) Um insuspeito Narain Karthikeyan desafiando Villeneuve na freada da Les Combes e levando a melhor, mesmo depois de um passeio pela grama.
3) E um igualmente insuspeito Tiago Monteiro voltando a pontuar. Não importa quantos erros foram cometidos à sua frente. Ele soube manter seu Jordan na pista, à salvo dos erros que seriam mais do que justificáveis em condições de corrida tão difíceis.
Corridas sem brilho mas também sem erros para os brasileiros que iam garantindo um final de semana muito melhor do que esperavam em Spa - até que as coisas começaram a dar errado para Massa e Pizzonia.
Adeus Minardi!
Nunca tive grandes simpatias pelos seus esforços algo patéticos de se firmar na categoria e nem acho que ter se arrastado até aqui tenha sido grande coisa. Se o segundo colocado é o primeiro entre os últimos, você nunca foi mais do que a última entre os últimos.
Sobre a compra da equipe pela Red Bull, só posso dizer uma coisa: quanto dinheiro tem este pessoal!
Ainda não dá para saber como as coisas serão conduzidas daqui em diante mas, pelas regras atuais da categoria, pelo menos nas aparências, os carros terão de ser diferentes.
E não entendo como ter uma segunda equipe melhorará o desempenho dos carros da Red Bull. Não seria melhor investir este dinheiro na contratação de pessoal técnico mais qualificado, melhorando as instalações da equipe ou ainda buscando uma parceria exclusiva de motores?
Pensando em tudo o que a Red Bull significa para o marketing, temo que ela esteja trilhando um caminho novo na Fórmula 1, um caminho onde a vitória não seja o objetivo número um da equipe e sim a exposição da marca do seu patrocinador/proprietário.
Porque pilotos empurram e xingam bandeirinhas que lhes estendem as mãos depois de acidentes e quebras eu até entendo mas por que os bandeirinhas continuam insistindo? Por masoquismo?
Nestes tempos onde o politicamente correto se alterna com a esbórnia e o relaxo, poderia haver um código de ética para situações deste tipo, recomendando que os pilotos agradecessem a ajuda.
Ou então os bandeirinhas poderiam aproveitar a proximidade dos pilotos e vituperarem contra eles: "Aí Fisichella bundão: aprontou mais uma!"
Os pilotos, ao menos, teriam motivos para.
Cenas de Indy na 12ª volta, com quase todo mundo entrando para trocar pneus ao mesmo tempo.
E por falar em ética, foi ético o comportamento de Kimi, segurando todo mundo enquanto Montoya trocava pneus? Imaginei que pudesse haver uma reação por parte dos comissários de corrida contra a atitude evidentemente protelatória de Kimi em benefício próprio mas, pelo menos até o momento em que escrevo, predominou a esbórnia - na Fórmula 1 e em tantos outros segmentos da vida brasileira e mundial.
Foi Nigel Mansell quem reinventou o traçado da La Source, cuja saída era bem mais estreita até o começo dos anos 90 (quem olhar com atenção, ainda conseguirá ver a linha branca encoberta definindo o traçado antiga).
Me ajudem aí com datas e fatos, mas acho que foi em 91, em meio a uma batalha feroz com Ayrton Senna, que o inglês começou a deixar o seu Williams escapar pela área de escape.
No começo, todo mundo achou que ele tinha simplesmente exagerado mas as voltas seguintes mostraram que era apenas uma opção de traçado, garantindo mais aceleração. E no ano seguinte, a área de escape foi incorporada à pista.
João Paulo Oliveira faturou o campeonato japonês de F3.
Parabéns para ele, que vem construindo uma carreira alternativa no automobilismo, com muito sacrifício e pouco dinheiro. Carreiras alternativas não costumam ser recompensada com frequência pela Fórmula 1 mas acontece, caso, por exemplo, de Eddie Irvine.
Felipe Massa, explicando a diferença entre os pneus Michelin e Bridgestone, depois de testar o Ferrari e o Sauber em Monza, uma semana antes do GP italiano: os pneus franceses são melhores em freadas e curvas de baixa e média velocidade. Nas curvas de alta, as coisas se equilibram. Em Monza, Massa marcou 1m23s4 com o Ferrari e 1m22s1 com o Sauber.
Só ele e o francês Franck Montagny andaram com os dois pneus este ano.
Para quem está interessado no desempenho dos motores V8, nos testes em Monza, a Toyota fez Olivier Panis treinar junto com o resto do grid, pilotando um carro deste ano equipado com um motor V8. Seu melhor tempo foi de 1m27s9. No mesmo dia, com um V10, Zonta andou em 1m22s0. Montoya, o melhor do dia, marcou 1m19s8.
Mais ainda do que os motores V8, a grande mudança na Fórmula 1 do ano que vem deve ser a adaptação das equipes à orçamentos muito menores do que os deste ano, gentileza da proibição da publicidade de cigarros na categoria.
Esta seria uma das explicações para a escolha de Massa pela Ferrari. Ao trocar Rubinho por ele, a equipe estaria economizando uns US$ 3 milhões na temporada.
O que? Ainda não comprou seu exemplar de O Boto do Reno e garantiu participação na promoção que está dando onze ingressos para o GP Brasil?
Não dê uma de Fisichella: clique no banner no alto da página, compre o livro - você vai gostar, eu garanto - e concorra. Quem sabe a gente se encontre em Interlagos.
Uma boa semana para todos
Eduardo Correa
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