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Home » Colunas » Eduardo Correa » 21.08.05
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Corridas e guerras 21.08.05
Corridas, assim como as guerras, são ganhas por quem erra menos.

Michael Schumacher e os engenheiros da Ferrari lutaram duramente nos últimos anos para blindar a equipe contra as eventualidades que roubam pontos e vitórias certas. Tiveram um índice de sucesso enorme e por isso a Fórmula 1 passou a ser descrita tão frequentemente como "chata".

Hoje, na Turquia, vimos o erro da McLaren ou, mais apropriadamente, de Montoya (por pneus desgastados? Musculaturas de pescoço mal trabalhadas?) dar a Fernando Alonso dois pontos que ele não merecia ganhar. Estes pontos farão diferença no final do ano? Talvez sim, talvez não e a beleza e a maldição do esporte estão exatamente nesta imprevisibilidade, nesta luta do homem contra o imponderável da máquina e dos elementos.

Já vimos dezenas de campeonatos serem decididos por até menos do que dois pontos mas não creio que terá sido a escapada de Montoya na Turquia a decidir o título de 2005. A McLaren brincou com a própria sorte muitas vezes este ano para merecer o campeonato.

Mas isso não abranda a bronca sonora que Montoya deve estar levando neste momento dos seus chefes.





A excepcional corrida de Jenson Button na Turquia é boa notícia para Rubinho mas a oferta que a equipe endereçou ao inglês - US$ 80 milhões por um contrato de cinco ano, o que compensaria largamente a multa que o inglês teria de pagar à Williams para libera-lo do contrato assinado no ano passado - certamente não é.

Creio que nosso brasileirinho não terá convivência fácil com o inglês e a presença de Gil de Ferran no comando esportivo da Bar pouco poderá ajudar, já que não se imagina um cenário de favorecimento paroquial apenas porque um e outro são amigos há muitos anos.

E até a idade conspira contra Rubinho, oito anos mais velho do que Button.





A edição da semana passada de Autosprint dá alguns detalhes novos sobre a saída de Rubinho da Ferrari, detalhes que se somam a tudo o que ele próprio vem contando, permitindo uma visão mais completa dos acontecimentos.

As coisas teriam começado a se definir às vésperas de Imola (talvez não tenha sido por acaso que Rubinho fez uma corrida tão desinteressada por lá), quando a equipe negou-se a discutir uma extensão do contrato do brasileiro para além de 2006. Cobrado por Rubinho, Jean Todt alegou que uma definição só seria possível depois que Michael Schumacher tomasse uma decisão sobre se continuaria a correr ou não depois daquele ano, insinuando inclusive que seria possível que o alemão viesse a dividir a equipe com Kimi Raikonenn, alvo preferencial da Ferrari para 2007.

Os acontecimentos só pioraram em Mônaco e Indy, onde Rubinho briga com os engenheiros pelo rádio, recusando-se a reduzir seu ritmo na perseguição a Schumacher.

Em Silverstone, veio a pá de cal: Rubinho diz a Todt: "não me sinto feliz na Ferrari" e ouve como resposta: "aqui não queremos gente que não é feliz". O caso estava liquidado.

Mais uma coisa: a revista anuncia como bastante provável que Massa estreie na equipe já no GP do Japão. E será que Rubinho estrearia pela sua nova equipe às custas de Takuma Sato bem no GP da Honda?





Sinceramente não sei se gostei tanto assim do autódromo turco, ainda que ele não seja um novo Hungaroring, como cheguei a escrever aqui.

Não considero como qualidades a modernidade e a segurança. É o mínimo que se espera de uma obra nova. O traçado parece interessante, vendo-se finalmente uma pista onde os topógrafos fizeram mais do que simplesmente garantir o nivelamento do terreno. Boas pistas, disse uma vez Jacques Villeneuve, devem ser parecidas com os caminhos que levam às nossas casas.

De positivo, a volta das curvas rápidas, tornadas possíveis pelas monumentais áreas de escape, maiores que muitos autódromos mais antigos. Certamente a experiência tem ajuda Herman Tilcken a resolver problemas como o de pontos de ultrapassagem, problema que, a rigor, pouco tem a ver com ele e mais com os projetistas.





Mas não me entusiasmei com a corrida, talvez por um estado de espírito algo azedado pela leitura prévia dos jornais. Eu sei que, nesta altura da vida, deveria já ter me habituado a isso mas o que posso fazer?

A largada do GP da Turquia parece ter tido muitos momentos interessantes mas a economia nas repetições e uma preguiça crônica em mobilizar equipamento de gravação poupará o leitor daquelas minúcias a que costumo me apegar.

Ficou a impressão, porém, que Massa, mais uma vez, tentou forçar a natureza na largada e acabou jogando a sua corrida pela janela.

E não deixa de ser triste ver Michael Schumacher disputar e perder uma freada com Mark Webber. O pior é que a péssima fase Ferrari/Bridgestone só reforço a máxima de que o que conta é o carro e não o piloto. Isso não é bem verdade e a grande corrida de Schumacher na Hungria vem a favor do meu ponto de vista de que tudo começa e termina no piloto e não no carro.

Mas, concordo, é cada vez mais difícil defender este ponto de vista.





Encerrada a era Schumacher, teremos tempos interessantes na Fórmula 1, com Kimi Raikonenn, Fernando Alonso e Jenson Button como protagonistas e com idade suficiente para dividirem entre si talvez os próximos dez Mundiais.

Ao mesmo tempo, fica claro que, por uma combinação de idade e capacidade, Montoya, Ralf Schumacher, Jarno Truli e Mark Webber têm cacife muito menor para disputar com os três, restando, no cenário atual, a incógnita Felipe Massa, que mostrará do que é capaz de uma vez por todas no ano que vem.

Entre os jovens aspirantes, quem se juntará a esta equação? Kovalainen? Niko Rosberg? Nelsinho Piquet? Pode ser mas não devemos esperar que o Brasil venha a desempenhar um papel muito relevante no futuro da Fórmula 1.

Boa semana a todos
Eduardo Correa
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