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Home » Colunas » Eduardo Correa » 02.08.05
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Coragem ou Bobagem? 02.08.05
Rubinho e Massa, no GP da Hungria
Ao contrário da maioria dos leitores que escreveu pra gente desde o anúncio da saída de Rubinho da Ferrari, acho que ele fez uma bobagem, ainda que torça sinceramente para que tenha sido um gesto de coragem e desprendimento. 

Pesem todos os argumentos a favor da saída de Rubinho da Ferrari. Eles não valem a máxima: um piloto deve garantir para si o melhor equipamento disponível.

Por isso, preferia ver Rubinho engolindo o próprio orgulho, parando de fazer beicinho e acelerando mais. A Bar é uma equipe média, que nada havia feito na Fórmula 1 até o ano passado quando, por uma combinação de acerto técnico e fraqueza dos adversários, conseguiu um milagroso vice-campeonato.

Seu desempenho este ano é latrinário e o melhor que se pode esperar dela é que termine o ano em 5º lugar, à frente da Williams. Para tanto, terá de marcar 32 pontos a mais do que a rival até o final do ano. Apostar que a Bar vai ter um carro ganhador no ano que vem é o mesmo que apostar que a Sauber BMW o terá. Pode? Pode porque, afinal, milagres existem mas acho que há pouco a esperar, fora do plano místico, do que pódios esparsos.

A Honda é uma garantia de resultados? Não necessariamente. Os japoneses voltaram à Fórmula 1 já há tempo o bastante para conseguir melhores resultados e o fato de terem um passado glorioso na categoria não lhes franqueia o futuro, assim como não franqueou para nenhum outra montadora.





No meu ponto de vista, Rubinho está deixando a Ferrari ou, como ponderou o Ico, antecipando-se à sua demissão, mais por uma combinação de impotência frente à superioridade do alemão e orgulho infantil do que por uma análise fria das chances da Bar no ano que vem.

Será que Rubinho se dará bem num ambiente menos empenhativo e organizado do que a Ferrari? Será que ele se acomodará a resultados apenas medianos? Como se defenderá da inevitável pressão de imprensa e torcida quando se ver impotente diante de um carro e uma equipe incapazes até de faze-lo pontuar rotineiramente? O que acontecerá à já frágil auto-estima do brasileiro se a Bar emendar uma série de resultados negativos como fez no começo do campeonato?

Rubinho atrás de um Jordan, domingo, na Hungria
Lembro que Rubinho teve alguns problemas de relacionamento com as suas equipes derivados da sua incapacidade de reverter ou acomodar-se a situações que considerava desfavoráveis a ele. Foi assim nos tempos de Jordan com Eddie Irvine, foi assim em muitas e muitas situações com Schumacher. Nada garante que tais pressões não venham a acontecer também na Bar. E neste caso, ele não mais terá à mão um carro e uma equipe de primeiríssimas categorias.

Mas estes ainda podem não ser os maiores problemas de Rubinho. O que acontecerá a ele se tiver como companheiro de equipe um osso duro de roer como Janson Button, que pode muito bem ter o seu passe recomprado pela Bar à Williams? Como Rubinho se explicará a si próprio se vir a ser batido pelo companheiro de equipe? Na Ferrari, ninguém cobra isso dele...

Vamos analisar a hipótese inversa: a de um companheiro recém-chegado ou comprovadamente fraco, como seriam, por exemplo, Heikki Kovalainen (provável campeão da GP2) ou Takuma Sato. Neste caso, pergunto se Rubinho terá condições reais de encabeçar o desenvolvimento de um projeto de carro e motor (lembrando que no ano que vem teremos motores V8, totalmente novos) junto a uma equipe técnica que está anos–luz atrás da Ferrari em competência, meios e capacidade de reação?

Como se vê, são muitas as incógnitas. É preciso ter muita coragem para bater a porta na cara da melhor equipe de Fórmula 1 e assinar com a Bar.





Nesta história toda, concedo apenas uma atenuante ao Rubinho: grana. 

Talvez ele tenha sido atraído por uma proposta consideravelmente melhor em termos estritamente financeiros e, com o saco cheio de comer poeira do alemão, tenha resolvido jogar tudo para o alto. Mas ficaria surpreso se Rubinho teve sangue frio para tanto e se a Bar resolveu cacifar mais de US$ 8 milhões nele.

Espero que ninguém pense que estou torcendo contra Rubinho. Gostaria muito que ele se tornasse o vencedor que gostaria de ser mas acho que, com a Bar, seu caminho atrás dos próprios sonhos de glórias e vitórias ficou ainda mais distante.





Resisto um pouco a acreditar que Felipe Massa substituirá Rubinho na Ferrari. 

Massa persegue Villeneuve, domingo, na Hungria
Será possível? Massa é um menino, um menino de mãos e pés pesados, capaz de fazer algumas manobras interessantes, como fez na primeira volta do GP da Alemanha, mas que se mostra ainda incapaz de transmitir à equipe informações confiáveis, de se dedicar aos testes com método e proveito, de acumular pontos, mesmo que modestos, e de bater os seus companheiros de equipe. Mesmo competindo contra uma mula manca este ano, não se pode dizer que Massa esteja vencendo de forma brilhante a batalha contra Jacques Villeneuve...

Mas ele deve ter um segredo oculto, uma capacidade ainda não amadurecida, que nós não conseguimos ver pela TV, pois me recuso a acreditar que a Ferrari abrirá suas portas para Massa apenas por uma questão de nepotismo. Não é possível! Aqui no Brasil ainda vai. Mas não maior equipe de Fórmula 1 de todos os tempos.

De novo, não se trata de torcer contra Massa mas é que não vejo nele, no momento, nenhuma condição objetiva de se tornar um segundo piloto razoável que seja para Michael Schumacher – e lá vamos nós, de novo, ouvir aquelas justificativas pedestres, invariavelmente começando por um “foi uma pena, mas…”

Abraços (EC)
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