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| » » » 02.08.05 |
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| Coragem ou Bobagem? |
02.08.05 |
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| Rubinho e Massa, no GP da Hungria |
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Ao contrário da maioria dos leitores que escreveu pra gente desde o anúncio da saída de Rubinho da Ferrari, acho que ele fez uma bobagem, ainda que torça sinceramente para que tenha sido um gesto de coragem e desprendimento.
Pesem todos os argumentos a favor da saída de Rubinho da Ferrari. Eles não valem a máxima: um piloto deve garantir para si o melhor equipamento disponível.
Por isso, preferia ver Rubinho engolindo o próprio orgulho, parando de fazer beicinho e acelerando mais. A Bar é uma equipe média, que nada havia feito na Fórmula 1 até o ano passado quando, por uma combinação de acerto técnico e fraqueza dos adversários, conseguiu um milagroso vice-campeonato.
Seu desempenho este ano é latrinário e o melhor que se pode esperar dela é que termine o ano em 5º lugar, à frente da Williams. Para tanto, terá de marcar 32 pontos a mais do que a rival até o final do ano. Apostar que a Bar vai ter um carro ganhador no ano que vem é o mesmo que apostar que a Sauber BMW o terá. Pode? Pode porque, afinal, milagres existem mas acho que há pouco a esperar, fora do plano místico, do que pódios esparsos.
A Honda é uma garantia de resultados? Não necessariamente. Os japoneses voltaram à Fórmula 1 já há tempo o bastante para conseguir melhores resultados e o fato de terem um passado glorioso na categoria não lhes franqueia o futuro, assim como não franqueou para nenhum outra montadora.
No meu ponto de vista, Rubinho está deixando a Ferrari ou, como ponderou o Ico, antecipando-se à sua demissão, mais por uma combinação de impotência frente à superioridade do alemão e orgulho infantil do que por uma análise fria das chances da Bar no ano que vem.
Será que Rubinho se dará bem num ambiente menos empenhativo e organizado do que a Ferrari? Será que ele se acomodará a resultados apenas medianos? Como se defenderá da inevitável pressão de imprensa e torcida quando se ver impotente diante de um carro e uma equipe incapazes até de faze-lo pontuar rotineiramente? O que acontecerá à já frágil auto-estima do brasileiro se a Bar emendar uma série de resultados negativos como fez no começo do campeonato?
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| Rubinho atrás de um Jordan, domingo, na Hungria |
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Lembro que Rubinho teve alguns problemas de relacionamento com as suas equipes derivados da sua incapacidade de reverter ou acomodar-se a situações que considerava desfavoráveis a ele. Foi assim nos tempos de Jordan com Eddie Irvine, foi assim em muitas e muitas situações com Schumacher. Nada garante que tais pressões não venham a acontecer também na Bar. E neste caso, ele não mais terá à mão um carro e uma equipe de primeiríssimas categorias.
Mas estes ainda podem não ser os maiores problemas de Rubinho. O que acontecerá a ele se tiver como companheiro de equipe um osso duro de roer como Janson Button, que pode muito bem ter o seu passe recomprado pela Bar à Williams? Como Rubinho se explicará a si próprio se vir a ser batido pelo companheiro de equipe? Na Ferrari, ninguém cobra isso dele...
Vamos analisar a hipótese inversa: a de um companheiro recém-chegado ou comprovadamente fraco, como seriam, por exemplo, Heikki Kovalainen (provável campeão da GP2) ou Takuma Sato. Neste caso, pergunto se Rubinho terá condições reais de encabeçar o desenvolvimento de um projeto de carro e motor (lembrando que no ano que vem teremos motores V8, totalmente novos) junto a uma equipe técnica que está anos–luz atrás da Ferrari em competência, meios e capacidade de reação?
Como se vê, são muitas as incógnitas. É preciso ter muita coragem para bater a porta na cara da melhor equipe de Fórmula 1 e assinar com a Bar.
Nesta história toda, concedo apenas uma atenuante ao Rubinho: grana.
Talvez ele tenha sido atraído por uma proposta consideravelmente melhor em termos estritamente financeiros e, com o saco cheio de comer poeira do alemão, tenha resolvido jogar tudo para o alto. Mas ficaria surpreso se Rubinho teve sangue frio para tanto e se a Bar resolveu cacifar mais de US$ 8 milhões nele.
Espero que ninguém pense que estou torcendo contra Rubinho. Gostaria muito que ele se tornasse o vencedor que gostaria de ser mas acho que, com a Bar, seu caminho atrás dos próprios sonhos de glórias e vitórias ficou ainda mais distante.
Resisto um pouco a acreditar que Felipe Massa substituirá Rubinho na Ferrari.
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| Massa persegue Villeneuve, domingo, na Hungria |
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Será possível? Massa é um menino, um menino de mãos e pés pesados, capaz de fazer algumas manobras interessantes, como fez na primeira volta do GP da Alemanha, mas que se mostra ainda incapaz de transmitir à equipe informações confiáveis, de se dedicar aos testes com método e proveito, de acumular pontos, mesmo que modestos, e de bater os seus companheiros de equipe. Mesmo competindo contra uma mula manca este ano, não se pode dizer que Massa esteja vencendo de forma brilhante a batalha contra Jacques Villeneuve...
Mas ele deve ter um segredo oculto, uma capacidade ainda não amadurecida, que nós não conseguimos ver pela TV, pois me recuso a acreditar que a Ferrari abrirá suas portas para Massa apenas por uma questão de nepotismo. Não é possível! Aqui no Brasil ainda vai. Mas não maior equipe de Fórmula 1 de todos os tempos.
De novo, não se trata de torcer contra Massa mas é que não vejo nele, no momento, nenhuma condição objetiva de se tornar um segundo piloto razoável que seja para Michael Schumacher – e lá vamos nós, de novo, ouvir aquelas justificativas pedestres, invariavelmente começando por um “foi uma pena, mas…”
Abraços (EC)
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