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| 13.11.08 |
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| 18.12.08 |
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| 05.12.2008 |
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17.12.08 - Ricardo Divila |
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01.12.08 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 21.06.05 |
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| Fim de feira, digo, de corrida em Indy |
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No fundo no fundo, o mensalão de Indianápolis é parecido ao de Brasília: apenas um fato banal, corriqueiro, desses que acontecem o tempo todo – corrupção lá, erro técnico ou de avaliação aqui.
Só que o que chamei de fato banal aconteceu na hora errada, quando todo mundo já está pelas tampas e a imprensa louca para riscar um fósforo em meio a toda aquela gasolina.
Como a corrupção da política, erros na Fórmula 1 acontecem o tempo todo. O que matou Senna foi um erro, um erro elementar de um soldador descuidado provavelmente agravado por um engenheiro que avaliou mal o remendo em um projeto que, aliás, já havia nascido errado.
O que causa o desempenho sofrível da Ferrari este ano é um erro de concepção dos engenheiros da Bridgestone, provavelmente piorado por um projeto torto do F2005.
O que causou todo o rebuliço domingo, em Indianápolis, foi um erro basilar da Michelin, levando para lá pneus incapazes de resistir às demandas da pista (suspeito que este erro tenha sido motivado por alguma pressão ou contra-pressão na luta entre McLaren e Renault mas isto é apenas um chute meu).
Um erro, mais um, ainda que bem grande, em meio às dezenas de erros que vemos encobertos diariamente por mim, por você, pelas empresas, políticos e equipes de Fórmula 1.
E o regulamento nesta história toda? Não tem culpa?
Tem sim mas acho que o problema é bem mais embaixo, mais precisamente no muro.
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| Monteiro, o único ser humano feliz, domingo em Indy |
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Tijolo a tijolo, a Fórmula 1 construiu um muro que separa os negócios do esporte, aquela atividade algo inocente que simbolizava num passado distante amizade, cavalheirismo, respeito, honestidade de propósitos e métodos.
Como a Fórmula 1 em massa optou por passar para o lado do muro, onde o que dita a regra é apenas poder e grana, a categoria não pode apelar para a esportividade na hora de uma crise tão aguda e, ao mesmo tempo, tão fácil de resolver.
Parece óbvio que a Fia deveria ter flexibilizado as coisas para as equipes da Michelin. É óbvio que a Ferrari, Jordan e Minardi deveriam aceitar esta flexibilização em benefício do público do mundo inteiro e da penetração da categoria nos Estados Unidos, o único país onde a Fórmula 1 não é sinônimo de pico do automobilismo. Um leitor chegou a sugerir: era só conceder o direito da Michelin trocar os seus pneus no domingo e estender este mesmo direito numa próxima corrida à Bridgestone.
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| Rubinho, um dos perdedores em Indy |
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Está aí uma solução perfeitamente compreensível para um esportista mas que soa pornográfica para quem saltou o muro para o lado de lá.
- O que? E como é que eu vou saber quando o meu adversário (inimigo?) vai usar esta vantagem e em que circunstâncias? Não, não. Melhor não ceder nada.
- Mas teremos uma corrida com apenas seis carros.
- Que se dane, se o meu for um deles.
- Não será.
- Então que se dane e pronto.
- Mas e o público?
- Que se dane também. Já pagaram o ingresso e na semana que vem ninguém lembra mais de nada.
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| Schumacher com cara de Zé Dirceu |
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É assim que se estabelece aquilo que os estudiosos chama de negociação perde-ganha, onde não há empate, apenas, na teoria, um vencedor e um perdedor.
Sabe qual o resultado mais freqüente de negociações deste tipo? Exatamente o que aconteceu no domingo em Indianápolis, onde ninguém ganhou e todo mundo perdeu, inclusive o Michael Schumacher, que subiu ao pódio como uma enorme cara de José Dirceu, só comparável a que o Rubinho deve ter ficado quando exagerou na freada e perdeu a corrida para o alemão.
E como no escândalo do mensalão, doem as formalidades da história toda.
Por que os carros encenaram aquele ridículo grid, com todos os pilotos da Michelin vestindo-se como se fossem a um baile de carnaval, os mecânicos carregando aquela tralha toda até a pista?
Porque assim a Fórmula 1 – Bernie e as equipes -, formalmente, cumpriu seu compromisso contratual com o organizador da corrida, livrando-se de um processo de milhões de dólares.
Por que as equipes não anunciaram antes da corrida a sua decisão de não competir (aliás, numa decisão cuja sensatez deve ser elogiada, dada a insegurança dos pneus).
Porque provavelmente muitas emissoras de TV não transmitiriam a prova ou, pior do que isso, a pobre audiência indefesa – inclusive eu e você – seguiríamos a sábia decisão do Panda, de ir almoçar com a família ao invés de plantar-se na frente da TV para o lamentável espetáculo.
O muro complexo e multifacetado como a própria vida que a Fórmula 1 ergueu só pode ser derrubado se a esportividade vencer, como vencia até meados dos anos 70.
Não há regulamento – nunca haverá - que compense a falta de esportividade, por mínima que seja, da mesma forma que não há lei capaz de coibir toda a corrupção na política. A melhor arma contra a corrupção é a honestidade; o melhor regulamento para a Fórmula 1 é a predominância do espírito esportivo.
Mas é tarde demais, é inocência demais. O muro ficou alto e forte, as passagens foram todas cuidadosamente vedadas. Como na política, nos sobra pagar o pato, hoje e sempre.
Eduardo Correa
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