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| » » » 06.06.05 |
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Segurem as canelas porque aqui vão dois palpites:
1 – a bronca de Rubinho contra Michael Schumacher e a Ferrari tem a ver com a renovação do contrato do brasileiro.
2 – Não pode ter sido só a quadratura do pneu do McLaren que causou o pavoroso acidente de Kimi Raikonnen em Nurburgring.
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| Rubinho testando seu Ferrari semana passada, em Silverstone |
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Interpretei inicialmente as reclamações de Rubinho em Mônaco como uma mistura de inocência, destempero e raiva de si próprio, por não defender-se do companheiro, algo elementar numa pista estreita.
Depois comecei a pensar que era inocência, destempero e raiva demais e lembrei-me de irritação semelhante demonstrada por Rubinho às vésperas de outras renovações de contrato.
Eu sei que Rubinho tem contrato com a Ferrari também para 2006 mas ele pode estar brigando com a equipe tanto por mais dinheiro (o contrato pode ter deixado em aberto este pormenor ou então o subordinado a certos resultados) ou pela extensão do acordo para 2007. Vem a favor do meu palpite o boato de que Schumacher estaria estendendo a sua permanência na equipe.
Quanto ao acidente de Kimi, não posso acreditar que apenas a trepidação de um pneu desgastado por várias travadas tenha levado a um colapso explosivo a suspensão do McLaren.
Naturalmente que não tenho nenhuma informação técnica para basear o meu palpite mas intuo um defeito no ataque entre a suspensão e a roda do carro. Naturalmente que o estado do pneu pode ter tornado agudo o problema mas não acredito, repito, que tenha sido apenas ele o causador da quebra.
E por que a McLaren preferiu debitar toda a responsabilidade pelo acidente a um pneu desgastado? Porque assim livra a própria cara de quebras bizarras e inaceitáveis, como as centenas que acontecem na Fórmula 1 e raramente ficamos sabendo. Eles devem ter pensado que ninguém em sã consciência criticaria a Michelin por problema em um pneu tão castigado.
E o dedo de Deus fez com que o acidente saísse barato. Já pensaram no que teria acontecido se o McLaren de Kimi pegasse em cheio o carro de Button, que freava para entrar na curva?
Falando em pneus, é bom prestar atenção à notícia do jornal Daily Telegraph, divulgada pelos nossos parceiros do grandepremio.com.br, segundo a qual a Bridgestone pode ter “encontrado algo".
Recentemente palpitei que a Bridgestone e a Ferrari devem recuperar a competitividade ainda que seja tarde demais para disputar o campeonato. Mesmo porque creio que ninguém mais acredita nas palavras de Ross Brawn, de que o F2005 é o melhor Ferrari já construído. O carro simplesmente não consegue ser rápido na classificação e na corrida.
Ron Dennis revelou recentemente que a estratégia de pit stops da McLaren desde o começo da temporada não mais é decidida nos boxes mas sim por engenheiros e computadores instalados na sede da equipe, na Inglaterra.
Um sistema de telecomunicações permite que se monitore de lá o desempenho dos McLaren, compare-o aos tempos de volta da concorrência, pondere tudo pela duração da corrida e determine o melhor momento de reabastecer, dentro de táticas pré-determinadas.
Legal, não? Próprio da McLaren está iniciativas ultramodernas, ultrasofisticadas. Só que quase dá zebra em Mônaco.
Quando o safety car entrou na pista, na 23ª volta, Kimi começou a gritar pelo rádio: reabasteço agora? E nada da equipe responder. Talvez algum computador tenha travado na Inglaterra ou os engenheiros atrapalharam-se com o mar de dados. O fato é que acabaram concluindo que não era um bom negócio parar naquele momento só que, quando a resposta finalmente chegou a Mônaco, Kimi já havia passado pela entrada dos boxes.
Pois é. É por estas e outras, muitas outras, que palpito que algo de mais complicado aconteceu ao carro de Kimi em Nurburgring.
E mais uma coisinha sobre o GP de Mônaco.
Não sei de vocês mas eu nunca vi uma roda de Fórmula 1 se desintegrar como se desintegrou a do carro do Ralf, depois daquele ridículo acidente nos treinos.
Alain Prost disse, ao completar 50 anos na semana passada, que Ayrton Senna aos poucos foi se aproximando de sua maneira de pilotar. Bela descoberta!
Senna, de fato, percebeu que um ganhador de GPs precisava de mais do que um entusiasmo adolescente e velocidade suicida. Ele teve bastante disso nos seus primeiros anos de carreira mas descobriu a luz, principalmente depois daquele incidente em Mônaco 88, quando bateu tolamente o seu carro mesmo tendo grande vantagem sobre Prost, 2º colocado na prova.
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| O McLaren de Senna, em Monaco 88, logo após a batida |
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Foi naquele momento preciso que Senna começou a dar o salto final, deixando de ser apenas um grande piloto e passando à categoria dos excepcionais. Ele aprendeu a dosar suas forças, a manter a concentração, a combinar velocidade e consistência, a saber a hora de ousar e a hora de se conter.
É isso o que Jackie Stewart chamou de quebrar a barreira da vitória. A partir do momento em que um piloto a ultrapassa, normalmente percebe como pode ser fácil ganhar um GP.
Já falei sobre esse fenômeno aqui antes, assim como no meu livro, mas sempre fico com a impressão de não ter explorado convenientemente o tema. Ganhar alguns GP não é o bastante para romper a barreira. É o caso de Rubinho, por exemplo. Eu próprio queimei a língua ao palpitar aqui, tempos atrás, que ele “talvez” a tivesse rompido. Definitivamente não o fez.
Alonso e Kimi passaram por ela? Tudo indica que sim e não deixa de ser sintomática a maneira pela qual o espanhol faturou o GP da Europa, numa vitória para Prost nenhum por defeito.
Juan Pablo Montoya é outro que não rompeu a barreira mas é meu palpite que ele está na eminência de ganhar algumas corridas, podendo mesmo fazê-lo diante de um Kimi com carro perfeito. O colombiano voltou da sua convalescência definitivamente com outro ânimo e fez boas corridas em Mônaco e Nurburgring.
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| O acidente envolvendo Montoya logo após a largada em Nurburgring |
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Aliás, no bolão do qual participo – www.f1bolao.com.br - cravei Montoya na cabeça para ganhar o GP da Europa. E era uma bela aposta caso ele não fosse tocado por Mark Webber logo na largada. Provavelmente Montoya teria saído daquela curva com a 3ª posição, ganharia o 2o lugar do Alonso nas voltas seguinte ou no pit stop e depois era só esperar pela quebra do companheiro de equipe.
Como não acertei o vencedor do GP da Europa, estou apenas em 2º no f1bolão, dois pontos atrás do líder, em meio a 190 participantes, depois de sete GPs.
Nada mau para um jornalista palpiteiro…
Boa semana a todos
Eduardo Correa
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