Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
17.12.08 - Ricardo Divila
Ingo, grande Ingo
Grande respeito!
01.12.08 - Ernesto Rodrigues
Lastro ou nitro?
Bate neles, Rubinho!
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Eduardo Correa » 16.05.05
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Adrenalina 16.05.05
Não tenho, infelizmente, qualquer experiência de pista. Sequer de kart indoor, a despeito dos repetidos convites do Panda e do Ico. Tenho resistido aos convites, não tenho vergonha de confessar, por medo puro e simples – medo de, uma vez fisgado pela competição e pela velocidade, largar casa, família, trabalho e até o GPTotal para me dedicar só a isso.

Contudo, já experimentei algumas poucas vezes o prazer de uma perseguição ao volante. Uma delas, no limite extremo da sensatez, num começo de noite estrelada em uma estrada sinuosa e de pista única no litoral paulista, vinte e tantos anos atrás.

Estava dirigindo o carro de um amigo que, meio de pileque, tentava cochilar no banco detrás. À minha frente, alguém que nunca conheci - aproveito o espaço para reverenciar-lhe o sangue frio e habilidade – e topou a brincadeira. Num instante, estávamos retardando perigosamente as freadas, ultrapassando “retardatários” como tresloucados, abusando de câmbio e acelerador como se disputássemos troféus e glórias.

Uma molecagem, uma criancice. Mas ao término do percurso senti a adrenalina fluindo em minhas veias e uma satisfação extrema de ter desafiado a estrada, a máquina e meu “competidor” e saído inteiro – mesmo sem ter conseguido a ultrapassagem.





Lembrei-me desta passagem singela depois da bela corrida da Stock Cars, ontem, em Curitiba, marcada mais uma vez pela disputa entre Cacá Bueno e Giuliano Losacco. 

Cacá no exato momento em que assumia a liderança, em Curitiba.

A perseguição implacável de Cacá sobre o adversário, provavelmente com os freios não funcionando perfeitamente, rendeu uma ultrapassagem milimétrica, quase cirúrgica, tornada possível porque Losacco cedeu na entrada daquela curva talvez uns 50 centímetros a mais do que deveria ceder. Colado a ele, Cacá não desperdiçou a oportunidade. Colocou o carro por dentro, terminou de freá-lo encostando no carro de Losacco, como é de rigor na categoria e, daí em diante, não mais perdeu o controle da prova, confirmando a condição de melhor piloto em atividade no Brasil.

E por mais experiente que seja, Cacá também traiu a adrenalina da perseguição, sapateando no pódio, enquanto esperava pelo troféu. 

E ainda tem gente que não considera o automobilismo um esporte.





Impressionou o grid de 40 carros largando em Curitiba, um grid onde cabem alguns pilotos com experiência na Fórmula 1 e na Indy e vários com experiência internacional. A organização das equipes, o assédio de dar inveja dos patrocinadores, o público que lota os autódromos e mesmo a qualidade das imagens para a TV mostram uma realidade saudável e animadora.

Mas os procedimentos de largada, em compensação, foram de lascar...




Rindt e Stewart no GP da Inglaterra 69, quando trocaram de posição mais de 30 vezes.
Pensei em escrever nesta coluna sobre a amizade entre Jochen Rindt e Jackie Stewart, tema de uma linda reportagem na edição de abril da revista inglesa Motorsport.

Queria lembrar os tempos da Fórmula 1 onde isso era possível. Não creio que hoje dois pilotos da categoria peguem um cinema juntos antes de uma corrida como os dois fizeram, ou um se disponha a procurar uma casa na vizinhança para o outro. Queria contar essas coisas e também falar de um tempo em que as corridas eram capazes de cobrar a vida de três dos melhores pilotos da Fórmula 1 – Piers Courage, Bruce McLaren e o próprio Rindt - num intervalo de 75 dias.

Queria lembrar também que já naquela época o dinheiro era uma coisa importante, capaz de fazer com que Rindt pilotasse para a Lotus, uma equipe que, decididamente, não apreciava por considerar seus carros frágeis demais, assunto no qual Ico já tocou aqui no site. 

Pensei ainda em inserir na história Emerson Fittipaldi, recém chegado à Fórmula 1 e que se tornou um pouco o pupilo de Rindt. Os dois tomaram café juntos na manhã em que o austríaco perdeu a vida e ele propôs a Emerson assumir o lugar dele na equipe de Fórmula 2 que tinha em sociedade com Bernie Ecclestone. Rindt estava na pista quando Emerson fez o seu primeiro teste pela Lotus e, entusiasmado com a rapidez com que o brasileiro derrubava os tempos de volta, acabou indo para o muro dos boxes com a placa de sinalização das mãos. “Era como se os Beatles se dispusessem a acompanhar uma banda de garagem em seu primeiro ensaio”, escrevi tempos atrás.

Eu terminaria a história como termina a reportagem de Motorsport: com Stewart correndo até a pick up onde o corpo de Rindt jazia sem vida – ele percebeu logo isso porque não viu sangue verter de uma grande ferida na perna do amigo. E o corpo de Rindt estava lá, sozinho, a não ser por um padre.

Pensei em falar de tudo isso mas, como o fim da história é tão triste, faltou-me adrenalina. Fica para uma próxima vez



Brabham e seu Cooper no GP de Pescara.

Na mesma edição de Motorsport, um leitor envia pergunta ao tricampeão Jack Brabham - “Falso ou verdadeiro: no GP de Pescara de 57, você fica sem combustível e estaciona o carro em um posto de combustível à beira da pista. Um homem aparece, põe um pouco de gasolina no tanque e você segue a corrida”.

Resposta de Brabham: “sim. É isso mesmo”.

Boa semana a todos.

Eduardo Correa
 Leia mais colunas de Eduardo | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação