 |
 |
|
| Comente |
| 13.11.08 |
 |
|
 |
|
| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 21.11.08 |
 |
|
 |
|
| Friends |
| 21.11.2008 |
 |
|
 |
|
| Pergunte ao GPTotal |
| Julho |
 |
|
 |
|
|
|
 |
|
12.11.08 - Carlos Chiesa |
 |
|
 |
|
|
11.10.08 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 20.07.08 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
|
|
 |
|
Pode ser reduzido a “um lance de sorte” o segundo lugar obtido por Nelsinho Piquet no GP da Alemanha, disputado neste domingo, em Hockenheim. Afinal, o destino do brasileiro se definiu quando a Renault chamou-o para trocar pneus pela primeira vez apenas na 35ª volta, exatamente quando o alemão Timo Glock bateu forte sua Toyota e forçou a entrada do safety car na pista.
Como um personagem fora do enredo, de repente Piquet viu-se entre os primeiros colocados, já que onze dos dezenove pilotos pararam em seguida para reabastecer e trocar pneus. Sobraram, lá na frente, o líder Lewis Hamilton, o alemão Nick Heidfeld e o improvável Piquet, cabisbaixo na véspera, por ter se classificado apenas em 17º lugar no grid, doze posições atrás do companheiro Fernando Alonso.
A sorte, finalmente com a cara virada para Piquet, guindou-o à liderança da prova, quando Hamilton e Heidfeld também tiveram de parar, para um segundo pit cada um. Se, na véspera, Alonso alfinetou que o parceiro precisava começar a mostrar serviço para ajudar o time, neste domingo, o espanhol provou do próprio veneno. Não apenas viu Piquet alcançar um já inimaginável pódio para a Renault como ficou, ele mesmo, fora da zona de pontos.
Enquanto, lá na frente, Piquet vivia seu conto de fadas, a batida de Glock e a subseqüente estratégia atrapalhada da McLaren jogavam Hamilton em um drama inesperado. O inglês, que liderava soberano o final de semana inteiro, viu-se com dois leões à frente para matar. Fez seu pit stop tardio e voltou em quinto lugar. Um dos oponentes era café com leite, não contava – seu companheiro de equipe, Heikki Kovalainen. Por este, passou sem susto, só faltou a buzinadinha camarada que se usa no trânsito para agradecer a passagem. No entanto, teria pela frente o rival Felipe Massa, com quem luta diretamente pelo título, e o inesperado Piquet, ainda líder.
É fato que Hamilton e a McLaren “sobraram” durante todo o final de semana, na Alemanha, oferecendo todas as evidências de que ali estava o melhor conjunto da pista. Mas evidências não fazem ultrapassagens, e lá foi Hamilton para cima de Massa e de Piquet. Nos dois casos, locupletou-se da mesma manobra. Os dois brasileiros ofereceram o lado de dentro da mesma curva ao inglês, talvez avaliando que o trecho de fora oferecesse melhor aderência, para uma freada tardia. Levaram a pior, os dois. Massa ainda tentou revidar, mas a McLaren estava diabólica nesta tarde em Hockenheim. As duas ultrapassagens de Hamilton poderiam ser reduzidas a dois erros dos oponentes, somados à evidente superioridade da McLaren em relação à Ferrari e à Renault.
Avaliações como estas – o “lance de sorte” de Piquet, os erros de trajetória dos rivais de Hamilton – sempre me parecem com as explicações futebolísticas para pênaltis defendidos. É mais comum ressaltar o erro do cobrador do que enaltecer a perícia do goleiro. Como se Piquet não tivesse mérito nenhum em conduzir o carro sem erros, e sob pressão, durante quase metade da corrida. E como se Hamilton não merecesse o reconhecimento por duas ultrapassagens fundamentais, que podem ser lembradas no futuro como decisivas para este campeonato. A primeira, sobre Massa, rival direto pelo título. A segunda, sobre Piquet, garantindo-lhe a quarta vitória no ano.
Momentos depois da festa do pódio, na entrevista coletiva, Hamilton parecia mais aliviado que entusiasmado. Nós, sentados em frente à TV, vibramos com ultrapassagens, reviravoltas, pistas molhadas e incidentes de toda sorte, e até almejamos tudo isso. Piloto quer mesmo é largar na pole, liderar de ponta a ponta, fazer a melhor volta, inconteste, dominante, acima de qualquer dúvida.
Quando recebeu a bandeirada em primeiro, Hamilton encerrava o último ato de uma peça que ele não tinha ensaiado. O roteiro era largar em primeiro, ser escudado por Kovalainen, abrir vantagens que lhe garantissem pit stops tranqüilos. Em vez disso, o primeiro furo foi a largada indecisa do companheiro, que não conseguiu tomar o segundo lugar de Massa. Ainda que o coadjuvante tivesse falhado, Hamilton seguia passo a passo seu script, abrindo uma distância cada vez maior do brasileiro.
Daí veio o acidente de Glock, e o safety car, e o erro de estratégia da McLaren. Hamilton teve de partir para o improviso. Talvez Ron Dennis tenha apenas cometido um erro, ou talvez seja um diretor sádico, que calculou a possibilidade de Hamilton fazer o que fez, pela superioridade explícita da McLaren, e achou por bem expor seu piloto preferido à prova. Como a ave selvagem que joga o filhote do ninho, do alto do penhasco, confiando que ele vai se virar sozinho, lá nas alturas, antes de se estatelar cá embaixo.
Há algumas semanas, depois de quatro vitórias seguidas da Ferrari, houve quem avaliasse o campeonato atual como uma disputa particular entre Kimi Raikkonen e Felipe Massa. Erros somados – da equipe italiana e de seus pilotos – permitiram que Hamilton assumisse a liderança da disputa. É certo que Hamilton também errou, um erro crasso no GP do Canadá. Sofreu as conseqüências desse erro também na França, punido com dez posições no grid. Dali para frente, venceu duas corridas.
No início deste ano, na coluna de 14 de março, “Feliz campeonato novo”, defendi uma tese arriscada, pela qual a superioridade da Ferrari, em 2007, foi circunstanciada pela punição à McLaren e pelos erros seguidos de Hamilton, nas provas da China e do Brasil. Por essa tese, o melhor carro do campeonato, de 2007 e de 2008, seria o da McLaren, e não o da Ferrari. Pois Hamilton venceu pelo menos duas provas, neste ano, demonstrando a superioridade da McLaren – na Austrália e na Alemanha. As duas outras vitórias – em Mônaco e na Inglaterra – foram sob chuva, naquelas condições adversas em que ele parece agigantar-se.
A oito corridas do final, uma brevíssima análise do que trazem as próximas pistas. Hungria, traçado de baixa, amplamente favorável à McLaren. Valência, pista de rua, desconhecida de todos, mas certamente travada, provavelmente favorecendo a McLaren e sua melhor aerodinâmica. Na seqüência, duas pistas teoricamente favoráveis à Ferrari: Bélgica, na qual Kimi venceu em 2007, e Itália, que, mesmo sendo pista de alta, viu um passeio da McLaren no ano passado. Depois disso, a Fórmula 1 viaja para o Oriente e encara a estreante Cingapura, outra pista de rua. Apesar da novidade e de pairar como incógnita, o circuito urbano tem tudo para favorecer novamente a McLaren.
A prova seguinte, no Japão, acontece na mesma pista de Monte Fuji na qual Hamilton venceu no ano passado, debaixo de muita chuva. Na China, o inglês começou a perder o título no ano passado, depois de um erro na entrada do box, quando liderava a prova. Apesar da vitória de Raikkonen, a McLaren andou muito bem lá. Além da pole e da liderança de Hamilton, teve Alonso em segundo lugar. Por fim, o Brasil, no qual a Ferrari dominou amplamente.
Felipe Massa, depois da corrida de Hockenheim, parecia sereno, mais interessado em cumprimentar Piquet pelo primeiro pódio do que em falar sobre si mesmo. Parecia, mais que isso, resignado com a superioridade da McLaren. Parecia, também, tranqüilo. Talvez revelando o conforto de estar à frente do companheiro de equipe. A Ferrari, tradicionalmente, trabalha unida pelo piloto com mais chance de ser campeão. Estar à frente de Kimi, já na segunda metade do campeonato, pode garantir essa supremacia a Massa. Pode ser que ele se mantenha sereno por já ter tudo combinado com o parceiro. Falta combinar com o adversário.
|
|
 |
| | |
|
|
 |