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| 17.08.2011 |
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| 10.05.11 |
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| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 16.08.11 |
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| Pergunte ao GPTotal |
| Julho |
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29.07.11 - Carlos Chiesa |
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21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
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| » » » 21.08.06 |
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| 11 de setembro: o fim da Idade Contemporânea? |
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Em algumas décadas, talvez os historiadores cheguem ao consenso de que a Idade Contemporânea terminou em 11 de setembro de 2001, com os ataques suicidas às Torres Gêmeas do World Trade Center e ao Pentágono. Pode ser que, até lá, a humanidade tenha descoberto que tudo aquilo foi uma farsa, mas acho difícil que o mundo consiga se enxergar o mesmo a partir daquele evento. Se assim for, o tempo vai sacramentar a idéia de que o GPTotal nasceu no ocaso da Idade Contemporânea, pois foi ao ar pela primeira vez em 20 de agosto de 2001.
Com a certeza de que o conteúdo da internet ficará preservado e que, neste exato instante, quem lê esses registros arqueológicos do GPTotal pode ser um jovem ou uma garota do século 22, sinto-me na obrigação de aclarar alguns pontos. Talvez até tenhamos nascido nos estertores da Idade Contemporânea, mas isso não nos descredencia como testemunhas de muitas e profundas mudanças neste nosso mundo, o mundo da Fórmula 1.
Quando chegamos aqui, o alemão Michael Schumacher era apenas tricampeão, mas com uma já extensa folha corrida de ocorrências diversas. Em pouco tempo, iria se sagrar tetra, com o auxílio luxuoso de um piloto brasileiro que, naquela altura, exibia apenas uma (mas maiúscula) vitória na categoria. Rubens Barrichello, o fiel escudeiro, ainda se achava mais que o segundo piloto da Ferrari, mas pelo menos já tinha abandonado o discurso risível de que era o piloto "1B" do time italiano.
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| Barrichello e Schumacher, Zeltweg 2002: sorrisos constrangidos, chuva de e-mails |
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No ano seguinte, a dupla da Ferrari protagonizaria uma das maiores polêmicas do GPTotal. Zeltweg, 2002, GP da Áustria. Barrichello lidera, Schumacher aproxima-se sem condições naturais de passar o companheiro. Na última volta, a ordem vem pelo rádio. Barrichello diminui e deixa Schumacher passar. A arquibancada irrompe em vaias e polegares apontando para baixo. Faltaram os leões das arenas romanas, sobraram sorrisos constrangidos no pódio, choveram e-mails no GPTotal. Um fato ocorrido poucos meses antes da estranha corrida contribuiu enormemente para turbinar a audiência do GPTotal, quando o site passou a ser parceiro do Grande Prêmio, site noticioso comandado pelo jornalista Flavio Gomes.
Incumbido de escrever a coluna naquele domingo, Eduardo Correa sentiu na hora o cheiro da polêmica e propôs a Luiz Alberto Pandini que também escrevesse sobre a tristemente célebre corrida. Naqueles tempos, o site tinha um formato muito diferente, como se fosse uma troca de cartas entre os dois colunistas. E, seguindo uma escala prévia, cada um escrevia sobre uma corrida, sendo "respondido" em suas colocações na coluna seguinte do outro.
Era Dia das Mães no Brasil. Pandini mal aproveitou sua feijoada. Interpelado pela parentela toda, e já prevendo o cenário de contestação, aprontou uma cópia de seu texto e a fez circular entre familiares chocados, que continuaram a discutir a corrida entre um paio daqui, uma couve mineira de lá. Apesar das vaias austríacas e da estupefação geral, Pandini achou a ordem da equipe muito natural.
Ao longo da semana seguinte, o conteúdo produzido pelos colunistas foi em muito superado pelas manifestações dos leitores do site. Naquela altura, menos de um ano após sua criação, o GPTotal já ostentava uma comunidade de leitores que encontraram no veículo um espaço de discussão altamente qualificado e, acima de tudo, democrático.
Constatar esse verdadeiro patrimônio, naquele momento, foi um híbrido de orgulho e surpresa para dois amantes do automobilismo que, poucos meses antes, haviam decidido tornar públicas suas trocas de e-mails sobre a Fórmula 1. Porque, de fato, foi essa a origem do GPTotal. Edu e Panda escreviam longos e-mails um ao outro, depois de cada corrida, ou simplesmente quando lembravam de algum assunto, normalmente de tempos idos, para comentar. Cientes de que estavam diante de um raro conteúdo histórico, embasando opiniões consistentes, generosos decidiram expor suas mentes enciclopédicas para o mundo.
Se essa é a reconstituição fiel dos fatos, não é totalmente verdade dizer que ali começava o GPTotal. O ano de 2001 sedimentava uma série de resgates, pontas soltas que os anos haviam deixado sem sua justa amarração. O próprio convívio entre e Edu e Panda, retomado no alvorecer do novo século, resgatava um contato antigo, datado de 1994, quando Edu havia lançado seu livro "Pela glória e pela pátria", nos tempos em que Panda editava a revista Grid, da extinta Editora Azul.
Foi o GPTotal, também, quem resgatou o contato com o engenheiro Ricardo Divila, fonte de Pandini quando este ainda era repórter do Jornal da Tarde e o outro, membro da Minardi, na Fórmula 1. Hoje vivendo no Japão, trabalhando na Nissan, Divila é colunista convidado do site e, uma vez por ano, sempre que dá, agenda um almoço com a dupla de amigos, onde mata a saudade de outros dois entes muito queridos - feijão e limonada (limonada sim, não caipirinha, posto que Divila não bebe álcool).
Incorporado ao site primeiro como convidado e logo absorvido como colunista habitual, Luis Fernando Ramos também fez pelas páginas do GPTotal uma espécie de resgate pátrio. Morando em Viena, na Áustria, desde o início do século, é certo que nosso Ico nunca deixou de trabalhar para veículos daqui, mas encontrou no GPTotal uma casa brasileira sempre de portas abertas a qualquer hora do dia, seja em que fuso for.
Outro resgatado para o automobilismo foi o colunista Geraldo "Tite" Simões, experiente piloto de duas e quatro rodas, versado jornalista em ambas as áreas, mas já há algum tempo afastado dos escritos de automobilismo propriamente dito, quando começou a colaborar com o GPTotal.
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| Edu, Alessandra, Castilho, Panda e Tite, em fevereiro de 2005 |
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Quem também representou um reencontro festejado foi o jornalista Castilho de Andrade, ex-chefe de Panda no Jornal da Tarde, que generosamente contribuiu com histórias e casos de sua longa carreira na cobertura automobilística. A esses todos se juntaram outros amigos como o fotógrafo Miguel Costa Júnior, o jornalista Ernesto Rodrigues, biógrafo de Ayrton Senna, e o publicitário Carlos Chiesa, entusiasta do automobilismo pré-Segunda Guerra Mundial.
Mas ficou faltando falar de outros dois resgates significativos. Um deles, genérico e muito amplo, é o resgate da memória do automobilismo de competição que, sem falsa modéstia, ganhou endereço fixo nesta web de tantos caminhos e armadilhas. Junto dessa inestimável retomada, pudemos perceber quantos leitores sentiram-se igualmente resgatados para um período de suas vidas marcado por disputas inesquecíveis, corridas memoráveis.
E por fim, mas não menos importante, coloco-me eu mesma como resgatada para um assunto que, de certa forma, direcionou minha carreira e minha vida. Foi por gostar tanto das corridas que, certo dia, ainda estudante de Jornalismo, achei-me no direito de candidatar-me a uma vaga na editoria de Esporte da Folha de S. Paulo. E, de cara encontrando outro apaixonado da velocidade, Flavio Gomes, fui aceita nesse meio e conquistei meu primeiro emprego. Foi por gostar tanto das corridas que acabei escalada, ainda naquele jornal, para cobrir uma certa corrida de motocross em Curitiba, na qual conheci um certo repórter do Jornal da Tarde que, um ano e pouco depois, se tornaria meu marido.
A rota da vida foi me afastando do automobilismo enquanto profissão, sem que ele deixasse de fazer parte das manhãs de domingo. Minha relação próxima com o GPTotal foi se tornando tão irremediável a ponto de eu mesma me tornar colunista convidada. Nunca me pediram, os editores, que escrevesse assim ou assado, mas por conta própria me propus a abordar a Fórmula 1 sob um ponto de vista diferente dos historiadores gabaritados ou dos polemicistas juramentados.
Talvez ainda existam aqueles que acham a mulher incapacitada para escrever sobre corridas (ei, jovem ou garota do século 22, por favor: digam que isso já não é verdade!). Talvez a Idade Contemporânea não tenha se encerrado com o 11 de setembro, mas com a paz definitivamente selada entre árabes e israelenses. Isso, neste instante, importa menos do que saber que de uma troca de e-mails nasceu uma história intensa e profunda o suficiente para mudar a vida de todos nós.
Obrigada, leitores do GPTotal!
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