 |
 |
|
| Friends |
| 17.08.2011 |
 |
|
 |
|
| Comente |
| 10.05.11 |
 |
|
 |
|
| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 16.08.11 |
 |
|
 |
|
| Pergunte ao GPTotal |
| Julho |
 |
|
 |
|
|
|
 |
|
29.07.11 - Carlos Chiesa |
 |
|
 |
|
|
21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 10.05.06 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
|
|
 |
|
 |
| Schumacher e Hamilton, marfim e ébano na terra de Adolf |
|
 |
 |
 |
O piloto inglês Lewis Hamilton venceu as duas provas da GP2 disputadas no último final de semana, em Nurburgring. O mesmo fim de semana em que a Fórmula 1 fez, nessa pista, seu GP da Europa de 2006. Com as duas vitórias, uma no sábado, depois da definição do grid da Fórmula 1, e uma no domingo, antes da corrida da categoria top, Hamilton encostou em Nelson Ângelo Piquet na classificação da GP2. Agora, apenas um ponto separa o líder brasileiro do vice-líder inglês.
É uma perspectiva natural a ascensão de Hamilton à Fórmula 1, em 2007. Habitualmente, os nomes em destaque da GP2 (substituta da Fórmula 3000) trilham o caminho da Fórmula 1, sendo acolhidos primeiro pelas equipes pequenas, depois livrando-se desses calvários sobre quatro rodas e chegando a times mais competitivos.
O atual campeão, Fernando Alonso, cumpriu a receita praticamente à risca. Depois de ser um dos destaques da Fórmula 3000, na temporada de 2000, Alonso ganhou a chance (ou o castigo) de pilotar um Minardi, em 2001. No ano seguinte, submeteu-se a uma espécie de ano sabático, correndo apenas como piloto de testes, mas da já promissora Renault, assumindo o cockpit titular da marca francesa em 2003. Por isso, não será surpresa se Hamilton desembarcar na Fórmula 1 no ano que vem.
A questão é que a carreira e a ascensão de Hamilton são tão cheias de significados que é impossível ficar indiferente a eles. Este é o quarto parágrafo do texto e ainda não foi mencionado o grande diferencial do personagem Hamilton no automobilismo mundial. Lewis Hamilton é negro e pode ser o primeiro negro a participar de um GP de Fórmula 1. Testes na McLaren ele já fez. Em 1985, outro piloto negro, o estadunidense Willy T. Ribbs, havia testado um Brabham.
Eu poderia ter empurrado essa informação um pouco mais para baixo, dizendo antes que o inglês tem um currículo respeitado como piloto. Nascido em julho de 1985, quando Michael Schumacher já era piloto de kart, Hamilton correu de kart, na Inglaterra, de 1995 a 2001. Em seu primeiro campeonato de monopostos, a Fórmula Renault inglesa, ficou em quinto lugar.
Em 2002, na mesma categoria, foi o terceiro, e o quinto, no Campeonato Europeu equivalente. Levou o título inglês no ano seguinte, já se aventurando em algumas provas da Fórmula 3 inglesa. Estreou no Europeu de Fórmula 3 em 2004, terminando o campeonato em quinto lugar.
 |
| Em 2005, o inglês venceu 15 corridas em 20 no Europeu de F-3 |
|
 |
 |
 |
No ano passado, Hamilton monopolizou o mesmo campeonato. Não apenas foi campeão, mas venceu 15 das 20 provas disputadas.
Hamilton não é um inglesinho lutando contra esse mundo grande. Seu talento e seu potencial de marketing acenderam o interesse de marcas e equipes pela Europa afora. Por conta de seu potencial e da força de sua imagem, tornou-se piloto apoiado pela Mercedes Benz - atenção! - desde os tempos de kart. Como tal, virou protegido de Ron Dennis e não é absurdo imaginar a Hamilton, em 2007, não sobre um calvário sobre rodas, como Super Aguri ou Toro Rosso, mas um dos carros da McLaren. Some-se a isso o fato de que ele disputa a GP2 pela equipe ART Grand Prix, chefiada por Nicolas Todt, filho de Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari. Padrinhos e patentes não faltam ao piloto inglês.
Não sou dada a previsões de qualquer natureza, mas tenho a impressão de que, a menos que Hamilton bata todos os recordes de Schumacher, ele vai estrear e se aposentar na Fórmula 1 ouvindo aqui e ali que só chegou lá por conta dos investimentos da multinacional em sua carreira, por ser pupilo de Ron Dennis, por representar um "ícone politicamente correto", interessante à imagem da Fórmula 1 em tempos de expansão global.
Também já vislumbro correntes diversas e antagônicas comentando os comentários acerca de Hamilton. Se for criticado, os politicamente corretos radicais dirão que as críticas devem-se ao fato de ele ser negro. Se for elogiado, os cultuadores da liberdade de expressão a qualquer preço dirão que os elogios devem-se ao fato de ele ser negro.
De novo, retomo uma cena do extinto seriado Seinfeld, na qual um dos personagens revela a outro sua atração por mulheres negras, e o outro considera o comentário racista. "Ora, racismo não seria se eu dissesse que NÃO gosto de negras?".
Vamos esperar Hamilton chegar lá e ver se o mundo da Fórmula 1 reage adequadamente ao fato de ter um "diferente" entre seus pilotos. Por enquanto, não consigo deixar passar em branco (sem trocadilhos, por favor!) o simbolismo da vitória dupla de Hamilton em Nurburgring. Foi na mesma pista, no mesmo fim de semana, de uma vitória do alemão Schumacher. Lá, na terra de Schumacher. Na terra de Adolf, setenta anos depois de Jesse Owens...
Também em plagas estrangeiras, nosso colunista Luis Fernando Ramos triunfou. Ico completou sua primeira Meia Maratona, em Viena, enchendo de orgulho esta colunista, modesta incentivadora de seus treinos e progressos. Não só porque é tempo de Copa do Mundo, Ico terminou a dura batalha de 21 km exibindo nosso mais importante símbolo nacional, entusiasticamente aplaudido pela torcida austríaca. Parabéns!
|
|
 |
| | |
|
|
 |