Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
21.11.08
Cartas - Segunda quinzena de Novembro
Cartas - Primeira quinzena de Novembro
Friends
21.11.2008
Motores diferentes
Kers: a nova polêmica da F1
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
12.11.08 - Carlos Chiesa
Adeus!
E se o Massa ganhar?
11.10.08 - Ernesto Rodrigues
Bate neles, Rubinho!
O bom e velho filme
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Alessandra Alves » 17.06.05
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
O velho, o menino e o burro 17.06.05

É uma história edificante, daquelas com ensinamento no final. O velho voltava para casa com seu neto e um burro e os três escutavam todo tipo de palpite sobre quem deveria montar ou puxar o animal. Terminavam, o velho e o menino, carregando o burro nas costas, depois de atenderem a todas as sugestões escutadas no caminho. A moral é: quem coloca em prática todo palpite que ouve ou se importa com toda e qualquer crítica recebida corre o risco de fazer grandes bobagens. A moral dessa história não tem nada a ver com Fórmula 1, mas o GP do Canadá me fez lembrar desses três personagens. 

O velho é aquele ser sábio que não se espanta com mais nada na vida. Já viu de tudo e, por conta dessa vivência quase exaustiva, sabe sempre o que está por vir. Por isso, parece adquirir dons de premonição, como se além de sábio fosse também um mago, um guru, um adivinho.

Shumacher no GP do Canadá
O velho é aquele piloto que faz sua 14ª temporada na Fórmula 1 e parece não se iludir com o segundo e o terceiro lugares de sua equipe em uma corrida cheia de quebras e incidentes. O velho é alemão, e talvez mais por isso, do que por ser velho, não exacerba nas suas emoções. Tem quase sempre o mesmo sorriso, uma expressão facial que não crispa os lábios com acinte, não mostra os dentes. Usa-o para as vitórias de ponta a ponta ou para os abandonos. Nos momentos de alegria extrema, dá um pulo, dobra as duas pernas e soca o ar com os dois punhos fechados. Descarrega ali o excesso de alegria e retorna ao sorriso multiuso. Nas horas de raiva e fúria, ninguém sabe, ninguém viu. Talvez quebre uma pilha de pratos ou encha a cara da mulher de alegria, desafogando a emoção extra e voltando em seguida ao sorriso padrão.

Michael Schumacher chegou em segundo no GP do Canadá, bebeu champanhe no pódio, comemorou os pontos somados, mas não saiu do discurso habitual dos últimos tempos: a Ferrari tem muito a evoluir na temporada 2005. O velho Schumacher tem consciência de que foi beneficiado pelas ausências das duas Renault, da McLaren de Montoya, de Button, de Trulli. Schumacher e seu sorrisinho asséptico dão nos nervos de vez em quando, mas dessa vez ele tinha mesmo razão em não mostrar os dentes.

Alonso no GP do Canadá
O menino tem a inocência da infância e a audácia dos desajuizados. Não mede muito as conseqüências de seus atos. Às vezes, como se guiado pelo anjo da guarda, supera os mais velhos feito gênio precoce e, assim, vai deixando de ser menino. Mas conserva um frescor de flor mal desabrochada, um vigor mesclado de hormônios em ebulição e mundo por descobrir.

O menino é tão menino que, se for campeão, será o mais jovem da história. O espanhol Fernando Alonso é um menino que, contra a maioria das expectativas do começo do ano, lidera o mundial. Alonso perdeu a chance de somar pontos no Canadá depois de tocar o muro e danificar sua suspensão traseira. No começo da corrida, viu-se atrás do companheiro Fisichella e, aparentemente, foi orientado pela equipe a não ultrapassar a outra Renault. Depois do leite derramado, o espanhol choramingou com a imprensa de seu país, justificando que sua corrida foi prejudicada pela decisão da equipe de não permitir a ultrapassagem.

Coisa de menino. Li a notícia duas vezes tentando entender o que uma coisa tinha a ver com a outra. Peraí: ele não abandonou porque bateu no muro? O que a estratégia da equipe, no começo da corrida, tinha a ver com isso? É coisa de menino, aquele típico “mãe, não fui eu, foi o Zezinho que quebrou a janela, ele chutou a bola no meu pé e daí que ela bateu no vidro, não fui, não fui eu!”. Alonso poderia até alegar que estava correndo com a espada na cabeça, tentando tirar diferença das McLaren, mas o excesso de pressão não justifica a imperícia. Era só dizer: “Errei, ponto final”. Mas nem todo menino tem a bravura de Daiane dos Santos, que perdeu o ouro na Olimpíada e não atirou para ninguém. Disse apenas um “errei” que encerrou o assunto.

Montoya no GP do Canadá
O burro é o produto do cruzamento de um jumento com uma égua. Tal acasalamento gera uma criatura forte, resistente e ao mesmo tempo dócil. Como se trata de um descendente de duas espécies diferentes, o burro nasce estéril, não podendo se reproduzir. Na linguagem coloquial, burro é o sujeito de pouca inteligência.

É deselegante e pesado chamar alguém de burro e eu, que me criei em colégio de freiras, não faria isso. Mas fico tentando achar outra definição para alguém que pratica esporte de risco em seu momento de lazer, fratura a clavícula e fica fora de duas corridas, diminuindo enormemente sua chance de ser campeão. Como qualificar um piloto, campeão nos Estados Unidos, vencedor em Indianápolis, que não enxerga ou ignora um sinal vermelho na saída do box e acaba desclassificado?

OK, talvez o burro não seja Juan Pablo Montoya, afinal a McLaren não o avisou para entrar no box e reabastecer no momento ideal para garantir talvez sua vitória ou pelo menos uma dobradinha óbvia com Kimi. (Como no caso da imperícia de Alonso, não vale a Montoya apoiar-se nessa bengala para justificar o sinal vermelho ignorado e ele, de fato, não o fez, saiu-se com o “ninguém é perfeito”, esclarecendo o que o mundo inteiro já desconfiava.)

Se a definição de burro aponta um ser forte, resistente e ao mesmo tempo dócil, aí é que o colombiano não se encaixa mesmo. Pergunte ao câmera, aquele que inadvertidamente esbarrou o equipamento no piloto algum tempo atrás, sobre a suposta docilidade de Montoya. O homem quase apanhou do piloto, contido apenas por sua mulher, bastante constrangida. A moça, aliás, deu à luz um descendente de Juan Pablo há poucos meses. Ao contrário do burro, infértil não é.

Resisto a rotular um ser humano de burro. Talvez o fizesse apenas protegida no anonimato da multidão, gritando em coro com a torcida do meu time, depois de uma substituição equivocada. Mas rodo, rodo e não encontro palavra para qualificar uma desqualificação tão estúpida...



Pescarollo/Judd de Le Mans
A sexta-feira começou alvissareira para a turma do GPTotal. Da França, chega a boa notícia: os Pescarolo/Judd de número 16 e 17 largam em primeiro e segundo no grid das 24 Horas de Le Mans, cuja largada acontece ao meio dia deste sábado. Pilotados respectivamente por Emmanuel Collard e Sébastien Loeb, os carros têm como engenheiro chefe nosso amigo e colunista convidado, Ricardo Divila. Boa sorte! Allez!
Alessandra Alves
 Leia mais colunas de Alessandra | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação