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| » » » 17.08.10 |
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Com a Honda, quatro temporadas, de 2000 a 2003, três títulos mundiais, 64 GPs disputados, 33 vitórias, 54 pódios.
Com a Yamaha, sete temporadas, de 2004 a 2010, quatro títulos mundiais, 108 GPs disputados, 45 vitórias, 78 pódios. Como será com a Ducati?
Valentino Rossi anunciou em Brno, no GP da República Tcheca: vai pilotar para a equipe oficial Ducati em 2011. Falou o que se sabia já há algum tempo, mas de uma forma que ninguém previa, através de uma carta manuscrita. Uma declaração de amor à sua moto, a Yamaha M1, com a qual estreou vencendo. Como ele mesmo escreveu na tal carta, transformou "uma pobre MotoGP habituada na metade do grid, ridicularizada por muitos pilotos… na primeira da classe." Fato!
Já dissemos aqui mesmo que Rossi é o maior piloto da atualidade, em todos os sentidos, entre todos os atuais pilotos de todas as categorias do esporte a motor mundial. Mas além de ser o melhor, o expoente que todos queriam ser, é especial também fora da pista. Imagine só se alguns destes pilotos do atual grid da F1 teria a verve, o senso de naturalidade e o desprendimento de:
1. Divulgar uma carta manuscrita, expondo a própria caligrafia, e rabiscando o que escreveu de errado, pouco se importando com a forma mas sim com o conteúdo.
2. Agradecer sem medo de ser politicamente incorreto ou pouco diplomático, nomeando os que o ajudaram e…
3. Não nomear nos agradecimentos simplesmente o diretor geral da equipe, Lin Jarvis.
No engessado mundo da F1 tais "exoticidades" não teriam lugar. Imaginem só se um sujeito sem graça como Michael Schumacher ou outro mais engraçadinho, como Sebastian Vettel ou Lewis Hamilton, seria capaz (ou se sentiria livre) para encerrar seu período de trabalho com time A ou B usando de liberdade, graça, criatividade e desfaçatez?
Inimaginável. E este estado de engessamento que transparece de eventos como o polêmico "deixa o Alonso passar" ou a fechada de porta assassina aos danos do Barrichello, ambas manobras que, se bem geridas, reputo normais e componentes do esporte a motor, mas que na doente F1 se "overdosificam" (ave!), se potencializam pois no ambiente há o exagero não saudável.
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| Vale, comemorando sua primeira vitória com Yamaha, em 2004 |
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E Valentino Rossi é saudável, mesmo quando quebra a perna. E é saudável mesmo quando se despede da poderosa Yamaha patrocinada pela também poderosa Fiat e vai para as asas da Marlboro, que banca as ações da pequena fabriquinha de Bolonha na MotoGP, que é quase uma "de fundo de quintal" se comparada às gigantes rivais nipônicas.
Pequena mas encardida, a Ducati soube – através de arte e engenho – colocar seu pescocinho fora do engradado e dar "molho" inédito ao mundo do motociclismo, vencendo, fazendo sonhar fãs do mundo inteiro, boquiabertos com a incrível Desmosedici. Davi contra Golias, motocicleta obra de arte sobre duas rodas saída da prancheta de um paraplégico, Filippo Preziosi, homem que muito jovem, aos 26 anos entrou na Ducati para colar seu nome a motos como a 916, 998, 999 e finalmente esta Desmosedici. E antes de criá-la, brincando de rali-raid em férias nas areias africanas - claro que sobre uma moto - perdeu o movimento das pernas mas não o amor por elas.
Que história! Paixão genuína.
E Rossi pilotará a apaixonante "rossa" em 2010. Não a chata Ferrari, comandada por automatos, fria, desmesuradamente alheia ao que acharão, acharam ou achariam seus fãs do mundo todo pois seguidora do poder a qualquer custo, e poder é vencer seja como for. E dane-se o resto.
Na Ducati, no motociclismo e especialmente na mente de Valentino Rossi, a vitória é também o alvo, objetivo final, mas não a qualquer custo e sem nenhum charme. Ali, no motociclismo onde o astro maior é Valentino Rossi, ainda há fairplay, um pouquinho, ainda.
Roberto Agresti
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