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Home » Colunas » Roberto Agresti » 22.07.10
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O destino de Massa 22.07.10
Felipe Massa
No próximo domingo, dia 25 de julho, um triste episódio fará aniversário. Foi nesse dia que, um ano atrás, na Hungria, uma mola malvada decretou o fim da temporada 2009 de Felipe Massa. Este ano tal data coincidirá com o GP da Alemanha, que será disputado em Hockenheim. No ano passado, na pista de Nurburgring, o brasileiro conquistou o 3º lugar, o melhor resultado de uma desafortunada temporada encerrada precocemente por uma infelicidade do destino.

Sim, o destino.

E pensar que durante 2008 Felipe Massa nos fez sonhar, embalando a esperança de ver mais um brasileiro campeão mundial de F1, sonho este que durou até poucos metros da linha de chegada do derradeiro GP do ano, “o nosso”, no Brasil, em Interlagos.

Que destino!

E começou 2010. Parecia promissor. Aparentemente recuperado do acidente, Massa foi 2º no Bahrein. Um bom resultado, mas não ótimo, especialmente pelo fato que na frente dele chegou seu companheiro, o estreante na equipe Fernando Alonso.

Veio a Australia, outro pódio de Felipe, 3º, com Alonso em 4º. Melhor assim. O brasileiro é novamente líder do mundial, como foi em 2008.

Engraçado destino.

Porém ele mesmo avisou que “as coisas não eram bem assim”, ou seja, que estar em 1º na tabela não significaria exatamente ter a chance de disputar novamente o título. Ele sabia que a Ferrari era “così così”?

Domenicali e Todt
A este lúcido raciocínio, ou premonição – seja lá o que tenha sido – o que se seguiu nem o mais pessimista Felipe Massa poderia antever. Adeus pódios, adeus chances de título e, principalmente, adeus serenidade! Fernando Alonso com o mesmíssimo carro quase sempre conseguiu fazer melhor que ele. Agora Massa tem 31 pontos a menos que o incômodo parceiro, que além de mais efetivo nas corridas – seis a quatro para o espanhol no quesito melhor resultado – também se mostra mais rápido nas classificações.

Triste destino.

Massa não tem motivos para estar alegre, mesmo se inesperadamente, na véspera do GP do Canadá, o capo da Ferrari Stefano Domenicali, contrariando mais do que expectativas e sim a lógica (Robert Kubica estava “solto” esperando o chamado...) confirmou Felipe por mais dois anos em Maranello. Justificou-se como podia o dirigente, assim dizendo: “Quisemos dar um sinal de estabilidade para o futuro, convencidos da qualidade de uma dupla de pilotos que não tem paralelo em termos de talento, velocidade e capacidade de trabalharem juntos para a equipe.”

E quis o destino, sempre ele, que deste comunicado (que deveria acalmar ânimos e dar a Massa serenidade para voltar aos bons resultados) até agora o brasileiro não tenha marcado nenhum ponto sequer nas três corridas que se seguiram.

Alonso e Massa
Chega o GP da Alemanha, o GP “pré-mola” da temporada passada. Naquela ocasião o sofrimento maior de Massa foi sentir as Red Bull de Webber e Vettel inatácáveis, problema certamente menor do que tomar pau de parceiro de equipe e se ver numa constante maré de maus resultados.

Sobre o conforto da renovação de seu contrato com a Ferrari por mais dois anos, o que dizer? O que dizem por aí: que isso só aconteceu por chamar-se Nicolas Todt o empresário de Felipe Massa. Nicolas é filho de ninguém menos que Jean Todt, ex-master da Ferrari e hoje presidente da FIA – Fédération Internationale de l'Automobile – a entidade máxima do esporte à motor mundial onde, diz a lenda, a Ferrari sempre mandou mais que todas as equipes de F1. E, claro, quer continuar mandando.

Não sou dado a acreditar muito em teorias conspiratórias, em intrincados jogos de poder e elaborados planos maquiavélicos. Não acho que uma carreira brilhante possa ser ofuscada por uma nuvem de azar, por mais duradoura que seja. Mas que a renovação de Felipe Massa com a Ferrari foi recebida com certa surpresa no ambiente da F1, foi. E que o nome Todt na questão tenha talvez pesado mais que os resultados recentes do piloto, parece não haver dúvida.

Cruel destino…

De quase campeão do mundo há pouco mais de um ano atrás a ter que amargar um grave e insólito acidente, um companheiro mais rápido, maus resultados e o apedrejamento incessante de uma imprensa esportiva, a italiana, cruel como ela só.

Kubica
Domingo, no belo circuito de Hockenheim, entre as frondosas árvores da floresta negra e um coliseu de arquibancadas totalmente “pilhado” pelo grande momento alemão na F1 – Vettel, Rosberg, Sutil, Hulkenberg, Glock, Mercedes e..Schumacher! – Felipe Massa se verá às voltas com um dos momentos mais decisivos de sua carreira.

Apesar da pouca competitividade de seu carro, apesar de seu companheiro incômodo, apesar de todos os pesares, o momento de mudar seu destino é agora.

Roberto Agresti
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