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Home » Colunas » Roberto Agresti » 05.03.10
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Sorte, Bruno 05.03.10


O HTR, apresentado ontem, na Espanha - Clique para ampliar
Engato a primeira de mais esta coluna agradecendo aos confetes jogados nesta velha careca que vos escreve por alguns de vocês, generosos leitores com tempo e saco para dedilhar elogios que certamente fizeram bem a meu ego.

Sim, as últimas duas colunas, É como é e sua antecessora Como é e como deveria ser, conseguiram agradar alguns à ponto de provocar elogios. Desacostumado a tantas palmas (OK, nem tantas assim, mas sempre palmas...) reli as colunas e cheguei a uma conclusão: os elogios não são para mim, são para nós.

Nós quem, cara pálida?

Nós mesmos, aqueles que gostam de um cherinho de borracha queimada, que abaixam o som do carro para ouvir o motor, que não resistem a um piso de paralelepípedo molhado e que têm uma atávica necessidade de desequilibrar o equilíbrio para reequilibrá-lo de novo. Sim, nós mesmos, aqueles para os quais um freio de mão não é uma alavanca feita para ser acionada quando se estaciona o carro, mas sim um instrumento para embicar na garagem de casa de maneira bem mais divertida e deixando um risco preto na rua.

Somos uma tribo bem definida. Ou talvez, melhor que tribo, mais correto usar o termo “seita”.

No nosso altar estão pedaços de metal e fibra de vidro ou carbono, componentes velhos e carcomidos daquilo que um dia compôs um elemento de apaixonante prazer, carro ou moto. E seguramente aqueles caras que nos fazem sentar diante da TV, religiosamente, ano após ano, temporada após temporada, para demonstrarem o quanto são bons ou poderiam ser bons são definitivamente dos nossos, de nossa seita: gostam do mesmo e querem do mesmo.

Vettel, Schumacher, Hill, Surtees, Rossi, Piquet, Amon, Rindt, Brambilla, Rebaque, Arnoux, Rodriguez, Pace, Liuzzi, Schenken e Senna. Todos da nossa turma pois é como é e como deveria ser. Simples assim, difícil assim.

E mesmo assim digo obrigado, por ser da seita e descobrir que os da seita me reconheceram como da seita.







Mudando de assunto, confesso que fiquei deprimido ao ver as fotos da apresentação da equipe de Bruno Senna, a ex-Campos e atual Hispânia Racing Team. Uma pobreza de doer.

Pintaram o carro de cinza mesmo ou não deu tempo de pintar e o trouxeram no primer mesmo. E um uniforminho, não tinha? Nem mesmo um macacão branco para os pilotos, com um bordadinho feito na ala de serviços do shopping mais próximo deu para fazer?

Otimisticamente falando, haver uma apresentação de carro cinza e avisar aos pilotos “venha com um terno escuro” já foi mais do que o esperado para uma equipe que até dias atrás estava com o oficial de justiça à porta cobrando a prestação atrasada do chassi tabajara, ops, digo Dallara, sem o qual não haveria carro, nem cinza nem verde nem amarelo, para mostrar ao mundo.

Para quem lembra de como foi a estreia do tio de Bruno, esse início pode parecer semelhante. À época, a Toleman-Hart era uma traquitana se comparada aos carros das equipes dominantes da época, e com ela o finado Ayrton fez furor, conseguindo mostrar que era piloto para carro melhor que aquele. Desejo ao Bruno o mesmo destino e que ele faça desse limão galego, catalão ou cantábrico uma limonada. Sorte.





Bruno com seu futuro colega de equipe, Karun Chandhok
Outra questão oriunda deste time que possivelmente vai ser chamado de HRT pela Globo, na linha do RBR e STR, uma vez que Hispania é, que eu saiba, uma empresa. E se é empresa, segundo a cartilha vigente no Jardim Botânico, tem que pagar para ser citada, pois merchandising tem tabela de preço, claro.

Mas volto a questão: esse carro, que não treinou, não andou um metro acelerando forte numa pista, pode entrar na pista sem mais nem menos no primeiro treino oficial do primeiro GP do ano? E a segurança, tão propalada e cantada em verso e prosa, onde fica? OK, a Dallara é um fabricante respeitado mas até onde eu sei ela construiu o chassi, e não o assina. Ou seja, o carro não é um Dallara. É um Hispânia.

Mais sorte, Bruno...

Roberto Agresti

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