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Fota-se 19.06.09


Glock rodando - Clique para ampliar
O medo de Edu, macaco-mais-do-que-velho, tinha fundamento. Enquanto a maioria dos observadores, fãs, insiders e demais asteróides gravitantes do grande planeta da F1 imaginavam que o pau entre Fota e Fia acabaria em pizza, a p... toda acabou mesmo em tamancada na testa, como previu do alto de seu grosso galho nosso velho símio líder desse sítio (ver coluna Edu com medo).

Palmas – e bananas – para Edu. Vaias a Max Mosley, fantoche operado pelo dono da F1 há anos, Bernie Ecclestone, manipulador de mão cheia. Agora de vento.

Bernie e seu títere apostaram no racha da Fota. Deram alguns passinhos para trás sobre a polêmica regra de limitar a grana a ser gasta pelas equipes, sinalizando uma “abertura” às negociações, mas sem dar nenhuma garantia de cumprimento das promessas. Tinham certeza que inimigos figadais como Ferrari e McLaren jamais cerrariam fileiras. E que grandes grupos como Renault, BMW e Toyota não se arriscariam em aventuras sem a chancela da FIA.

Quebraram a cara.
Vettel, o mais rápido da 6a feira - Clique para ampliar


As poderosas equipes há tempos rosnavam para as idéias da entidade capitaneada pelo inglês chegado numa fardada e num chicotinho sadomasô. Operado pelo velho duende Ecclestone, Mosley angariou antipatias à rôdo.

Bernie e sua tremenda ganância conseguira que as equipes confiassem seus destinos às suas idéias anos atrás, sob a promessa de audiência ímpar, gestão profissional do evento e muito, muito dinheiro. Mas os mais lendários times da F1, marcas que ocupam o centro do palco desde o primeiríssimo GP da categoria, disputado – veja você! - ali mesmo em Silverstone, em 1950, foram se cansando do estilo “dois pra mim, um pra você”. E nas vizinhanças da pista inglesa, na véspera do 8º GP do ano, bem no meinho do campeonato 2009, a Fota se reuniu, ligou o “fota-se”, e avisou que está fora do esquema para 2010. Que Bernie fique com sua F1 baratinha, com a Williams, Force India, Manor, USGP, Prodrive e quem mais vier. Eles, os lendários times, vão fazer outro campeonato. Simples assim. Inesperado assim. Menos para o Edu, que do alto da árvore estava com medo disso acontecer. E com razão.





Silverstone, hoje cedo - Clique para ampliar
Agora, os caciques dos oito times mas “tchans” da categoria: Ferrari, McLaren, Brawn, Renault, Toyota, BMW, Red Bull e Toro Rosso vão ter de mostrar o que organizaram em termos de campeonato, coisa que já deve estar bem amarradinha pois nenhuma organização com um budget de centenas de milhões de euros/ano diz que não vai participar do “plano A” se não tiver um “plano B”. B de bacana, bom, bonito e até barato. Sim, barato.

Uma das novidades anunciadas para este novo campeonato é o barateamento de ingressos, dos direitos de TV, dos direitos de organização a serem pagos pelos promotores dos GP e até mesmo das inscrições das equipes.

Ecclestone teve o grande mérito de profissionalizar a F1, de torná-la um espetáculo grandioso, um dos maiores eventos esportivos mundial. Mas fez isso cobrando muito, e sempre mais e mais e mais.

Bernie
Aquela F1 por qual me apaixonei, em fim dos anos 60, e que segui avidamente nos anos 70 (seguimos, certo Edu?) entre uma lição de casa e outra, comprando Autosprint com duas semanas de atraso, deu lugar a uma festa interessante seja do ponto de vista técnico quanto desportivo nos anos 80 e 90. Todavia, desde a virada do século a fórmula da Fórmula 1 estava esquisita. Poucos com muito, muitos com pouco, e Bernie sempre com tudo.

Podia rachar - e rachou.

O futuro será melhor?

Max Clique para ele sumir
Impossível saber. A história mostra que quando esses rachas acontecem todos perdem, mas ao sábio medo do Edu contraponho meu infantil otimismo, esperando que desse balaio saiam gatos mais espertinhos e festivos, para alegrar a macacos novos e velhos como eu e o chefe Edu.

Roberto Agresti

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