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Home » Colunas » Roberto Agresti » 15.10.08
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Vacaloca 15.10.08


Hamilton nos treinos de sexta, em Fuji
Vacaloca não se fica, se nasce. E Lewis Hamilton é um vacaloca DOC; exuberante, incontrolável e inconvenientemente agressivo nos melhores e piores momentos. Que o diga Ron Dennis...

Qual a explicação para a tresloucada largada em Fuji?

Hamilton, você me daria uma boa parte de seu régio salário para entender os processos que te levaram a fazer o que fez? Então, me liga que eu te passo o número de minha conta, pois está explicado: você é um vacaloca!

Mas, fique tranquilo, você está em boa companhia, são notórios os vacaloca na história da F1. São exatamente vocês que dão tempero à categoria. Mesmo nesses tempos de santa inquisição, onde fiscais que jamais dividiram uma freada a 250 km/h se julgam habilitados para punir pilotos por atitudes supostamente irregulares, os vacaloca são os que colocam aquela pimentinha que atrai gente seja para a frente da TV, seja para a arquibancada.

O mais famoso deles foi Gilles Villeneuve, que em parceria com outro vacaloca espetacular, René Arnoux, protagonizou aquele que é ao mesmo tempo o mais bizarro e sensacional duelo da categoria no GP da França de 1979 disputado em Dijon-Prenois. Está no Youtube e se não viu ainda, veja.



Outro poderoso vacaloca foi Jody Scheckter, cujo ponto alto foi logo no início de carreira, em Silverstone, 1973, quando causou um dos maiores porrões coletivos da história da F1. Tá lá no Youtube também.



E também há os vacaloca “classe B”. Doidões sem ter, no entanto, o polimento necessário para as grandes conquistas. Nessa categoria brilha atualmente David Coulthard e, no passado, o folclórico Vittorio Brambilla.



Volto a Hamilton, o mais talentoso vacaloca do atual grid: não há demérito nenhum em ser vacaloca pois na verdade a vacaloquice está sempre associada a muito talento. Aliás, de fato é um transbordamento de perícia que determina o vacaloca.

Naquela imagem que ninguém havia visto mas agora todos viram, aquela da largada tomada pelo helicóptero (deve estar no Youtube também...) fica claro que o inglês sai da pista simplesmente por quê é o melhor de todos.



Paradoxo! Como assim?

Assim, ó: ele sabe que é melhor. Boceja enquanto os outros se arrepiam de medo, acelera fundo quando outros apenas resvalam o pé e no citado momento, inconformado pela incompetência alheia, tenta o milagre. Que muitas vezes rola, outras vezes não. E dessa vez não rolou, não era o dia.

Exuberante Hamilton poderá perder o título de novo, como fez no ano passado. A razão é o excesso, o exagero. Mas não de burrice ou erros como é mais comum pensar, mas de... vacaloca!

Torcerei por Massa e sua Ferrari, pois sou brasileiro e a Ferrari é a Ferrari, mas o melhor é Lewis Hamilton, saborosamente vacaloca. Maravilhosamente vacaloca.

Para nossa sorte e, talvez, azar dele.

Roberto Agresti

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