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Oito vezes Nº 1 01.10.08


Vale acelera em Montegi
Dois anos sem título. Uma eternidade.

Valentino Rossi esperou por um longo tempo, e para um que, como ele, sempre fez tudo parecer tão fácil, uma fase difícil longa dois anos tem peso dois, peso três...peso mil!

Desde aquela triste tarde no GP de Valência, em 2006, quando se esparramando bestamente no solo deu de presente o título Mundial da MotoGP ao americano Nicky Hayden que ele esperava a chance que teve domingo passado em Motegi, no Japão.

Chance de se reafirmar um grande nome do esporte a motor de todos os tempos, chance de restabelecer a verdade já que não foram poucos os que disseram estar ele no ocaso, de não ser mais quem foi, de ter dobrado o cruel cabo da boa esperança da velocidade, e ser obrigado a se curvar ao novo (e mais rápido) como foi Casey Stoner em 2007.

O capacete de Vale
Mas... Não! O esplendor ofuscado nas últimas duas temporadas não significava o ocaso do talento, mas sim uma bad trip técnica. Em 2006 a moto não ajudou, em 2007, os pneus.

E 2008 começou sob o signo do novo: nova moto, novos pneus e a vontade de sempre, aliás, maior ainda, temperada pela raiva de ser taxado de “finito” pelos ácidos compatriotas, e de desonesto também por conta das acusações de evasão fiscal.

Pagando o que devia e conseguindo os competitivos pneus Bridgestone, no início desta temporada faltava a Rossi o fundamental, uma moto à sua altura, uma Yamaha M1 como aquela de 2005, com a qual venceu na estréia, depois de anos no lombo de Hondas.

Temerosa de ver a preciosidade humana que lhes dera tantas alegrias e os títulos de 2004 e 2005, depois de anos de sombra sob o jugo da Honda, a Yamaha arregaçou as mangas. Sob o comando de Masao Furusawa, big boss da área técnica na MotoGP, a marca dos três diapasões entregou uma preciosidade a ser lapidada pelo italiano.

Vermeulen
A Yamaha M1 é uma unanimidade dentre os experts da categoria, considerada um raro exemplo de equilíbrio no que diz respeito à parte ciclística – chassi, suspensões e freios – e um exercício de virtuosismo tecnológico por conta das características de seu motor quatro em linha que, nunca é demais lembrar, foi considerado uma opção retrógrada e pouco criativa no início da categoria MotoGP, ocasião na qual a Honda brilhou e venceu com seu moderno V5.

O tempo passou, e a Yamaha provou ser sua “retrógrada” arquitetura de motor uma opção muito válida, especialmente quando é um piloto do calibre de Valentino Rossi o responsável pela afinação.

E a temporada começou.

Quinto lugar no Qatar, segundo na Espanha, terceiro em Portugal. Um trio de GPs para tomar as medidas, para saber como funciona a Yamaha com os Bridgestone e como os técnicos da marca japonesa reagem – se reagem – ao vocabulário de Rossi, colorido de exigências e considerações sobre os infelizmente tão fundamentais pneus nesta época do motociclismo mundial.

Na China, vitória, idem na França, o mesmo na Itália. O idílio estabelecido!

Lorenzo seguido por Hayden, domingo, em Montegi
O segundo lugar na Catalunha atrás de Daniel Pedrosa não foi tão ruim, mas ser outra vez segundo na Grã-Bretanha atrás de Casey Stoner doeu. Porém, o pior estava por vir na Holanda, quando um tombo relegou Rossi à uma corrida de recuperação com magra 11ª colocação como resultado.

Era a exata metade do campeonato e Rossi viu Pedrosa virar líder na pontuação e Stoner vencer dois GPs consecutivamente.

A Alemanha trouxe alento sob a forma de um 2º lugar atrás de... Stoner. Estava claro que aquela Ducati inguiável do início da temporada tinha mudado, e o australiano conquistava a topo pela terceira vez consecutiva.

E o GP dos Estados Unidos chegou. E Rossi venceu, não apenas a corrida, –sensacional, épica, espetacular – mas a guerra psicológica com o insidioso Casey Stoner. Ali, na aridez do norte da Califórnia Valentino demonstrou força e superioridade, deixando para trás os dois anos de agruras e de medo de não ser mais quem sempre foi a vida inteira: um grandíssimo campeão.

Vinte dias de pausa em agosto e o Mundial voltou às atividades em Brno, na República Tcheca. Valentino vence de novo e repete a dose em casa, no GP de San Marino, em também em Indianápolis, e em Motegi, onde pôs no bolso o campeonato, sadicamente feliz por tudo estar acontecendo ali, na pista da Honda, marca pela qual venceu seus primeiros títulos na categoria principal do motociclismo, mas da qual o oito vezes campeão mundial não tem boas recordações, pior de todas elas a impessoalidade e frieza do poderoso HRC, Honda Racing Corporation, braço de competições da líder na venda de motos do planeta terra.

Vale, de novo campeão da MotoGP
Com três corridas de antecipação Valentino saboreia sua conquista. A eternidade sem títulos acabou, o recorde de vitórias na principal classe do motociclismo – 70 – é dele, e ninguém mais pensa que ele está acabado, “finito”, e nem que ele já não é mais o que era, o maior campeão que o motociclismo já viu na era moderna.

Roberto Agresti

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