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| » » » 18.08.08 |
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“Uma vitória que certamente valerá o título.”
Com esta frase terminei a coluna de 23/7/2008, sobre a estrondosa vitória de Valentino Rossi no GP dos Estados Unidos, disputado na pista de Laguna Seca no fim de julho. Do árido cenário californiano, os garotos da MotoGP zarparam para suas férias de meio-de-ano. Uns para Ibiza, outros para as Ilhas Fidji, Seychelles... Lugares bem longe de tudo que lembrasse motos, disputas, intrigas e o stress de uma temporada atormentada.
Fortalecido pela reconfortante e emblemática vitória e uma robusta vantagem sobre Casey Stoner na pontuação – 25 pontões! – o Sr. Rossi se esbaldou no tórrido verão do sul da Europa, certo que a demonstração de força sobre o insidioso rival lhe garantira uma mão na taça.
Já Stoner deve ter tirado o mês para refletir como foi inocente presa de Rossi em Laguna Seca, e se odiar por ter caído na armadilha do experiente rival. Estudou com profundidade suas possibilidades, chegando à conclusão que, apesar da desvantagem poderosa na tabela, nada estava perdido, pois bastaria a ele ser Stoner, o vencedor, o campeão, o único do grid capaz de domar a nervosa Ducati Desmosedici, o único a confiar 100% na sofisticada eletrônica que equipa a genial mas difícil moto italiana.
Confiar plenamente no controle de tração é coisa pra macho, afinal, é preciso um verdadeiro reset cerebral para acelerar tudo no meio da curva e acreditar que a moto fará o que deve e não o que as leis da física mandam. Mas entre pilotos de motos e as leis da física nunca houve consenso e assim, lá foi Stoner vencer em Brno, na República Checa, para mostrar a Rossi que o nº 1 na carenagem é dele mas...
Mas na sétima volta Casey caiu. Caiu “caído”, e não por culpa da moto, do controle de tração ou do descontrole de algum outro componente. Pela primeira vez desde o início de 2007, quando entrou na equipe Ducati, o australiano campão mundial não terminou um GP. A primeira vez em trinta ocasiões. E admitiu que o erro foi dele. Grande!
Pressão é uma palavra muito usada nesses casos. Define o que vitimou Stoner, serve também para nomear a enérgica ação que Rossi aplicou no adversário.
Em Laguna Seca, a Ducati de Casey tentava desesperadamente acompanhar o ritmo de Valentino com sua Yamaha. Em Brno, Casey e sua Ducati tentavam desesperadamente fugir da Yamaha de Valentino. Posições invertidas, mas com resultado semelhante. O italiano tranqüilo e vitorioso, o australiano desesperado e no chão.
Estes dois disputam uma outra categoria dentro da categoria MotoGP. Nenhum outro piloto pode ou pôde rivalizar com eles. Agora, à luz dos fatos, Valentino Rossi pôs a mão que faltava sobre a taça.
Se no GP dos Estados Unidos foi ladino, maquiavélico, provocador do erro de Stoner, em Brno Rossi foi cirúrgico nas sete voltas que precederam a queda do adversário. Nunca permitiu que a vantagem aumentasse mais do que 1 ou 2 segundos, respondendo a cada volta rápida com outra tão rápida quanto.
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| Vale comemora a sua vitória em Brno |
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Ao final, no pódio, o tranqüilo Rossi festejava. No box da Ducati, o que se via? Um Stoner de cara amarrada? Nada disso! O campeão de 2007 estava sorridente pois a pressão acabara e agora, daqui para frente, é tudo ou nada pois não há mais nada a perder.
Senhores, a MotoGP 2008 acabou. Rossi é o campeão. Faltam seis corridas para o término da temporada e só um total desastre tirará o título mundial das mãos do mais genial piloto de motocicletas jamais surgido.
Como rezava o título de outra coluna minha aqui no Gepeto, publicada em 11/6/2008, “46 NA CABEÇA” .
Roberto Agresti
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