Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
21.11.08
Cartas - Segunda quinzena de Novembro
Cartas - Primeira quinzena de Novembro
Friends
21.11.2008
Motores diferentes
Kers: a nova polêmica da F1
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
12.11.08 - Carlos Chiesa
Adeus!
E se o Massa ganhar?
11.10.08 - Ernesto Rodrigues
Bate neles, Rubinho!
O bom e velho filme
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Roberto Agresti » 06.08.08
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Eu e Massa, cornudos 06.08.08


Agresti em ação As fotos são do site www.velocidadeonline.com.br, feitas por Rodrigo Ruiz
Virou fumaça na Hungria o sonho felipiano de assumir a ponta do Mundial, despachando de uma vez só o ameaçador afroanglocaribenho, o rivalíssimo Hamilton, e o pálido fantasma, o perigo nórdico on the rocks que mora ao lado, Raikonnen.

Seja o que tenha quebrado no motorzão da Ferrari do brasileiro, o fato é que, quando aquele fumaçê subiu eu imediatamente falei, entre o triste e o orgulhoso: “Eu sei o que é isso!” “Eu sei o que é isso!”

Bono, meu cachorro, me olhou compreensivo, como sempre. Xica, a cadela da minha mulher, enfastiada, como sempre.

Depois de décadas assistindo Grande Prêmios, na TV ou nas pistas, finalmente tive um pensamento novo, uma sensação ímpar, uma sinapse inédita vendo um GP da F1. Dentro dessa euforia, claro, realizei o sofrimento, a perda.

Largada dos Históricos de Competição
Meu nublado cérebro latejou, como que privado de oxigênio. Meu coração bateu mais forte, pressentindo a dor de um enfarte e, lá em baixo, bem em baixo, o esfíncter piscou três vezes, como para isolar o azar. Não adiantava mais: Massa abandonou, como eu abandonei, ambos traídos pela quebra mecânica.

Naquele instante, eu e Massa, Massa e eu – juntinhos – na dor, e no mísero sentimento de traição. Corneados pela máquina, aquela mesma que até um milésimo de segundos antes era o vetor de nossa alegria e paixão. Vadia, ordinária, vagabunda; insensível a máquina…

Massa chifrado na reta do Hungaroring. No caso dele, pelo motor. Um componente qualquer de centenas ou milhares de euros cedeu, e meteu os cornos nele. Um prejuízo que pode ser bem maior no fim de 2008, dezenas de milhões de euros, caso estes pontos perdidos façam a diferença entre ter o título mundial na mão ou o reles vice-campeonato. A conferir. Ele sabe disso e se desesperando, chorou. Horror de sensação.

O Puma 22 à frente de um Porsche e um Chevette
E eu? Fui chifrado na freada do Laranjinha em Interlagos. No meu caso, uma pinça de freio velha, de uma centena de reais. Corneada baratinha mas que me levou ao pânico: ouvir o toc toc toc do pedal batendo no assoalho do carro e nenhuma ação frenante é também um horror de sensação.

Minha vantagem sobre Massa? Não tenho jatinho, não ando de Ferrari, os jornais não estampam odes elogiosas às minhas performances, mas tampouco espinafram minhas c... na pista … Não perdi nada além dos freios. Minha vida continuou exatamente igual (e medíocre) depois da b... do freio do Puma 22 ter falhado na 6ª etapa do Campeonato Paulista de Automobilismo, em 28 de junho passado.

Uma história emocionante pra contar é meu saldo do incidente, onde felizmente só rodei na pista e abandonei sem bater em nada nem ninguém.

Massa chorou. Eu, na verdade, quase ri depois do susto.





Correr de carro velho é assim mesmo. O negócio corre pouco, quebra bem e nunca se sabe ao certo a exata razão dos problemas. Se sabe genericamente: quebra porque é velho. Melhor assim, talvez.

Maranello na manhã da segunda-feira pós-Hungria estava fervilhando. O inquérito sobre a falha do motor da Ferrari deve tomar terabytes de espaço nos hard-disks da marca de carros de corrida mais lendária da galáxia. Reuniões e mais reuniões, análises e medo, muito medo. Luca de Montezemolo pode passar o passaralho nos culpados. Ai, ai, ai…

Já a pane na pinça do Puma pouco alterou a rotina da batcaverna na Vila Leopoldina onde meu caro preparador Edson (codinome “Ron Dennis”, não contem pra ele!) se esmera em dar o melhor de sí ao pior de mim, meu lado piloto.

A pinça travou aberta? Troquemo-la, pois! E assim foi.

O Puma 22, copatrocinado pelo GPTotal
Na etapa seguinte lá estava eu insistindo novamente, no cockpit (!!!) do Puma 22, e de freios novos. Pinça do Santana 95 com disco raiado, receita “must” da preparação dos Históricos de Competição, nome que a Federação Paulista deu à categoria que até o ano passado se chamava Superclassic. Classic eu entendia. E super? Por quê? Supertrash?

Massa certamente irá para Valência certo do que aquilo que aconteceu na Hungria não acontecerá mais tão cedo. Eu, do alto da minha grande experiência de piloto (quatro corridas, três pódios…) lhe dou razão. Na corrida seguinte à da pane dos freios pisava no pedal confiante. O que ia quebrar seria outra coisa, não mais os freios. E assim foi. O pedal a morrer então foi o da embreagem. Mierda!

Chifre é assim: depois do primeiro, vem outro, e mais outro, e mais outro.

Quinta ou sexta volta. A p... do Chevette me dispensa nas retas mas eu sou mais eu nas curvas. A estratégia está montada: passarei ele na freada do Lago, ou na do Laranjinha. Assim terei tempo de abrir no restante do miolo para não ser ferrado no ponto forte do rival, a subida da Junção.

Já vislumbro a glória de tal ultrapassagem, afinal o Chevette é da Divisão 3, motor 2.000 cc e eu sou da D2, um mero 1.600cc. Davi e Golias.

Armo o bote mas quem bota no meu é a embreagem. O Chevette vai embora e eu ali, com a alavanca de câmbio boba na mão. Se ela saísse enfiava no…

Nosso colunista comemora o seu 5o lugar
Opa, nada disso! Estranhamente relembro Ronnie Peterson, piloto de F1 do tempo em que F1 tinha três pedais como meu Puma, e alavanca de câmbio. Talvez li sobre alguma corrida que ele ficou sem embreagem e chegou ao final assim mesmo, trocando de marcha “no tempo”.

Dá certo uma vez, dá certo duas, dá certo até o final, até a bandeirada. Minha glória mudou! Em vez de bater o Chevette, é levar um carro sem embreagem até a bandeirada, e até que andando fortinho.

Sou 5º colocado. Nada mal. Com embreagem talvez seria 4º. Pouco ou nada mudaria na minha vida mesmo se fosse 1º. Pensando bem, foi bom ficar sem freio e rodar na 6ª etapa, e foi ótimo ficar sem embreagem e chegar na 7ª. Tenho histórias para contar.

Felipe Massa não precisa desse tipo de histórias. Ele corre para ser campeão e para que contem histórias sobre ele, e eu corro porque sempre quis e só agora pude. E qualquer história é uma boa história. Mas ambos sentimos o gosto amargo da quebra, da frustrante e inesperada falha, da traição.

Eu e Massa, Massa e eu…

Roberto Agresti

 Leia mais colunas de Agresti | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação