 |
 |
|
| Comente |
| 13.11.08 |
 |
|
 |
|
| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 18.12.08 |
 |
|
 |
|
| Friends |
| 05.12.2008 |
 |
|
 |
|
| Pergunte ao GPTotal |
| Julho |
 |
|
 |
|
|
|
 |
|
17.12.08 - Ricardo Divila |
 |
|
 |
|
|
01.12.08 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 21.05.08 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
| Buraco no alambrado V: FUSCA! |
21.05.08 |
|
 |
|
Nos anos 70, uma categoria do automobilismo nacional chamou a atenção tanto pelo brilho das disputas na pista quanto por ser um celeiro de grandes pilotos e preparadores. Era a chamada Divisão 3 do Campeonato Brasileiro de Turismo.
Subdividida em três classes, vou tratar aqui dos Fuscas que dominavam indiscutivelmente a classe A, atingindo então uma espécie de nirvana técnico dos motores VW boxer naquele período aqui no Brasil. E mais: os Fuscas eram excepcionais em curva, “bons de chão”.
Minha perplexidade com Fuscas serem bons de curva vinha de simples prática, pois meu pobre pai tinha nessa época um Fuscão 1500 com o qual este que vos escreve realizou as primeiras acrobacias ao volante, logo descobrindo ter um anjo da guarda muito competente e… ser o pobre Fuscão dono de grandiosa instabilidade em curvas, ao menos como era o de meu pai, originalíssimo.
Detestando Fuscas em curva, tive que rever meus conceitos quando o espetáculo da Divisão 3 começou, se não me engano em 1972.
Também conhecidos como “penicos atômicos”, os fuscas eram um laboratório de experiências técnicas sem fim, e por isso mesmo a alegria de toda uma geração de preparadores. Amador Pedro, Roberto Simão, Amândio “Gigante” Ferreira foram alguns dos magos que se dedicaram a tirar uma improvável cavalaria dos motores VW “a ar”.
Carburadores Weber 44, 46, 48, virabrequins roletados, pistões forjados, sistemas de refrigeração do óleo sofisticados e as carrocerias – ah as carrocerias!!! – com pára-lamas alargados, tampas de motor feitas de tela, tomadas de ar pra todo lado…
O grid era lotado, e a canseira que os Fuscas davam nos carros da Classe C – Maverick V8 e Opalas 4.100 – no miolo de Interlagos era a glória para quem apreciava um embate tipo Davi X Golias.
Alfredo Guaraná Menezes, Ingo Hoffman, Luis Antonio Siqueira Veiga (Teleco), Edson Yoshikuma, Fausto Dabbur, Julio Caio de Azevedo Marques e muitos outros brilharam ao volante de fuscas que chegavam a ter, suponho, mais de 140 cv de potência, usavam larguíssimos pneus slick e passavam dos 200 km/h reais no final das retas mais longas.
Entre todos, os meus favoritos eram os da equipe Autozoom, pintados num lindo laranjão, altamente visíveis e adoravelmente bem acabados. Neles, o melhor de todos foi, para mim, o 29 tocado pelo Alfredo Guaraná Menezes que depois migraria para a equipe de Amador Pedro, que tinha o patrocínio da Gledson, uma grife de roupas importante na época.
Com o fusca laranja da Autozoom, Guaraná protagonizou uma furiosa luta no final das Mil Milhas de 1974 contra um poderoso Opala laranja patrocinado pela Brahma pilotado por Bob Sharp. Ao final, apesar de muitas tentativas, Guaraná acabou atrás do Opalão, mas na mesma volta, e num honroso 5º lugar na classificação geral, 1º na Classe A da Divisão 3.
No invadido box após a bandeirada, soube-se que Guaraná pilotou praticamente sem freios e sem embreagem seu turno final, o do duelo, o que causou admiração e desconfiança. Como assim “sem freio e sem embreagem”? E andando tudo aquilo?
Nada menos do que trinta e quatro anos depois dessas Mil Milhas, daquela incrível época de ouro dos Fuscas da Divisão 3, tive a chance de sentar num Fusca de corrida e andar em Interlagos, não no velho traçado, claro, mas no mais curto e deturpado Interlagos.
Não pilotei um “penico atômico”, mas um mais modesto Fusca da categoria de carros históricos do atual Campeonato Paulista. Mas não um Fusca qualquer. Simplesmente o que foi campeão da categoria em 2007, cuja generosidade de seu dono, Edu Lauand, me permitiu a chance de um dia inteirinho ao volante.
Mesmo sem o motorzão dos Divisão 3 do passado e nem os largos pneus slicks, vi a luz, e descobri a verdade verdadeira.
Qual?
Os Fuscas são bons e curva, e como!
Deixando pra lá a fraqueza do motor 1300 do Fusca de meu amigo Lauand, no miolo de Interlagos veio o flash back dos anos 70, aqueles fuscas largos e lindos “empurrando” Opalas e Mavericks cujos motores tinham pelo menos três vezes mais potência.
Girando o volante com fé, com a frente grudada e sentindo a traseira avisar que está de partida, descobri – antes tarde do que nunca – que o carro tido como mais amado do Brasil – e que tanto detestei por certo tempo – foi e ainda é uma grande escola para pilotos com muita ou nenhuma pretensão.
Simples como um ovo, com o qual se parece, pilotar um Fusca de corrida é uma experiência quase mística. Um kart grande e gordo, impressionantemente reativo e inesperadamente emocionante.
Quem diria. Um simples Fusca!
Roberto Agresti
|
|
 |
| | |
|
|
 |