Desobediência

Áustria, 12 de maio de 2002. Às vésperas de completar 52 anos de história, a F1 estava nas capas de jornal de praticamente o mundo inteiro por um motivo nada comemorativo. Numa das cenas mais tristes e polêmicas dos últimos vinte anos da categoria, Rubens Barrichello abdicou da vitória em favor de Michael Schumacher por causa de uma inacreditável ordem de equipe da Ferrari na bandeirada. Aqui no Brasil, tal momento ficou conhecido como o “hoje não, hoje não, hoje sim…” na narração de Cléber Machado.

A nítida cara de desgosto de Ralf Schumacher pela maneira como o irmão havia vencido, e as sonoras vaias do público austríaco foram apenas o começo de uma reprovação em larga escala mundial, em que muitas questões foram levantadas.

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A trágica história de Tim Richmond

Há 30 anos, um promissor piloto vencia suas últimas corridas na Nascar. Sem medo de acelerar além dos limites e aproveitar as melhores coisas da vida, Tim Richmond foi um dos maiores nomes da categoria nos anos 1980. Entretanto ele guardava para si um terrível segredo que o resto do mundo só saberia muito tempo depois.

Nascido em Ashland, Ohio em 7 de junho de 1955, Richmond era o único filho homem de seus pais Al e Evelyn. Entretanto, o menino nasceu frágil, com uma precoce hérnia. Isso fez com que necessitasse de cuidados constantes, com toda a família precisando ajudar-lhe a ficar em pé e a sentar-se.

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Além do Bule Amarelo – parte 1

A Renault está comemorando os 40 anos de sua estreia na Fórmula 1. Foi em 16 de julho de 1977, no circuito de Silverstone, que a marca francesa estreou na categoria ao colocar na lendária pista inglesa seu modelo RS01, confiado ao piloto Jean-Pierre Jabouille.

Não era apenas uma equipe a mais no circo, usando a velha fórmula de criar uma banheira de alumínio, com motor Cosworth 3.0 V8 DFV, câmbio Hewland de 5 marchas e 4 pneus Goodyear. Era um novo conceito, uma aposta bastante elevada e arriscada.

O carro tinha, de fato, um chassi bastante convencional, mas o conservadorismo acabava por aí. O motor que empurrava aquele carro amarelo evocava uma alternativa ao regulamento que determinava fórmula de motores de até 3 litros. Desde 1966, qualquer construtor poderia usar sobrealimentação nos motores, desde que a capacidade cúbica fosse a exata metade: 1,5 litro. Ninguém até então havia se enveredado por essa alternativa.

Mas a Renault estava disposta a pagar essa aposta. O turbo chegava à Fórmula 1.

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Barbada do ano

Não havia maneiras de Lewis Hamilton perder, na pista, esse GP da Grã-Bretanha – apenas um infortúnio muito pestilento tiraria sua vitória. Desde os treinos, o inglês foi superior, sua pole foi de tirar o fôlego e a festa após a bandeirada foi bonita demais, rapidamente associável às belas vitórias de Nigel Mansell, no mesmo palco, em 1987 e 1992. Faz-se o registro que testemunhamos mais um Grand Slam na F1: pole, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida.

Eu adoro ver essas vitórias populares, quando o patrício faz a lição de casa e o público delira (algo que jamais vai acontecer numa Malásia ou Bahrein da vida). Lembram-se quando Fernando Alonso ganhou o GP de Valência em 2012 escalando o pelotão? Coisa linda.

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Na pista, no templo.

Décima etapa das vinte possíveis, Silverstone marca a metade do mundial de 2017 da Fórmula 1. Caprichosamente a marca acontece no berço dessa civilização, onde tudo começou. E onde tudo começou a F1 chega respirando novos ares, mais leve, mais jovem e celebrando sua historia.

Tivemos festa em Londres para testar a receptividade do publico nas ruas ao mesmo tempo que vemos a celebração dos 40 anos da Williams.

Na pista, a duvida de quem vai domar o clima inconstante de Silverstone. Vettel amplia sua vantagem ou Hamilton conseguirá finalmente fazer a vantagem aparente do seu carro virar uma vitoria?
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